A Gruta do Lou

A inveja e o debate

O Debate
O Debate

Muito bem, vamos falar sobre a inveja.

Era para escrever sobre o debate e fazer todo mundo rir. Mas o tiro saiu pela culatra. O debate, em Azaré, foi um grande sucesso.

O pastor rico (não citarei o nome dele a pedido) tomou a palavra e declarou:

Estamos aqui para discutir o tema “Se Deus existe, porque há riqueza no mundo”. Sou um homem rico por dois motivos: 1) Meu avô e meu pai trabalharam duro e me deixaram uma grande herança. 2) Multipliquei a herança recebida trabalhando duro. Nunca recebi um centavo pelo trabalho pastoral. A fé em Jesus Cristo foi outra parte da herança recebida. Se você deseja deixar a pobreza, aí está a receita: trabalho duro e fé no senhor Filho de Deus. Sempre estive disposto a compartilhar minha riqueza com a primeira pessoa que nunca a houvesse desejado pecaminosamente. Fiz isso com minha esposa. Além dela, não surgiu ninguém mais que cumprisse a exigência. Deus existe, a riqueza e a pobreza também. Provavelmente o Criador tenha corrido esse risco para não sacrificar a liberdade.

Dito isso sentou. Os outros não quiseram dizer mais nada e o debate se encerrou, quatro minutos depois de ter começado. Fechei e guardei meu equipamento. Foi o trabalho mais fácil que fiz naquela cidade. O pastor rico fez questão de pagar minha despesa pessoalmente e ganhou minha admiração eterna. Cantarolei o hino “Por que ele vive“, (que não me sai da cabeça desde que li o post no blog da Bete) durante todo o trajeto de volta a Sorocaba.

Sim, nós somos os sapos e nossa missão é desvendar a arrogância e prepotência das cigarras e dos vaga-lumes. Por isso somos feios, cantamos mal e não temos luz própria. Mas somos criaturas de Deus, também. O divino é um grande brincalhão. Ele deve adorar quando algum sapo rouba a cena, como fez Antony Quinn no lendário Segredo de Santa Vitória.

Eu não posso e nunca pude atirar a primeira pedra. Sou pecador. A boniteza, o talento inato e a boa sorte da ocasião não salvam as cigarras e os vaga-lumes. É preciso mais do que luz que acende em seu corpinho, pela qual você não fez nada. Enquanto viver, trabalharás duro, não serás um imoral e admitirás: sim eu pequei e morro de inveja desses malditos bichinhos efeminados piscando suas luzinhas ou pequei por menosprezar quem não consegue fazer seu corpo horrendo brilhar. Riqueza e pobreza são só dois enigmas a serem resolvidos, enquanto vivermos. Não servem para mais nada.

O caminho para o céu é dado por Deus a todos os pecadores, pobres ou ricos, sapos ou vaga-lumes.

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7 thoughts on “A inveja e o debate

  1. Lou, que bom que temos um caminho para o céu, eu voltava do supermercado com a nítida sensação de que não tinha mais nada.

    Genial esse pastor, ele passou a ser o meu herói, preciso saber qual é a igreja dele. Espero que você não tenha cometido a baixaria de aumentar pra ele o preço da viagem para faturar um troquinho.

    Ir ao supermercado sempre nos faz perder o rumo do céu. 🙂 Quanto a Igreja do Pastor rico em questão, é a IBAG (Igreja Batista da Água Gelada) de Azaré. Agora, vá ser profética assim lá longe. 🙂

  2. Ótima constatação…

    Mas tenho de admitir que teria sido mais divertido se ele fosse o último a falar. Já imaginou, depois de um monte de baboseira uma conclusão dessas ?

    De fato, havia pensado em algo assim, mas o alvo do meu alfinete manifestou uma certa contrariedade e resolvi poupá-lo. Era só uma brincadeira. Melhor não forçar.

  3. Acredito que o “Pastor Rico” deve ser convidado a participar do encontro na ADVB.

    Sim, ele estará lá, só não sei sob qual pele. Se soubesse, não diria, claro.
    Será que isso foi um sim ao encontro?

  4. Fique tranquilo “ELE” deverá comparecer na própria pele,ou seja:
    Bem Sucedido na Vida.

    Se for uma reunião de “gente bem sucedida” voltaremos para casa sem identificá-lo. 🙂

  5. Bem,quem sabe ele compareça com aquele broche que os pastores costumam
    usar.Vou torcer para que isso aconteça…

    Seria uma pista e tanto.

  6. Lou, acabo de queimar as lentilhas do jantar do meu filho por conta de ficar aqui, tá vendo, troquei a gruta por um prato de lentilhas queimadas. Ou vice versa.

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