A Gruta do Lou

A Industrialização da Missão

 

Vivemos a era da multiplicação, da produção em série, da massificação e isso já foi dito milhares de vezes por todos os lados, por mentes brilhantes e não tão brilhantes, assim. Interessante notar que tudo começou com a Igreja e sua missão faceira de alcançar a todos com sua mensagem evangélica salvatória e, em seu rastro de multiplicação exponencial, o capitalismo se criou, principalmente com a tal revolução industrial. Acho que o principal insuflador dessa era foi Henry Ford e sua linha de montagem de automóveis, daí para frente o que se viu foi uma incontrolável produção em massa de todo tipo de cacarecos de utilidade duvidosa. Veja a atual situação do planeta depois dessa era Ford.

Quando dava aulas de Educação Física, na verdade exercícios para grupos de pessoas, seja em escolas, clubes, centros esportivos públicos, etc., de repente, me dei conta da necessidade de individualizar o processo. Notei que meus alunos eram todos diferentes uns dos outros, alguns magrinhos , outros gordinhos, longilíneos, brevelíneos, medilíneos, brancos, negros, amarelos e até uns vermelhos, às vezes, e isso me fez concluir a impossibilidade de tratar todos de uma só maneira. Cada um tinha um corpo único e precisava ser exercitado de forma individualizada.

E o feitiço virou contra o feiticeiro, a igreja que dera a idéia ao capitalismo de multiplicar para ganhar agora tornou-se vítima de sua própria criação. A meu ver, o grande mal que está corroendo a Igreja como as formigas devoram os eucaliptos ou o câncer se expande entre os órgãos, é a praga da multiplicação. Melhor seria se os pastores não soubessem aritmética alem da conta de somar. Assim como Henry Ford, que era pouco mais do que um mecânico, foi capaz de perceber que quanto mais carros fizesse, mais consumidores faria e mais rico seria, os pastores acabaram vítimas dessa mesma lógica. Não só eles, mas os médicos, os advogados, os engenheiros e os professores também trataram de multiplicar seu público consumidor.

Confesso uma ironia constante em muitos dos meus textos, ela da conta de uma das maiores asneiras proferidas na história da pregação evangélica universal, ou seja, alguma anta disse que se pregássemos o evangelho a todas as criaturas, Jesus voltaria e o Reino de Deus seria estabelecido na Terra, finalmente. Não sei se posso chamar isso de uma sutileza, mas a idéia bíblica é, na verdade, outra. Nossa missão é continuar pregando as boas novas a todas as gerações, até a última, que ninguém sabe qual será, algo muito diferente do que foi dito, pelo paspalho capitalista industrializado. Mas o caráter individual da tarefa nunca poderia ter sido suprimido, porque ele é essencial e idéia de Deus, se não me engano.

Só em grupos pequenos será possível pastorear, ensinando a cada membro segundo suas individualidades, tudo aquilo que o Senhor Jesus nos ensinou. Isso requer paciência, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio, amor, alegria e fé. Coincidentemente essas são as ferramentas oferecidas pelo Espírito Santo. Uns pegarão a idéia de primeira, mas outros custarão um pouco mais. Eles não são consumidores do evangelho ou da fé, mas o objeto principal da tarefa missionária, e têm seus próprios pensamentos, diferentes uns dois outros, gente de carne e osso vitalizadas por uma alma única. Essa missão deve ser cumprida por todas as gerações até que venha o fim, individualmente, homem a homem, corpo a corpo. A Missão não pode ser industrializada ou multiplicada, no máximo somada.

Com as Redes Sociais, a maioria dos engenheiros da fé industrializada já está contabilizando os milhares de consumidores do evangelho e seus produtos salvíficos, que deverão alcançar números nunca antes imaginados. Fora a impessoalidade do método, eis a pá de terra sobre o convívio e suas virtudes, bobagens como o olho no olho, o abraço, o beijo, o amor, a sensibilidade, generosidade, etc. Precisamos ter o cuidado de não nos deixarmos enganar de novo. As Redes como instrumentos de comunicação e informação podem ter sua validade, mas como meio para aumentar o consumo podem ser excelentes aos propósitos infernais.

De alguma forma, estamos sendo chamados a praticar e cumprir a Missão de forma pessoal e chegou a hora de ouvirmos o que o Espírito está nos dizendo a esse respeito.

3 thoughts on “A Industrialização da Missão

  1. Lou, sua proposição continua na contra mão do ES, a quem coube a responsabilidade de guiar aqueles que são chamados. A figura do pastor professor, continua descartando esta possibilidade e anulando a promessa de Cristo.
    Penso que é função de todos os chamados, sob orientação do ES, espelhar o Cristo, a todas gerações como vc diz bem, e isso basta.

  2. Graça
    Você conhece esse assunto muito bem. Nosso grande inimigo é um cara chamado Ego e Deus quer nos livrar dele. Para deixar o ES atuar, precisamos impedir o Ego de ficar no comando. Pastores, professores, chefes, etc., são pessoas sob o domínio do Ego. Sabe, revelarei um segredo a você: evito qualquer tipo de transação (comunicação, negócios, sentimental, etc.) com alguém que seja vítima do Ego. Jesus só assumirá quando o Ego se for. Certo?

  3. Certo… e esta é a minha batalha diária – menos eu, mais Ele!

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