A Gruta do Lou

A Gruta da Prosperidade

Assistindo a rapaziada se torturar em ser ou não ser evangélico, me peguei com a dúvida deles: seria hora de colocar os pingos nos is ou seja lá qual for o lugar dos pingos? Antes de mais nada, creio ser necessário identificar qual seria a vantagem em assumir essa ou aquela posição. No momento, e cada dia mais, não ser evangélico tornou-se muito lucrativo, afinal não queremos ser identificados com o Malafeia, Hernandes, bispos, apóstolos e toda essa turma do mal, digo, da grana. Eles ficam com a grana e nós com as dívidas.

Atitudes assim podem livrar a nossa cara na hora da confusão. Não, não conheço o cara, sei que ele andava por aí com um monte de gente tola atrás dele, falando umas heresias, mas eu nunca o segui, preferi ver de longe. Como um provérbio moderno, quando escolho um lado, simultaneamente estou condenando o outro, além de livrar a minha própria cara. Acho ótimo que os censores da bíblia deixaram ficar no Canon aquele texto: “todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Para mim ele diz: Somos todos farinha do mesmo saco.

Entendo que a decisão talvez seja fácil, se perguntar aos meus “amigos” igrejeiros: meio herético, tem o rei na barriga, não tenho certeza que seja cristão, liberal com certeza, a mulher dele fuma, ele toma cerveja, conservador reacionário, etc. Sendo assim não tenho com que preocupar, estou fora mesmo e não sei se algum dia fiz parte. Se isso salvar, estou salvo.

Pessoalmente, me vejo como um cristão protestante sem trincheira, ou melhor, cavei a minha própria onde luto contra o inimigo só, com a ajuda pouco pródiga de Deus. Protestante porque rejeito o papado e todas as milongas católicas. Evangélico, certamente, não sou e nunca fui. De fato deixei a militância em igrejas há tempos. Minha carta estava presa à Igreja Batista do Sumarezinho, onde eu não aparecia há anos. Aí, acabaram com a igreja e não faço a menor idéia do destino dado ao rol de membros da igreja. Espero que não tenha ido para a IBAB, nada contra a igreja, mas me faria estar em pecado culposo, nesse caso, afinal, não devemos falar mal da própria igreja.

Andei freqüentando uma igreja aqui perto de casa. O pastor gosta de ser meu amigo, mas aprecia essas coisas todas que vivemos abominando em nossos blogs mais cults, igualmente. Estava começando um trabalho em favor dos dependentes químicos lá, quando começaram as dores. Fique com medo de ser algum recado do além e não tenho mais coragem de retomar à coisa. Se bem que nosso maior desejo e sonho é voltar a São Paulo, o quanto antes. Mas está difícil convencer as imobiliárias a nos ceder um imóvel com um mínimo de dignidade para morarmos.

Tenho um amigo que pastoreia uma igreja que ajudei a fundar, na Zona Sul de Sampa. Mas não acredito que faria parte de novo. Aliás, não me vejo fazendo parte de igreja alguma. Sempre que sinto vontade de aparecer, basta uma única visita para perder a vontade por anos. Não pense que me sinto mais espiritual do que os outros, a verdade é bem ao contrário, sinto-me indigno de ser contado entre os salvos. Nunca consegui tirar a trave do meu próprio olho, quanto mais ajudar a livrar a visão dos outros cegos.

Meu negócio será encarar uma Gruta cavernosa toda vez que desejar manipular a Deus, me vestir de pano de saco, descalço, chorando e gritando meus ais. Quem sabe o velhinho sente pena e me dá uma mão. Mais jovem, saía para a luta, dava nó em pingo d´água e sempre dava um jeito. Fiquei famoso por essas iniciativas. Mas envelheci, embora ainda não seja um completo ancião, nem tenho permissão de usar o banco dos idosos no Metrô, ainda, embora me faça de tolo e o utilize quando não há outro. Não consigo nem produzir alguma idéia minimamente libertadora, pelo menos para libertar a minha família e a mim dos laços do mal

Talvez eu escreva para o Malafeia ou algum dos companheiros dele. Quem sabe eles não me dão um plano capaz de transformar a Gruta em dinheiro ou em uma galinha dos ovos de outro. Já pensaram? A Gruta da Prosperidade: “Venham todos à Gruta da Prosperidade e dêem dez. Em quarenta dias, Deus lhes devolverá mil”. Aleluia!

4 thoughts on “A Gruta da Prosperidade

  1. Associar-se ao mala me parece ser um bom negócio – para ele. Nas angústias o bom senso fica perturbado; começa-se a achar que alguma igreja possa ser melhor que a gruta. Caia em si.
    Amplexo.

    Fique tranqüila, não há risco disso vir acontecer, a ameaça é só uma bravata para despertar os acomodados. Valeu!

  2. Lou

    Se você transformar a gruta nesse antro, me avisa rápido para eu excluir dos meus favoritos, RSS, etc…

    Puxa! Uma Gruta com bancos e vasos, talvez uns gazofilácios (mais de mil) ficaria uma graça, né não? É acho que a Gruta está condenada a ser o depósito eterno do meu ministério nunca implementado. Diria o Brabo.

  3. Choraremos do lado de fora, sob sol e chuva, pela Gruta dos Vencedores.

    A Gruta será sempre um lugar de passagem para os insatisfeitos, não alinhados, rebeldes e endividados. Não necessariamente nessa ordem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *