A Gruta do Lou

A goiaba apetitosa

Goiabas
Goiabas

Talvez já tenha contado a história que deu origem a essa minha mania de chamar os caras de goiabas ou o ato misericordioso de me trazerem doações de: o momento em que sou incapaz de não me emocionar com uma criança que me traz uma goiaba apetitosa sem qualquer interesse. Acho que o Brabo também deve ter ganhado goiabas apetitosas em momentos extremos e por isso chamou seus pequenos surrupios na rede de Goiabas Roubadas.

O fato é que duas crianças acabam de nos trazer goiabas apetitosas e me emocionar. Mais ainda, quando o Thomas revelou tê-las solicitado via Raniel, bem na hora quando repassava pela mente minhas petições e não havia tal pedido.

Falei no blog em “geladeira quase vazia”, mas essa é outra das minhas expressões enigmáticas. São figuras de palavras denominadas por um maluco desses, capazes de escrever uma gramática da língua portuguesa, como é o caso de Hildebrando de A. André, de Metonímia ou Sinedoque. Particularmente prefiro chamá-las de metonímias, termo que adoro usar em minhas palestras, ao lado de outras tais, para ver as caras dos goiabas em minhas plateias.

Se você for insano o suficiente para ficar lendo meus posts, surpreender-se-á com o abuso praticado por esse escritor no uso dessas tais figuras. Como diria Freud: “Nem sempre um charuto é um charuto”, se é que ele disse isso alguma vez. Mas posso explicar isso melhor:

Às tantas, resolvi proclamar minha independência. Era um convertido recente e estava naquela fase em que pedia a Deus tudo e não fazia nada sem pedir ao Criador. Decidi viver pela fé. Não iria comprar nem alimento, mais. Era solteiro e se Deus não suprisse, só eu passaria fome. Se fosse essa a vontade do Homem, estava pronto. Imagine a cena. Era professor de Educação Física, uma das profissões onde estar bem alimentado para o trabalho é condição essencial.

Dei minhas primeiras aulas, naquele dia. Não havia comido nada. Estava à espera de Deus. No intervalo, não fui à sala dos professores, pois lá havia comida a disposição, um perigo. Se Deus queria me alimentar, teria que fazer melhor do que isso. De repente, alguém bateu na porta. Abri e lá estava uma aluna da pré-escola, linda. Ela estendeu a mão para mim e nela havia uma goiaba apetitosa. Depois de me entregar a encomenda celestial, desapareceu.

Foi a melhor goiaba que comi na vida. Desde então, chamo o produto emocionador das mãos entendidas em minha direção de “goiaba apetitosa”.

Tenho outra. Veio de um filme, Heat (Fogo contra fogo) com o Robert De Niro, Al Pacino e Val Kilmer. Em uma cena, estão os personagens de De Niro e Val Kilmer e há um diálogo, mais ou menos assim:

De Niro: Então, brigou com a esposa?

Kilmer: Sim e ela me colocou para fora de casa.

De Niro: Por que?

Kilmer: Não há comida na geladeira.

Ele estava dizendo que a situação estava ruim. Havia carência e não necessariamente de comida na geladeira. A partir daí (1995) adotei a metonímia. Desculpe, mas você corre sério risco de entender errado as expressões em meus textos se fizer como os ortodoxos fazem com a Bíblia, ou seja, interpretação literal.

Agradeço a todos os anjos portadores das “goiabas apetitosas” e emocionantes recebidas nessa tarde, aqui em casa.


lousign

 

4 thoughts on “A goiaba apetitosa

  1. Deus manifesta-se de muitas maneiras…
    Às vezes, usa uma goiaba…

    Não duvide disso. 🙂

  2. Por vezes Deus nos surpreende, não é mesmo? Em quantos momentos de minha vida não entendi o que me acontecia…nós, pobres mortais, achamos que as coisas que nos ocorrem não fazem sentido, mas Papai do céu e seus anjos sabem muito bem. Também se pensarmos por outro lado, Deus pode entender errado nossas expressões enigmáticas, e fazer chover goiabas nas nossas cabeças. kkkkkkkkkk

    E como ele entende tudo errado, eu que o diga. Mas valeu, nesse caso, e muito.

  3. Tenho mais um filme para você acoplar nessa história toda, lembra do ” Signs” com Mel Gibson e Joaquin Phoenix?
    Tem hora que me vejo como o Gibson naquele filme, e acabo deixando os princípios de lado. Espero que o meu final seja semelhante ao dele!

    Coincidentemente, assisti o filme a pouco tempo. Tenho alguma dificuldade com esses seres alienígenas criados pela mente humana, mas fiquei com a mesma sensação que você. É preciso ser digno, mas não deixar de ser humano.

  4. Lou, muito bom vir te conhecer ! a Alice sempre fala de vc com grande admiração, e te digo, não é exagero.

    abraços

    Você conhece a bondade da Alice muito melhor do que eu, agora, que ela exagera, não há dúvida. 🙂

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