A Gruta do Lou

A fé gera a fé.


Ontem, enquanto conversava com um amigo que não por acaso é pastor, relatei uma constatação antiga decorrida de uma experiência de fé. Por mais incrível que possa parecer, convivi um tempinho nada desprezível com as hostes do Apóstolo Jorge Tadeu, inclusive com uma estada de um mês em Portugal, trabalhando na casa dele (que também era a sede da Igreja). Ainda bem que, segundo pessoal da própria Igreja Maná, à época, eu não era um deles. De fato, meu trabalho basicamente se restringia às questões de informática, área em que o Apóstolo é muito bem resolvido. Apesar de não ser considerado um deles, o apóstolo sempre me teve em alta conta. De fato, não praticava 90% dos dogmas apregoados na Igreja e, muito menos, acreditava neles.

Voltando à constatação, certa vez, D. Eunice (ela é a manda-chuva das igrejas Maná em terras brasilianas) veio à minha sala,  e me fez um longo sermão, incomodada com meu fraco envolvimento nas coisas “espirituais da igreja”. Entre outras coisas, ela mencionou o fato (segundo as crenças dela) de que eu gastara toda a minha fé em minhas experiências missionárias do anos 70/80 e agora estava sem fé, sendo assim, precisava encher o tanque da fé novamente. Só assim, Deus voltaria a me abençoar. Embora não desse 1% de crédito, em termos teológicos, a essas asneiras, aquilo me incomodou no aspecto emocional, não na relação eu-eu ou eu-outros, mas entre Deus e eu. Estaria Deus chateado comigo por haver abandonado meu ministério missionário pelos cuidados desse mundo? Apesar de não ser exatamente a expressão de minha verdade.

Devo ter enviado um monte de faxes ao céu (meio de comunicação mais usado, na época) solicitando diretrizes urgentes. Ao contrário do Matrix, nunca tive a facilidade de utilizar um telefone público para falar com Deus. Afinal, eu havia sido incluído na lista dos bloqueados em termos de bençãos? Nesse caso, a razão seria algo relacionado à minha contrapartida em termos de fé?

Engraçado como um leve pressuposto equivocado pode embananar todo o processo. Isso é muito comum entre os pagãos, pois embasam suas crenças em sistemas dogmáticos, na base legalista do olho por olho e acreditam em teologia das obras. Pior é verificar as imensas construções que eles edificam sobre esses alicerces arenosos. Basta um aviãozinho teleguiado qualquer para ruir a estrutura toda, não importa a imponência da torre.

Fato é que Deus resolveu me responder e o fez por vários meios, palavras diretas e indiretas, Bíblia, livros, textos, filmes, vídeos, mensagens do Bregantim-Caio, Malafaya, Warren, Ed, Edir, Gondim, Shedd, enfim, a camarilha evangélica toda, sem saber, foi usada pelo divino, interessado em desfazer essa duvidazinha no meu coração. Então, sem alternativa, constatei que Deus não usa relógio e suas ações são eternas e não pontuais, mais, ele não é tri-dimensional mas multi-dimensional. A fé em mim ou em você é ato de Deus, portanto eterno, tipo use se quiser ou precisar. Jamais dependerá do sistema de crédito secular. Quando o pessoal do céu inscreve nossos nomes num tal Livro da Vida, muito bem guardado na biblioteca Celeste, simultaneamente abre-se uma conta no Banco Celestial, em nosso nome espiritual com crédito eterno ilimitado, onde podemos sacar à vontade, independente do volume de depósitos que venhamos a efetuar. Se o fizermos, tanto melhor, pois estaremos protegendo nossas riquezas verdadeiras de traças, ferrugem, ladrões e governos mundanos. Evidentemente, a moeda corrente nesse banco não é dinheiro, mas fé.

Sendo assim, há fé disponível para mim e você a qualquer tempo, hoje e sempre. Reclamei, dias atrás, das ofertas de R$ 1.000,00 oferecidas ao Malafaya, não sem inconsistentes apelos com ajuda do Murdock, particularmente pelas ofertas realizadas por dois amigos meus. Na verdade, estava morrendo de inveja, afinal e apesar de ter sido um grande missionário no passado e ainda dar as minhas tacadas na atualidade, vez por outra, nunca havia recebido uma oferta desse tamanho, muito menos as trezentas que o novo Apóstolo do pedaço recebeu, só naquela semana. Tá certo que ele oferece recompensas que não estou autorizado a conceder. Quem oferta a mim, só estará fazendo depósitos morais no Banco Celeste, que poderá ou não cambiá-los por fé, pois a grana será administrada por euzinho mesmo, podendo até virar uma máquina reluzente (Lear-Jet, Focker, Mercedes, BMW, Harley-Davidson, Fiat ou Ford Ka) e não daremos direito de devolução, muito menos de reclamações. Voluntariamente, oro por meus contribuintes, mania que ainda não perdi e não pretendo perder, e nessas orações solicito bençãos abundantes a eles, entretanto, não há compromisso algum aí. Essa decisão fica por conta do Magnânimo e o julgamento temerário dele.

Um outro alerta importante a fazer, diz respeito ao fato de que nem todas as minhas orações são atendidas. Diria, inclusive, que a maioria delas não é. Por exemplo, faz um tempão que estou orando por uma fonte de renda estável para manter a mim e minha família, com nossas peculiares necessidades incluídas e, até agora, a resposta foi zero. De vez em quando aparece um bico aqui, uma palestra ali ou uma consultoria acolá e só. Meu sentimento, por mais ridículo que possa parecer, é que Deus continua me tratando como um missionário, sabe aquela mania dele considerar os compromissos como eternos? Então, embora minhas missões tenham se tornado provincianas, mais na orla de Sorocaba e adjacências, tratando de pessoas pouco bem vindas à igreja, como os cardiopatas congênitos, dependentes químicos, órfãos e viúvas, onde a preferência sempre é pelo irmão mais velho do filho pródigo. O que não deixa de ser uma resposta de oração. Sei lá.

Sendo assim, o grosso de nossas contas acabam sendo pagas por contribuições subversivas de irmãos, amigos e parentes desobedientes que insistem em assistir pessoas rejeitadas pelo status quo religioso, feito eu , ou talvez por culpa, ou  pura pena, mesmo. Meu orçamento desse mês pedia uma quantia acima de R$ 3.000,00, incluindo atividades missionárias e despesas da família, fora dívidas anteriores (um montante 1000% acima deste). Como sempre, levei o assunto à presença de Deus que me ouviu calado como sempre. Avinhe? Recebi minha primeira oferta de mil, sem ajuda do Murdock. Me foi entregue pelas mãos do meu amigo pastor em nome de sua igreja. Fica aqui minha petição pública para que Deus derrame sobre essa gente boa as mais abundantes benças celestiais e terráqueas.

Entretanto, como aprendi nos meus exaustivos anos de trabalho na Avon Cosméticos, mais o tempo em Portas Abertas, continuo buscando com todas as minhas forças, honrar e receber, com igual ou superior consideração, as pequenas contribuições, sempre abençoadamente presentes ao longo da minha vida e/ou ministério meio apócrifo.

A conclusão a esse amontoado de besteiras me parece óbvia, também, meu negócio continua sendo viver pela fé, fonte inesgotável que nunca me foi bloqueda ou retirada. Talvez seja necessário fazer a revisão dos 10 mil kms, ajustando melhor as configurações. Certamente se meus voos forem maiores, as provisões serão equivalentes. Para saídas curtas, posso ir a pé mesmo, e não haverá custos maiores e a dose de fé, pode ser aquela do grão de mostarda, mesmo. Como diria outro subversivo incorrigível, a fé gera a fé. Taí, algo que poderia ser incluído no livro sobre fé que o Pr. Wagnor me encomendou.

OPS: Graças às conhecidas intransigências da Telefonica, você ficaram sem meu saber e elevado grau espiritual em forma de palavras textuais. Acostumem-se, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Adoro os clichês, evitam desperdício de fosfato.

2 thoughts on “A fé gera a fé.

  1. Viver por fé. Não é fácil…é um exercício diário de humildade e perseverança. Se deixarmos os gigantes internos crescerem, pobrezinhos de nós. Matamos gigantes todos os dias com pedrinhas pegas no riacho da fonte de Deus…e que assim seja!
    Isso dá um texto, hein, Lou?

    Cadê o texto?

  2. Meu, vc tá proibido de usar as minhas enormes e generosas contribuições para Lear jets, BMWs, iPads ou qualquer outra coisa que não seja uma Harley daquelas imensas e reluzentes. Ok?
    Afinal o dinheiro é meu e vc tem que fazer o que eu quiser!!! Senão, pego de volta!!! Estás advertido!!!

    Pode deixar, farei conforme sua instrução!

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