A Gruta do Lou

A família real da casa de Wind Só



Faz tempo que não escrevo sobre a família. De forma velada e quase oculta, fui proibido de tocar no assunto, afinal as comparações são inevitáveis e, sempre que mencionava as questões envolvidas, susceptibilidades aguçavam.

Entretanto, hoje é dia de casamento real na Inglaterra e eles ainda conseguem colocar boa parte do mundo de joelhos quando resolvem promover esses shows reais a fim de afirmar sua predominância quase ariana. Esse fato me remete, inapelavelmente, à família.

Acredito que no dia em que o príncipe William nasceu, uma equipe foi designada para encontrar sua futura esposa. Não sei exatamente quanto tempo eles levaram para cumprir a tarefa, mas o fizeram, com certeza. Nesse tempo, Lady Di ainda não havia caído em desgraça, se bem que ela foi desgraçada pelo ex-marido o príncipe Charles, segundo suas próprias palavras.

Depois desse episódio, certamente a equipe de busca à futura esposa real recebeu novas recomendações. Nessa época, eles já deviam ter o nome da pessoa no cofre e, se bem conheço a turma da Casa de Windsor , por esse tempo, havia uma lista com 6 nomes viáveis, pelo menos.

Todas essas meninas deveriam ser preparadas para o futuro real, sem importar quem viesse a ser a escolhida. Provavelmente, a segunda mais bem sucedida da lista, também virá a ser princesa, breve. Uma plebéia era um dos critérios, como foi no caso da Lady Di. Eles cuidaram de tudo, educação, etiqueta real, finanças das famílias das moças, religiosidade, virgindade e beleza. Tudo isso redundou na presente princesa, que por enquanto é só uma duquesa, herança maldita de Diana, que virou princesa de Gales, com o casório.

Enquanto alguns milhões de libras eram gastos com a futura princesa, uma estrutura muito maior e mais sofisticada ainda foi montada em torno de William. Fiquem tranqüilos, as exigências reais em relação a ele multiplicaram-se depois dos pecados cometidos por seu pai. Esse moleque nunca mijou fora do penico e cumpriu seu script real “Ipsis Lítteris”.

Tudo no mancebo é resultado de um planejamento estratégico pró príncipe que dará certo, quiçá o futuro Rei do Reino Unido, se ele voltar a esse status e caso o príncipe não seja traído por alguma inglesa horrorosa, mas que compareça com mais freqüência, pelo caminho. Dizem, a boca real pequena, que cabeças andam rolando no  Palácio de Buckingham., por causa da calvície do príncipe, inadmissível, segundo apurou nossa equipe de reportagens principescas.

Meus pais não tiveram um único milésimo da prudência real britânica e isso afetou a mim, a Dedé e os nossos herdeiros muito reais, principalmente.

Cara, nós nunca fomos preparados para viver o resto de nossas vidas juntos e muitíssimo menos para vir a ser algum tipo de família próspera, real nem pensar. Nós não fomos criados pelas famílias certas, que não tinham nada da estrutura ideal, nem finanças, nem educação, etiqueta e muito menos equilíbrio psicológico. Nossas experiências religiosas foram pífias. Sobre o resto, a prudência reza que é melhor calar.

Não seria exagero decretar que, apesar de tudo, nossa família é um grande milagre. Pelo retrospecto, segundo a bula real britânica, nós nunca deveríamos ter chegado até aqui, exceto no caso da calvície do príncipe, lógico. Bem, mas essa é a boa notícia, e como tudo nesse mundo, a realidade de nossa família tem mais de um lado e os outros não são nada bons, infelizmente. A razão disso é óbvia, nós não fomos preparados e não nos preparamos para viver nossa vida real principesca.

Para piorar, a realidade de um plebeu brasileiro é extraordinariamente mais complicada do que a dos plebeus anglo saxônicos. Pessoal fala muito de nossas proverbiais dificuldades, mas não sabe da missa a metade. Tirando todas as dificuldades impostas pelos governos corruptos e incompetentes, a igreja continua insistindo em suas falácias de sempre e, por questões de caráter estritamente financeiro, a psicologia gananciosa resolveu nos complicar ainda mais, criando um cem números de doenças psicológicas, nos últimos tempos. Some-se isso ao nosso total despreparo e pimba, fuck the family.

Até que em nossa família, conseguimos ir razoavelmente bem, até certo ponto. Lembro-me que minha avó me levou ao oculista quando eu tinha uns oito anos de idade e, depois de acurado exame, com pupila dilatada e tudo, o doutor profetizou que óculos só após os quarenta e cinco anos, mas omitiu que com os óculos viria todo um pacote de terríveis dificuldades, insuperáveis para o plebeu aqui, pelo menos para um plebeu sozinho.

Acho que nasci para ser gregário, grupal ou parte de alguma equipe, nunca uma espécie de vento solitário, ou um Wind Só.

Ando por aí defendendo a vida em redes para tudo, coisas de nova era (da informação), e poucos precisariam mais do que eu de uma boa rede de subsistência, nessa altura do campeonato. Só espero que meu time familiar não resolva trocar o técnico.

Até criei a GrutaNet, mas todo mundo encara o criador como o único que não necessita de socorro. Deve ser algum resquício de alguma má teologia, dessas que há por aí. Nesse caso, certos pastores e papas me vencem de goleada, pois nas redes deles, o criador (eles próprios) é o que se dá bem.

Enfim, melhor deixar a Casa de Windsor e seus casamentos amaldiçoados para lá e tratar de pensar sério no que (e como) colocar na mesa, nesse fim de semana e no restinho do ano e rezar (isso deve dar mais certo que orar) para que todos os meus credores sejam mais adeptos da ética protestante e descansem aos domingos.

Com muita hipocrisia, desejo tudo de bom para a Kate e o Will. Digo isso porque detesto todas essas diferenças que existem entre nossa raça e que insistimos em manter e piorar. No fim, acabo cuidando só da minha vida, como todo mundo, e nada melhora, nem a minha família e nem o resto do universo, como de todo, os ingleses também o fazem.

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