A Gruta do Lou

A Disciplina da Meditação

“A verdadeira contemplação não é um truque psicológico, mas uma graça teológica.”

Thomas Merton

 

Na Sociedade contemporânea nosso Adversário se especializa em três coisas: ruído, pressas e multidões. Se ele puder manter-nos ocupados com “grandeza” e “quantidade”, descansará satisfeito. O psiquiatra C. G. Jung observou, certa vez: “A pressa não é do diabo; ela é o diabo”.

Se esperamos ultrapassar as superficialidades de nossa cultura (incluindo a cultura religiosa) devemos estar dispostos a descer aos silêncios recriadores, ao mundo interior da contemplação. Em seus escritos, todos os mestres da meditação esforçam-se por despertar-nos para o fato de que o universo é muito maior do que imaginamos, que há vastas e inexploradas regiões interiores tão reais quanto o mundo físico que tão bem conhecemos. Falam das palpitantes possibilidades de nova vida e liberdade. Chamam-nos para a aventura, para sermos pioneiros nesta fronteira do Espírito. Embora possa soar estranho aos ouvidos modernos, não deveríamos envergonhar-nos de nos matricularmos como aprendizes na escola da oração contemplativa.

Frequentemente se indaga se é possível falar da meditação como sendo cristã. Não seria ela antes propriedade exclusiva das religiões orientais? Sempre que falo a um grupo sobre meditação como uma Disciplina Cristã clássica, há o inevitável franzir de sobrolhos. “Eu pensava que os adeptos da Meditação Transcendental fossem o grupo encarregado de lidar com a meditação”. “Não me venha dizer que vai nos dar um mantra para recitar”!

Que a meditação seja Palavra tão estranha aos ouvidos Cristianismo moderno é um lamentável comentário sobre o seu estado espiritual. A meditação sempre permaneceu clássica e central da devoção cristã, uma preparação decisiva para a obra de oração, e adjunto dessa obra. Sem dúvida, parte do surto de interesse pela meditação oriental se deve ao fato das igrejas terem abandonado o campo. Quão deprimente é, para um estudante universitário que busca conhecer o ensino cristão sobre a meditação, descobrir que há tão poucos mestres vivos da oração contemplativa e que quase todos os escritos sérios sobre o assunto têm sete séculos ou mais de idade. Não é de admirar que tal estudante se volte para o zen, par a yoga, ou para a meditação transcendental.

Richard Foster em “Celebração da Disciplina”.

3 thoughts on “A Disciplina da Meditação

    1. Não apenas silêncio, quase todas as disciplinas mencionadas pelo Foster são evitadas dentro dessa ideia ou justificativa. Uma pena, os caras tem um currículo, mas não tem a prática que poderia surpreendê-los, como surpresos ficaram os discípulos de Jesus quando ele acalmou a tempestade e os ventos fortes.

  1. Olá, 

    Muito legal este conteúdo! Tem tudo a ver com nossa proposta de trabalho. Somos um grupo de artesãos que desenvolvem objetos para ajudar no alívio do stress, na prática da meditação ou simplesmente no passatempo, como japamalas, masbahas e kombolóis. Gostaríamos de convidá-l@ para uma visita em nosso blog e em nossa página no Facebook: http://maosocupadas.blogspot.com

    Um abraço,
    Mãos Ocupadas

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