A Gruta do Lou

A chance de igualdade

“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.

E nisto dou o meu parecer; pois isto convém a vós que, desde o ano passado, começastes; e não foi só praticar, mas também querer.

Agora, porém, completai também o já começado, para que, assim como houve a prontidão de vontade, haja também o cumprimento, segundo o que tendes.

Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem.

Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão,

Mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade;

Como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos”.

2ª Cor 8:9 – 15

 

Chance de Igualdade
Chance de Igualdade


 

Ainda na década de setenta, no século passado, ouvi atentamente a explanação do Pr. Ari Velloso, lá na Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, sobre o que seria a Igreja Batista do Morumbi. Segundo ele, “evangelizar os ricos para alcançar o pobres“, em resumo.

Nessa época, estava em litígio comigo mesmo e com a igreja que frequentava, aprendia teologia e vivia com gente que, embora presas de alguma proposta teológica, abominava admiti-lo.

Gastei muito tempo do Pr. Paulo Moreira, lá nos meandros da Sepal até decidir-me mudar para a Igreja Batista do Morumbi. Ninguém insistiu muito para eu me mudar para lá, pois não era rico. A simpatia deu-se no âmbito ministerial, acho, pois era missionário/funcionário da Missão Portas Abertas, com passagens pela Cortina de Ferro e pela África  e isso não era de se desprezar. Você sabe, os ricos adoram bizarrices.

Enquanto estive lá, trilhei o caminho dos futuros pastores, se não me engano, participando de reuniões e treinamentos específicos, mas não cheguei a ir muito longe.

Minha maior obra lá, depois de dois anos como Diretor de Creches na Prefeitura da Cidade, foi dar início a um trem chamado GAS (Grupo de Ação Social) que, se não me engano, existe até hoje, sabe-se lá para que.

Ah, participei lá do grupo organizador de um dos maiores congressos missionários que já se fez em São Paulo, lá na Escola Luterana do Morumbi, ocasião em que o Guilherme Kerr e o Nelson Bomilcar lançaram o belo hino “De todas as Tribos”.

Depois disso, pedi carta para a Igreja Batista do Sumarezinho, para poder assumir uma congregação daquela Igreja, na Vila Madalena, sob orientação do Gatz, Deão da Faculdade Teológica, nesses tempos.

Com isso, me afastei da igreja dos ricos. Nessa altura, já havia sido limado da Portas Abertas, da Ação Social da Prefeitura, idem, e o interesse em minha pessoa diminuíra muito, mesmo porque, continuava pobre, embora escapasse dessa classificação, devido a um ego pró ricos.

Engraçado é que, nesse tempo, por outras razões, me tornei empresário, em paralelo ao trabalho nas congregações (depois da Vila Madalena, assumi outra, em Morro Grande, da Ig. Batista de Perdizes) e de uma bem sucedida carreira de professor de teologia em seminários de procedência duvidosa.

Com isso, minha situação financeira deu uma boa melhorada, durante a década de oitenta e até dava para ser aceito de volta lá no Morumbi, coisa que jamais pleiteei.

Que se saiba, a Igreja Batista do Morumbi segue sendo igreja de ricos até hoje. Certamente dirão que têm o GAS e que fazem muito em termos de ação social aos pobres.

O que não fazem é ler o texto acima a fim de não correr o risco de entender o que o imprudente apóstolo autor dessas palavras desejou comunicar de fato, ou seja, a tal “haja igualdade”, coisa que até os franceses perceberam, cristãos ou não. Imagino que se eles fizessem isso, das duas uma, ou seria a maior igreja evangélica do mundo, ou não haveria mais cristãos pobres em S. Paulo.

Vale a pena notar o fato de não ser a toa a localização de outras igrejas ricas em lugares estrategicamente ricos. A Assembleia de Deus, tradicionalmente formada por igrejas de cristãos pobres, de certo pastor adepto do deismo e da moda, edificou sua sede onde? No Morumbi, claro, afinal o Ari Velloso já havia dado a receita.

A região de maior renda per capita em São Paulo, por mais incrível que pareça, ainda não é e nunca foi o Morumbi, embora a renda lá esteja longe de ser desprezível.

A região de maior renda por cabeça, em São Paulo, é a Zona Oeste e não é a toa que os pastores integralistas tenham empenhado grandes esforços para consolidar-se ali. Ao lado deles, subsistem outras igrejas menos badaladas mas repletas de contas bancárias polpudas, entre seus membros.

Igualmente, nenhuma dessas igrejas pretende praticar esse trecho incomodo do texto Bíblico. Provavelmente, imaginam que algum Bispo do séc XVI implantou essa heresia em meio as palavras de Paulo, o apóstolo errante, ou coisa assim.

Na outra via de saída do coração de Cristo, estão os neopentecostais, com destaque para as Igrejas do Malafaia, Edir Macedo, Rene Terra Nova, R. R. Soares e um tal de Valdomiro. Esses não seguiram a receita do Velloso, que não tem nenhum parentesco com minha esposa, mas preferiram andar pelo método Avon, ou seja, enriquecer às custas dos pobres, ao invés de sugar os ricos, tarefa sempre mais árdua.

De qualquer forma, as duas vias estão tão longe do que preconiza a Bíblia nesse sentido, quanto o ocidente dista do oriente. Digo isso com grande peso no meu intimo.

Eis então, que todos esses caras surgem com as tais teologias socializadas e psicologizadas. Suas teologias, integralistas ou desintegralistas, visam camuflar suas verdadeiras intenções, completamente opostas à insana crença preconizada por Cristo, de fazer-se pobre para enriquecer a muitos. 

Sse bem que Ele não se referia propriamente às questões materiais, embora elas estivessem inclusas, a meu ver. O amor ao dinheiro sempre foi a raiz de todos os males e nós vivemos pedindo a Deus para nos dar mais dele.

Em alguns casos, como o meu, o Criador ouve e atende as nossas orações, nos livra do mal, mantendo-nos, prudentemente, pobres, para que sejamos verdadeiramente ricos, uma equação que essa gente toda, com os quais andei e não me considero um milímetro mais digno, jamais compreenderão.

O problema é que, a priori, nenhum de nós sabia o quanto doeria ser rico segundo o modelo do filho unido de Deus. Se soubéssemos, dificilmente faríamos opção por tal disparate. Talvez esse tenha sido o argumento que produziu esses nossos amigos do Morumbi e nda Zona Oeste paulistana.

No caso de Sorocaba, onde tenho vivido desde 1999, convivi com a imensa tentação de implantar a minha igreja batista, certamente no Campolim ou em Santa Rosália, as zonas nobres (significa o mesmo que ricas) da cidade, mas não caí nela, talvez por falta de oportunidade. Acho que também sou um  hipócrita enrustido, sei lá.

Enquanto isso, seguimos sem entender nada. De um lado, os capitalistas insistindo na livre iniciativa e do outro, os comunistas tentando enfiar goela abaixo a propostas marxista da revolução do proletariado. As duas fadadas a nos levar, cada vez mais longe da vontade divina, com o apoio dos nossos pastores. Enquanto isso, estamos perdendo a nossa única Chance de Igualdade.

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