A Gruta do Lou

A casa do Rei

 

O Rei O Rei

Quando comecei a Gruta, imaginei um lugar onde o Rei viesse habitar, como fez Davi, na Caverna de Adulão, mesmo que fosse em rota de fuga, já que os senhores pós modernos não estão muito interessados em alguém com idéias tão exóticas. Em meus delírios de crer, me ocorreu que, se havia um lugar onde ele gostaria de habitar, esse lugar era uma boa Gruta.

Bom, penso que Jesus é aquele que se auto-declarou Filho de Deus, pão da vida, a verdade e todas aquelas bobagens que me encantaram desde a primeira vez que vi ou ouvi os evangelhos. E olha que foram os padres católicos os primeiros a me informar a respeito desse rebelde simpático.

Assim, inocentemente e precipitadamente, como bem detectou o Brabo (que anda muito brabo com as pérolas do ENEN), vim para cá, sentei sob as estalactites e pus-me a esperar o Rei. Enquanto isso, os outros grutenses foram chegando e agora formamos um grupo até legal, que anda despertando a curiosidade no quadrante terráqueo e, espero, não seja só pela nossa quase bizarrice.

Entretanto, todos começam a perguntar: E o Rei? Já dei um monte de desculpas esfarrafadas e ando sem criatividade para outras. A verdade é que não faço idéia do por que dele não vir para a Gruta, afinal esse seria o lugar dele, como sempre imaginei. Ele nasceu numa gruta e foi enterrado em uma gruta. Ninguém gosta mais de grutas do que ele, penso. A menos que o ego dele o tenha traido, como faz o nosso conosco. Pessoal fica cantando “Deus está aqui”, nessas igrejas ricas da zona oeste ou do Morumbí e, de repente, ele gostou e achou melhor nos ignorar. Pelo menos é o que pessoal dessas igrejas pensa. Sem falar nos ortodoxos eleitos que pensam que Deus (filho) e a vida eterna é só deles.

Alguém dirá: Ah! Mas ele ressuscitou e libertou os cativos do inferno e com eles foi morar nesses lugares mais arejados, com boa música e músicos que andam de quatro pelo palco ou fazem lindas músicas de protesto contra a desigualdade e depois voltam para suas mansões em seus carrões da hora. Nada contra os carrões e as mansões. Se tivesse grana, faria o mesmo . Seria ótimo ver a Dedé mandando em um monte de mucambas. Agora, não perca seu tempo com esse argumento tolo. Se Jesus ressuscitou, não esqueça que ele teve o bom senso de evaporar daqui e voltar ao lugar dele ao lado do Pai, onde ele estaria muito melhor do que em qualquer gruta dessa vida bandida. Prometeu voltar, mas não deve estar muito animado com a idéia. No entanto, essa história não se sustenta. Ele anda por aí, mesmo. Só evita as grutas.

Quem desejar encontrar o Rei, o endereço é para os lados da Zona Oeste ou do Morumbi, em São Paulo. Pelo menos eles juram que o Rei está lá, todos os domingos. Na Gruta só há endividados, tristes, maltrapilhos e toda essa gente que o Rei prefere evitar. Se não for isso, que ele venha nos provar o contrário. Mas faça-o rápido porque nossa paciência (leia: saúde, dinheiro, etc.) anda no limite. Saberemos ser gratos.

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3 thoughts on “A casa do Rei

  1. Lou, o buraco é mais fundo do que você pensa. Pegue um ônibus e venha aqui em casa se explicar pro Sibelius, porque ele veio com essa pergunta, à respeito de Jesus: Bete, e se tudo não passou de um sonho? E eu, pra variar, fiquei sem resposta.

    Essa é fácil. A decisão precisa ser consciente, não emocional e muito menos dogmática. No caso dessas decisões construídas sobre a areia, em algum tempo a razão aparecerá mostrando as falácias, as incoerências e as mentiras. Por que não podemos optar pela religião de nossa preferência e viver pelos pressupostos dela por vontade própria?

  2. Pingback: Lou Mello

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