A Gruta do Lou

A Cabana (As férias de um grutense)

A Cabana
A Cabana

Os leitores mais atentos devem ter notado a mudança quando chamei a casa do Chico, em Toque-Toque-Pequeno, de cabana. Alguns podem ter pensado algo como: La vem o Lou com suas conversas de perdedor. Acontece que, de fato, a casa do Chico é mesmo uma cabana. Nós também ficamos surpresos quando chegamos. Na verdade houve até umas expressões do tipo: Aqui eu não fico, vamos voltar para Sorocaba, já! Ou, isso aí deve estar cheio de aranhas e escorpiões, não entro nesse negócio, nem que me paguem.Eram seis horas da tarde e estavamos cansados.

A viagem deveria ter durado umas três horas, no máximo, mas devido às oito paradas forçadas pelos senhores policiais das estradas que não gostaram do “Vote em…” nas cores brancas e amarelas e, a cada parada a constatação de que minha carteira de motorista estava vencida (embora eu tenha um prazo de trinta dias para renová-la), ela durou seis horas. A salvação da lavoura foi o Thomas. Ele decidiu salvar a família, mas nos assustou. Na primeira parada forçada, o policial estava com aquela atitude de quem ia embaçar nossa viagem de forma irredutivel, então nosso super Tho gritou: “Pai, me leva para o hospítal que estou passando mal”. O policial correu e olhou para dentro do carro. Quando viu o Thomas com mais atenção, perguntou: O que ele tem? Respondi: Ele é um cardiopata. O homem pegou nossos documentos e disse: o senhor pode ir embora e explicou como chegar ao hospital mais próximo.

Entrei no carro e sai a toda. Então o Thomas disse: “Pai, eu não estou sentido nada, disse aquilo para ajudá-lo a se livrar do policial”. Caímos todos na risada. E foi assim em todas as outras paradas forçadas pela polícia, exceto na última, quando o policial achou que eu era comunista e estava fazendo apologia contra as eleições, por sugerir que as pessoas não votassem em ninguém. Ele disse que eu era contra a democracia e eu pedi para ele definir o termo. Achei que ele iria me prender. O que nos livrou desse idiota foi o Maluf. Bem de perto, ainda dava para ler o nome dele que ficou marcado na lataria do carro. Nem o removedor que usei deu conta da apagar esse nome nefasto. Mas isso livrou-nos daquele imbecil. Tudo tem sua utilidade.

Portanto, eu não estava com disposição de enfrentar tudo isso de novo, pelo menos não no mesmo dia. Enquanto discutiamos nossa situação, um monte de gente aproximou-se do nosso carro. Eram os vizinhos. Ao lado da cabana, há uma casa enorme de uma família muito abastada. O proprietário é o Tufik, um filho de libaneses, dono de uma confecção no Bom Retiro, em São Paulo. A família sabia (avisados pelo Chico) que iriamos para a cabana e estavam à nossa espera. Ficamos atônitos. Eles tinham lanche preparado para nós e soltaram rojões. Nunca ví nada igual em minha homenagem. Durante o lanche, eles nos animaram em relação à cabana. D. Yara, esposa do Tufik, tranquilizou as mulheres de minha família (talvez os homens também) que nunca apareceu aranhas ou escorpiões na cabana, e mais, nos convenceram que a cabana era o máximo e que todas as pessoas que a habitaram, adoraram a experiência. A cabana é rústica, mas poética, disse ela. Vocês nunca mais esquecerão essa experiência.

O Tufik me levou lá para conhecer. Entramos e ele acendeu o primeiro lampião ( não hã luz elétrica na cabana ) e depois os outros. A cabana tem sala, um quarto, cozinha e um banheiro (casa de banho). Cada dependência tem um lampião. Eles são movidos a gaz e iluminam tanto ou mais que uma lâmpada elétrica. A dificuldade ficou por conta do banho frio. Mas com esse calor que está fazendo, não foi um grande problema. A cabana tem água encanada. Assim, concordamos em ficar, embora ainda desconfiados. O Tufik e D. Yara nos desafiaram (A Dedé e eu) para uma partida de buraco. Como bom libanês, ele propôs que quem perdesse pagaria o almoço de sábado. Essa foi a razão principal de eu ter ido a Caraguatatuba ontém: comprar peixe para pagar o almoço que perdemos para eles, naquela maldita partida de buraco.

Enquanto estive em Caragua, minha esposa explicou a D. Yara que eu não voltaria logo, pois iria procurar uma Lan House para blogar, certamente. A turca não disse nada, mas o Tufik me chamou, assim que voltei, e me mostrou seu Notebook conectado à Internet via Banda Larga de rádio que ele mantém lá. Estou escrevendo esse post, usando os meios do Tufik, enquanto as mulheres estão preparando a bóia. D. Yara assuntou com a Dedé o que fazer para o almoço (só aceitamos jogar buraco ontem à noite se não estivesse em jogo o almoço de hoje, mas eles jã tinham decidido que seria por conta deles) e resolveram fazer tudo à moda árabe. O cheiro está me hipnotizando. Imagino que darei vexame de tanto comer, daqui a pouco. Sem falar na cerveja geladíssima que o Tufik não deixa faltar em meu copo.

Além da família do Tufik, há uma outra família (um casal com os dois filhos e as respectivas namoradas), na casa deles. O ambiente está ótimo com muitos jovens, boas risadas e todo mundo feliz. Pena que não para de chover. Fomos à praia só para caminhar, ontem e hoje de manhã. O mar está bravo e cheio de águas vivas. Só deu para tomar meia dúzia de caipirinhas de vodka e voltar para casa, digo cabana.

Hoje, nos pegamos pensando como seria bom viver nessa cabana, nesse lugar e com gente tão boa por perto, o resto da vida. Se Deus existisse mesmo, Ele bem poderia nos dar esse presente. Melhor eu ficar na minha. Se ficar elogiando muito, no ano que vem os caras protegidos do Pai de Jesus estarão aqui enquanto eu ficarei lambendo os beiços. Sem falar na aparelhagem do Tufik, ele acrescentou que poderia colocar um roteador e mandar o sinal para nós, se vivêssemos ali. Eles acham que o Chico não pensaria duas vezes em nos ceder a cabana. Para trás de mim satanás!

Sairemos daqui, hoje, às 18 horas. Pretendemos fazer a viagem de volta à noite, para evitar os policiais. A molecada conseguiu remover o resto das letras do carro e isso ajudará, também.

Quem disse que sonhar não é bom?

5 thoughts on “A Cabana (As férias de um grutense)

  1. Uau!!!
    E quem disse que o TodoPoderoso faz algo pela metade???Que bom que deu tudo maravilhosamente certo!!!
    També tive boas experiências neste fds, mas ainda não estou em condições de parar para escrever… a saudade da filhota está doendo mais do que das últimas vezes.
    Boa viagem de volta pra vocês!

  2. Deliciosamente hilaria essa crônica das férias Hahahah.

    Caipirosca é realmente mt bom (caipirinha de vodka)!! =]

    E uns amigos meus que foram a Caraguatatuba uma vez no verão, voltaram dizendo:

    “Caraguatachuuuuva…”

    =]

    abraço’s

  3. Pingback: Lou Mello
  4. Olá! Adorei essa cabana, gostaria de saber quem projeta e faz coisas do tipo no estado de SP. Poderia indicar? Abraços

    Dennis
    Não faço idéia. Esse texto é uma ficção e a foto foi clonada no Google imagens. Também gostei muito e se tivesse chance, mandaria construir uma com base nessa foto. Mas no litoral, não deve ser dificil encontrar alguém para tanto.

  5. Papagaio,Lou!Bonito,heim?Então isso é uma ficcção!E eu de bobeira aqui torcendo que nem tonta por vocês?!Mas tá bom!Tomara que tenham tirado uns dias de férias mesmo!

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