A Bienal anual do livro.

Ontem, à revelia do meu pessoal, tentei ir à Bienal do livro. Eles não gostam por que criei a fama de quem nunca resiste à tentação de comprar um bom livro, especialmente dos estoques das bacias das almas nos estandes das editoras. Consegui coisas boas, nessas bienais.
“Cria fama, deita-te na cama”, frase que acabo de cunhar.

Rodei em torno daquela coisa monstruosa e sinistra chamada Palácio das Convenções do Anhembi, durante quase uma hora. Aquilo parece mais com aqueles estádios ridículos que serviram para palco das Olimpíadas de Pequim. Além disso, tenho recordações ruins daquele lugar, pois era lá que meu pai me levava quando as vacas estavam magras, para trabalhar duro na montagem de alguma feira da hora. Sem falar na minha barraca de comidas, ao lado do monstro, na Feira de Artesanato, em certa ocasião, nos idos de oitenta.

Era muito legal quando a Bienal do Livro acontecia no prédio da Bienal, no Ibirapuera. Tenho particular apreço por aquele prédio e pelo Ibirapuera como um todo, certamente, uma das mais importantes obras do Niemayer. Talvez mais até do que Brasília, pelo menos ali, não se peca tanto, desde que a prefeitura foi sabiamente retirada de lá. Sem falar nos momentos únicos que experimentei nesse parque. Quem inventou a Bienal do Livro pensou nesse prédio, certamente.

Fui direto à entrada do estacionamento principal e estava bloqueada sem explicações. Suspeitei que era devido à lotação do espaço. Então fiz como todo mundo e fui circundando o lugar. Na parte de trás, na Av. Marginal, havia uma entrada aberta, com uma fila de fazer banco corar. O estacionamento do Anhembi é grande, muito grande. Não conheço maior, e estava lotado. Por um segundo vislumbrei em minha mente o interior daquela joça, mais parecendo uma igreja universal e percebi a minha melhor opção, sair da fila e seguir enfrente, direto para Sorocaba.

Não sei quantos Borges e Nietzsches mais acabei perdendo, com essa minha atitude tresloucada. Talvez até uns menos badalados Mannings ou Rubem Alves, sei lá. Faz tempo que me furtaram esse prazer. Acho que desde quando tiraram a Bienal do prédio original. Nem sei se a bienal ocorre a cada dois anos, pois todos os anos parece haver uma, pelo menos de livros. Além dos livros, andar por aqueles corredores tortuosos ao melhor estilo Oscar, em meio a editoras e livros, alguns até com lançamentos bizarros, como acabei presenciando certa vez, do Jô Soares, ou seja, encontrar pessoas conhecidas, afinal quase todo mundo tem um fraco com livros. Alguns encontros eram festejados e outros passavam por mim, furtivamente. Nem assim, perdiam a importância. Orgulhava-me de estar ali e ser encontrado. Aquilo dava prazer.

Mas desta vez, de novo, não consegui entrar na Bienal anual do Livro, mais um grande acontecimento que se apequenou com seu crescimento.