A Gruta do Lou

A beleza do outro mais a nossa resulta em um contraponto

 

Abelezadooutro


Esse título é uma bela frase do Rubem Alves, aliás, ele é mestre em cunhá-las. (“Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto”).

Caro Isaac:

Quanto ao trabalho com as crianças, sempre há muito a fazer para melhorar a entrada de recursos necessários. As Igrejas são instituições caríssimas e, cada vez mais, raras são as que dispõem alguma coisa para fora de seus próprios orçamentos. Feliz aquele que consegue algo assim, acho que só quem tem muita latinha de refrigerante usada para dar em troca.

No Brasil, há uma tendência em iniciar os empreendimentos ao contrário, ou seja, o pessoal começa angariando necessitados para depois começar a pensar em angariar os recursos. Entendo isso, apesar de ser equivocado, afinal somos de tradição cristã e temos o péssimo hábito de acreditar que socorrer as criancinhas, os pobres, os doentes, os velhinhos, enfim toda a corja de desvalidos, seja a nossa missão, portanto, a vontade de Deus.

Jesus, com aquela rebeldia toda, deixou os discípulos com cara de boi quando disse que atender os pobres não era o mais importante, afinal eles sempre estariam conosco, mesmo. No meu caso, o pobre parece estar dentro de mim.

Faz tempo que deixei de aconselhar ou sugerir que as pessoas se metessem nesse tipo de aventura. Sempre que dá faço o contrário, ou seja, desencorajo. Enfim, sempre há um remanescente teimoso que não me dá ouvidos e cria essas organizações estranhas chamadas ONGs, cujo significado é organização não governamental. Aí, a primeira coisa que fazem é uma eterna e duradoura parceria com quem? Sim, ele mesmo, o governo.

Quando entro em uma dessas organizações e fico sabendo que eles recebem dinheiro do governo para seus projetos, minha vontade é nem aceitar o cafezinho e rapar fora na primeira oportunidade que o anfitrião me der.

Meu princípio nesse caso é: gente ajuda gente. Sei que seria lindo receber dinheiro dos escandinavos. Nossa, como eu gosto de conhecer uma instituição que recebe dinheiro de tão longe. Fico imaginando os captadores de recursos da Finlândia, Suécia, Dinamarca, etc., fazendo apresentações em Power Point demonstrando toda a nossa miséria, como tratamos mal as nossas criancinhas, e todos os outros párias brasileiros, enquanto tratamos de defender os homossexuais, coitados, tão discriminados, sobretudo pela igreja, que fica chamando-os de encapetados.

Meu, tenho uma péssima notícia para você. Cálculos muito bem realizados, usando a boa e velha aritmética, dão conta que nós (os nascidos entre o Oiapoque e o Chui) temos o potencial doador necessário para suprir essas carências e ainda sobrariam milhares de cestos cheios.

A vantagem é que não seria necessário expor nossas vergonhas para fora de nossas fronteiras, sem falar que os captadores de recursos escandinavos adoram o fato de poderem fazer esse tipo de propaganda, pois, não fosse a nossa miséria, eles estariam desempregados, pois lá o governo deles faz o trabalho que precisa ser feito e eles não têm esses problemas primitivos.

Para iniciar um trabalho sério de captação de recursos, o alvo jamais seriam as instituições (igrejas, empresas e o maldito governo), mas as pessoas físicas. É preciso, antes de mais nada, o bom e velho “investimento”. Se não tiverem nada, a primeira coisa, digo, grana a buscar seria essa. Sem dinheiro, vocês só conseguirão fazer a “Tarde do Cachorro Quente, a Noite da Pizza e o Sábado do Sorvete, que pode até ser gostoso, mas só dá prejuízo.

No fim, a única saída é deixar aquele irmão que trabalha na prefeitura entrar com um projeto lá e sucumbir ao diabo como fazem todos os outros. No mundo todo, começando pelos países do primeiro mundo, os melhores doadores são as pessoas. As instituições ficam sempre no fim da fila, nesse quesito. Ah, nos países escandinavos, principalmente. Acredita? Olha que eles fazem estatísticas confiáveis disso, todos os anos.

O que fazer? Meu mentor para assuntos de “captação de recursos”, – na verdade essa denominação é equivocada, pois deveria ser “captador de pessoas”, – o Dr. Dale Kietzman deixou bem claro para mim o seguinte: Muitos virão em meu nome tentando convencê-lo do contrário, mas não dê ouvidos a eles nunca, a única coisa a fazer nesse sentido é… tchan tchan tcham tam…

MALA DIRETA, sim, ela mesmo. Estamos observando o E-mail direto, mas, por enquanto, ele tem se mostrado interessante na divulgação, mas seu poder de fogo em termos de retorno em forma de doações ainda está bem abaixo da velhinha Mala Direta.

Agora, Mala Direta, por mais incrível que possa parecer, é uma ciência. Pior, uma ciência que ainda não é ensinada em escolas, graças a Deus. A gente aprende aos pés do Mestre, na base do discipulado, andando pela praça enquanto saboreamos um sorvete, em reuniões de poucos participantes (dois ou três) e vai por aí. E não se iluda, o conteúdo da matéria é grande e será necessário muito tempo para conseguir absorvê-lo.

Por isso, é preciso encontrar alguém competente para orientar isso. Então, você me perguntaria: E agora, quem poderá nos ajudar? Manual de Captação de Recursos que você faz download aí pela Internet, com pagamento via Cartão Internacional é que não será.

O Chapolin Colorado, claro, seria a resposta mais a mão. A menos que você me veja como o personagem vermelhinho do Roberto Bolaños, o Chapolim com toda a simpatia dele, não seria a escolha certa, mesmo por que, nessa altura, ele está bem mais perto de passar dessa para melhor do que eu.

Então, devo ser a melhor escolha. O pior é que não conheço outro que possa indicar. Conheço gente com a competência mecânica, mas sem moral que as dignifique, então não dá, certo? Tem o pessoal da ABEMD, mas eles faltaram nas aulas sobre como fazer mala direta para projetos sem fins lucrativos, ou cabularam, afinal quem quer trabalhar com essas espeluncas, exceto o Fábio Adiron, claro, que é fera, mas é sério e não tem muito tempo a perder com ONGs?

Quero ver agora, você vir me dizer que escreve E-mails grandes. Bellaroba.

Bom, Isaac, como diria o mano Woody Allen: “Estranho, lá em casa, pecado é comprar no varejo”. Então honre seu nome, no mínimo.

Um abraço

Lou Mello

OPS: Esse post é uma das etapas de uma troca de E-mails que fiz com um leitor (pelo menos uns 97%) e achei que seria interessante compartilhar com a malta toda.


Capricornio PB


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