A Gruta do Lou

Grão de Mostarda, fé e milagres

Eu acredito em milagres.
Durante muito tempo, quem acessava meu site de negócios podia ler essa frase impressa ali. Foi influência do Gerald G. Jampolsky.

Na verdade minha história com milagres começou muito tempo antes de conhecer esse senhor. Esse tema sempre me desafiou. Eu lia e relia o Novo Testamento ficando encantando com os trechos onde os milagres eram narrados. Ali a maioria dos milagres tem Jesus como protagonista.

O maior impacto em minha pessoa, deu-se a partir de uma afirmação do Mestre. Ele expulsou o demônio de um menino que seus discípulos não haviam conseguido fazer. Ai eles perguntaram por que não haviam conseguido. Jesus respondeu: “Porque a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: “Vá daqui para lá e ele irá.” Nada lhes será impossível Mt. 17:19 – 20.

A partir daí resolvi usar minha fé grão de mostarda e realizar todos os tipos de milagres. Começando por milagres iguais aos praticados por Jesus e seus discípulos e outros modernos e pós-modernos.

Para começar, passei a desmanchar trabalhos de macumbas pelas ruas por onde eu passava. Nos tempos de Faculdade Teológica, todas as noites atravessava boa parte do Pacaembu, um dos bairros mais nobres de São Paulo, para encontrar a Dedé. Neste trajeto, especialmente em algumas sextas-feiras, havia desses trabalhos em profusão e eu aproveitava para exercitar. Estraguei vários pares de sapatos nesta atividade.

Depois comecei a fazer outros milagres. Na verdade, fui ficando um compulsivo fazedor de milagres. Não perdia uma oportunidade para curar um cego ou um surdo. Já narrei, em outra postagem, a vez em que curei a cegueira de uma pessoa surda. Mas isso não foi nada. Uma vez, estava em uma reunião de oração na casa de uma irmã da Igreja (adoro essas reuniões) e, como eu era a pessoa que acreditava em milagres, a direção dos trabalhos ficava a meu critério. Havia um irmão que fora vítima de acidente, onde teve sua coluna vertebral fraturada, e só conseguia locomover-se com ajuda de muletas e aparelho ortopédico nas pernas. Não funcionava nada abaixo da cintura. Então, uma noite, ouvi Deus me dizer para fazer o milagre na vida dele. Caminhei na direção dele, com minhas escudeiras a meu lado. Pude ouvir o murmúrio geral. A reunião era muito concorrida. Afinal, havia um idiota que acreditava em milagres lá. Cheguei na frente do homem e sem delongas, no melhor estilo de Jesus, ordenei: “Irmão Fulano, em nome do Senhor Jesus Cristo, levanta e anda.” Virei as costas e sai dali.

Um dos milagres mais concorridos pelos milagreiros, sem dúvida, é ressuscitar mortos. Quando estive na África do Sul, visitei uma missão dirigida por um missionário alemão chamado Arno Stiegel. Lá me apresentaram uma moça que fora ressuscitada. Fiquei muito excitado. Fiz com que me contassem todos os detalhes do processo. Voltei de lá decidido a ressuscitar mortos. Interessante, é que nessa época as mortes pararam à minha volta. Ninguém morria mais. Um pastor, meu amigo lá de Avaré, me disse que quando vai dirigir um enterro, não deixa de orar pela ressurreição do defunto. Sou fã desse cara.

Ai nosso pastor morreu. Quando cheguei na Igreja, onde o corpo estava sendo velado, encontrei o pastor Neto. Ele estava me esperando na porta. Logo imaginei porque, ressuscitar o homem. Mas, ao contrário, ele foi logo me dizendo: “Lou, é melhor você não fazer o que está pensando, pelo menos respeite a família.” Já pensaram? Alguém dizer a Jesus, no monte das Oliveiras, “Venha a minha casa, mas, por favor, não faça nenhum milagre lá, respeite minha família.” Tinha imaginado fazer uma ressurreição igual a de Elias. Deitar em cima do morto e deixar a vida passar para ele. Já imaginaram o impacto. Um milagre desses com uma quinhentas testemunhas. Mas, não houve jeito, fui impedido até que o caixão estivesse bem lacradinho, a sete palmos do solo.

Elias é um dos meus preferidos. Meu coro predileto é aquele: “Elias orou e fogo desceu.” Quando o oficial de justiça veio buscar meu carro, cheguei perto dele e olhei para o céu, intimamente orei, “Senhor queima esse indivíduo, agora, em nome de Jesus.” Outra parte do coro legal é: “Josué orou e sol parou.” Em dias como hoje, com esse monte de contas atrasadas para pagar, a primeira coisa que faço, ao levantar é ordenar ao sol que pare. Vocês não sentem certo balanço no planeta, às vezes? Então, sou eu parando o tempo.

Em dias de tempestade, ninguém me segura. Vou para o meio da tormenta e ordeno aos ventos que cessem e à chuva que pare.

Tudo isso, porque eu creio em milagres. Já faço milagres há uns vinte e cinco anos. Com o tempo, as pessoas foram parando de me convidar para visitar doentes, participar de reuniões de oração, etc. devido à essa compulsão por fazer milagres. Gozado né? Descobri que as pessoas não gostam de milagres. Chegam a temê-los. Isso me lembra uma piada, já meio gasta, de um brasileiro que viajou para Israel com a família. Lá, sua sogra veio a falecer de ataque do coração. O homem gastou uma nota para encomendar o translado do corpo para o Brasil. Quando o funcionário da funerária lhe perguntou para que gastar tanto com o corpo da sogra, ele respondeu sem titubear: Vocês tem fama de ressuscitar mortos por aqui, melhor levar para o Brasil onde ninguém acredita nisso.

Nunca fiquei sabendo se meus milagres lograram sucesso. Prefiro não saber. Se deram certo, isso poderia me ensoberbecer. Caso contrário, ficaria frustrado. Quando faço um milagre, viro e vou embora.

Meu amigo creia em milagres. Jesus disse se tivéssemos fé do tamanho de um grão de mostarda, faríamos coisas tremendas como mudar morros de lugar. Eu nem vou a lugares montanhosos para não cair em tentação de ficar mudando-os de lugar. Então, seguirei fazendo milagres. Como Jesus, não sou capaz de faze-los a meu favor, por questões éticas, claro. Se você precisar de um milagre, não precisa me chamar, faça você mesmo. Ou você não tem fé, ainda que seja só um pouquinho?

5 thoughts on “

  1. HauAHUAhAUa

    Lou, esse foi um dos textos mais engraçados que li. Muito bom mesmo.

    Hã, o quê? Não era pra ser engraçado? Desculpe.

    O quê? É sério?

    Puxa!

    Ave Lou, ave!
    # posted by Hernan : 8/23/2006 5:07 PM

  2. Olá Lou, ler o teu texto tranquilizou-me…….. pode ser que um dia te explique… um abraço e Deus te continue a abençoar, como se nota!
    # posted by Paula : 8/24/2006 12:18 PM

  3. Pingback: Lou Mello
  4. Eu vou a partir de agora declarar que todos aqui serão milionários.

    No entanto, ao contrário do fazedor de milagres peço que retornem caso dê certo, de preferência com os 10%.

    Boa idéia!

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