A Gruta do Lou

Síndrome de Portas Abertas

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 Meg Ryan

Thomas: Se você sentiu tocado por Deus em participar na causa Thomas, clique no link Coração Valente e vá em frente. Dia 6 de novembro ele precisará passar por uma etapa importante em seu tratamento.

Muitos anos atrás, assisti um filme (A Dream Makers – não achei um link legal dele) estrelado pelo ator James Franciscus, cujo enredo tratava da história de um professor universitário que deixa a cátedra para trabalhar com um amigo em uma grande gravadora de discos, onde se torna famoso, badalado e ganhando muito dinheiro. Lá pelas tantas, o amigo é dispensado por falcatruas e ele junto. Depois disso ele passa o tempo todo tentando encontrar a mesma situação que desfrutava na gravadora, mas isso nunca mais acontece. A ironia é que, o tempo todo, o reitor de sua antiga universidade lhe oferece o cargo de professor de volta, várias vezes, e ele rejeita sempre. A certa altura, um dos caras que ele conheceu na gravadora arruma um emprego pare ele em uma gravadora de quinta. Ele pensa que vai arrebentar, mas logo o dono do negócio avisa que ele só está lá porque o amigo comum pediu e que ele deve ficar lá sem incomodar tentando mudar as coisas ali. No fim ele acaba dirigindo um taxi e, uma bela noite, é assassinado por um ladrão. A história de vida do ator acabou coincidindo, em parte, com esse enredo. Ele faleceu aos cinquenta e sete anos de enfisema.

Ultimamente, sem nenhuma perspectiva, ando pensando em agarrar qualquer coisa capaz de gerar alguma receita para o nosso sustento. Na minha idade, as opções não são muitas. Não posso me dar ao luxo de satisfazer caprichos. Preciso de dinheiro para pagar as contas básicas e manter um teto digno sobre nossas cabeças. Como sou um bom motorista (condutor) ocorreu-me adquirir as licenças necessárias e encarar o trabalho de motorista de táxi. Então lembrei do filme do James Franciscus e várias lembranças vieram à tona.

Em 1980, estava trabalhando em minha profissão de professor de Educação Física. Dava muitas aulas na semana, em três escolas e era professor contratado pela Prefeitura de São Paulo, para atuar no Centro de Esportes do Ibirapuera. Um amigo, o Carlos Ziempiersky, me apresentou o Dr. Dale W. Kietzman e ele me convidou para trabalhar na Missão Portas Abertas. A anta do Jakobina tinha aprontado a maior salada lá e a Diretoria (Rolnei Augustini, Paulo Amoreiras Filho, Carlos Trandini, Losmar Vago, Gamaliel Carreta, e outros menos expressivos) acharam que o Ziempiersky e eu, com nossa experiência internacional, poderíamos apaziguar os ânimos sem que fosse necessário dispensar a anta. O cara que ele prejudicou (o Doisberto) saiu da missão, da igreja e do meio cristão para nunca mais voltar, escandalizado com tudo aquilo, segundo atestou o Pastor Gary Nervoso, da Igreja Batista do Panambí.

A principio, aceitei trabalhar meio período na Missão. Não tinha nem ideia do que poderia fazer por lá. Mas o Dale Kietzmann (era o vice da missão para a América Latina) veio e definiu as nossas funções: o Jakobina na administração (o cara era um ex-mecânico), o Ziempiersky em pesquisa e eu em desenvolvimento. Solicitou-me tempo integral e tive que abandonar todas as minhas aulas e meu cargo na prefeitura. Não tinha ideia do que significava a minha função, mas o Dale me deu um baita treinamento e eu fiquei bom no negócio. Levei a Missão de meros 50 contribuintes a mais de 1500, em pouco mais de dois anos, apesar de ter o Jakobina no meu pé, sempre fazendo intrigas e tentando arrumar um jeito de me tirar da Missão. Ele tinha medo que descobrissem o quanto eu trabalhava e alcançava resultados e temia que o mandassem embora, porque não contribuía com quase nada.

Meu salário era calculado em dólares. Era registrado e tinha todos os direitos. Coloquei a vida financeira em ordem e passamos a viver razoavelmente bem. Se não dava para ficar rico, o emprego me tornou muito conhecido e respeitado no meio evangélico, pois parte de meu trabalho consistia em visitar igrejas representando a Missão. Em média, eu visitava 115 igrejas por ano.

Mas tudo isso acabou quando, não sei com qual argumento, o Jakobina finalmente convenceu a diretoria e o Dale Kietzman em me dispensar. Pimba, fui para o olho da rua. Imaginem, um missionário despedido, sem lenço e sem documento. Tentei convencer o Dale que eu era o cara que trabalhava e o Jakobina  o cara que atrapalhava e ele me respondeu que era melhor eu sair pois conseguiria outro emprego rapidamente, com minha capacidade, enquanto a figura não tinha competência e ficaria na rua da amargura.

Nunca mais encontrei esse trabalho ideal, que me completasse na vida profissional e espiritual, ao mesmo tempo. Sinto que sempre o estive procurando. Depois da Portas Abertas ainda tive bons momentos com um negócio próprio que acabou nos tempos dos Planos Econômicos. Em 1987 estive nos EUA. Conversei por telefone com o Ed Netland (estava ocupando o cargo de manager da Thomas Nelson Publishers, ele que fora o presidente executivo da Portas Abertas quando estive lá) e me disse: Luiz, somos sobreviventes da Portas Abertas. Agora temos que agarrar o que aparecer e fazer de conta que é tão bom quanto a Missão era. Liguei para o Dale Kietzman, também, ele estava trabalhando como presidente executivo da Cruzada Mundial de Literatura e disse-me: Luiz estou aqui na CML. Não é nenhuma Portas Abertas mas, em minha idade, até que está muito bom.

O que seguiu a tudo isso foi uma tentativa quixotesca de atuar como consultor de ONGs e, tentar de forma infrutífera, transformar algumas dessas espeluncas nacionais (salvo exceções) em algo parecido com uma Portas Abertas.

Agora estou nesse dilema: ficar sem fazer nada e deixar a casa cair ou encarar um taxi. No fundo do meu coração, queria encontrar uma outra Portas Abertas.

Ops: Alguns nomes foram modificados para preservar os artistas. Mas a história é real.

lousign

15 thoughts on “Síndrome de Portas Abertas

  1. Lou, se virar taxista, posso passear em Sorocaba de graça? afinal nao conheço a cidade…
    🙂
    lindo post e as questões são fortes…
    afinal, quando não estamos, nem que seja só um pouco, desorientados? neste mundo, não é difícil estar assim…
    beijos,
    alê

  2. Alê
    Se eu fosse um motorista de taxi, sem dúvida vocês teriam passeios “free” garantidos, em Sorocaba. Entretanto, não tenho a humildade do personagem do James Franciscus para tanto.

  3. Nestes últimos dias, Deus tem falado muito sobre NÃO DESISTIRMOS DOS NOSSOS SONHOS. Foi Ele Quem nos ensinou a sonhar alto. Acredito que, se amamos Deus, o nosso coração estará em sintonia com o dEle e nos “dará os desejos do nosso coração”. Não há nada nem ninguém que possa impedir o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, o Deus Todo-Poderoso. Entretanto, “tudo quanto te vier à mão para fazer, fá-lo segundo as tuas forças…”
    Deus te abençõe! Fico a orar!
    Fica bem

  4. Paz Lou!

    “Levei a Missão de meros 50 contribuintes a mais de 1500, em pouco mais de dois anos”… Uau!!! Você ja enviou seu currículo para estas “ONGs espeluncas nacionais”. Acho que seria contratado na hora!!!

    Sucesso em sua busca por emprego…

    Deus abençoe

    Ricco

  5. Olá,

    O Tonho, o hipócrita que crê em imitar Jesus, ser santo, trabalhar duro e todas essas merda que a Bíblia ensina voltou.

    Também trabalhei na Portas Abertas Brasil por alguns anos. E concordo com o que o Rubens Osório falou: “Já não há mais portas abertas como antigamente…” e emendo “Graças a Deus!”

    Bom, eu não estava lá pra “ganhar em dólar”, como o Lou coloca. Estava lá por amar os cristãos perseguidos mesmo. Comecei como voluntário, trabalhei praticamente dois anos assim e depois fui contratado ganhando em reais mesmo e sem ter um salário que colocasse meu boi na sombra.

    Graças a Deus! O que mais tenho ojeriza é desse povo trampando em ONG e colocando o boi na sombra a custa dos beneficiários.

    Eu entre e sai da Portas Abertas com meus próprio pé. Ainda tenho dois braço pra trabalhar também e confio em Deus. Então não preciso ficar chorando nem culpando ninguém.

    Quanto a você, Lou, não desanime… Pesquise aí que você encontrará um monte de ONG americana louca pra pagar em dólar um cara que possa fingir que se preocupa com alguém e que está gerando algum valor. Siga firme na luta.

    P.s.: No meu tempo eu também comecei em um projeto que tinha 0 e acabou com mais de 1500 adeptos. Mas não sou tão pretensioso pra dizer que fui eu que fiz isso… além do resto da equipe que trabalhou duro, se não foi Deus que fez, então de nada valeu.

  6. Tonho! Com o seu português, eu não te pagaria nem em reais, nem com ticket refeição. Quem é vc pra julgar o trabalho de quem não conhece? E se pra vc , o que a Bíblia ensina é merda, é pq só é um reflexo da sua própria imagem!

  7. Tonho e Ricco
    Acho que vale a pena fazer algumas considerações em cima de suas observações, que se não foram pessoais (o que parece ser) foram bem maldosas, principalmente se levarem em conta que eu admito meus erros e os confesso.

    Demorei um pouco em liberar esses comentários, não tanto pela forma “chula” (e isso me incomoda um pouco) com que foram escritos, mas por terem sido construídos sobre o que o texto não tinha intenção de enfatizar.

    Como o exemplo dado (o filme do James Franciscus) nem sempre uma boa experiência no início da vida seria um acontecimento positivo, em nossas vidas. A mim, fez muito mal. Nesse caso, teria sido melhor que viesse no último ato. Aí seria a consagração de uma vida dedicada ao Senhor, a meu ver.

    Não sei se vocês conseguem alcançar, agora, o que estou querendo dizer. Claro que há outras implicações. Elas são as conseqüências, apenas.

    Gostaria de continuar contando com a presença de vocês, seus comentários, suas discordâncias, mas desde que se mantenham em bom nível. Obrigado, mesmo.

  8. Lou? quem são esse loucos? Tonho & Rico??
    Uma dupla sertaneja 🙁
    aaaaiiiiiiiiiii….que meda?!?!??!?!

  9. Olá Lou!

    Eu e o Tonho escrevemos no mesmo Blog. Mas somos pessoas diferentes ok!

    Eu não concordo com o Tonho quando diz que “imitar Jesus, ser santo, trabalhar duro” são m… ensinadas pela Bíblia.

    Escrevi com sinceridade o comentário. Se você conhece a realidade das ONGs, e creio que conhece bem, sabe o valor de uma pessoa que consegue levantar e parceiros mantenedores no “nível” 50 para 1500 em dois anos (como você disse que fez). Creio que esteja procurando um emprego mesmo (Está? Caso esteja mesmo procurando emprego, me envie seu currículo que tento ajudar.). Gostaria que você me mostrasse onde eu, no MEU comentário, baixei o nível.

    Estou orando pela saúde do seu filho, espero que ele fique bem o quanto antes. Nos mantenha informado por favor.

    Mamanunes. Prazer, sou o Ricco. Estou aqui na Vila Madalena, em SP capital. Trabalho evangelizando crianças que vivem na pobreza e miséria. Você pode conhecer melhor nosso trabalho em http://www.expedicaomochila.com.br/. Não costumo julgar as pessoas que conheço, muito menos as que não conheço. Apesar do seu nome estranho, espero que você seja uma cara (você é homem ou mulher?) legal. Estou a disposição aqui no que puder ajudar. Passe por aqui quando puder e quiser, será um prazer recebê-lo em minha casa.

  10. Ricco
    Talvez seu espanto sobre o feito de elevar o nº de contribuintes de 50 até 1500 em pouco mais de dois anos, tenha me soado irônico, ainda mais pelo fato de ter lido o comentário do Tonho ao mesmo tempo. Se você não teve essa intenção peço que me desculpe.
    Caso você seja corajoso o suficiente para me indicar à alguma organização, meu currículo encontra-se à disposição em:
    http://www.lhmbrasil.com.br/curric.html
    Aproveite para dar uma olhada no site todo. Um dos mistérios é que trabalho com o conceito de Desenvolvimento e não apenas, com Captação de Recursos. Abraço.

  11. Olá Lou,

    Eu não me dei conta que meu comentário foi enviado. Li o texto por recomendação do meu amigo Ricco (que sabia que eu trabalhei na PA e ficou curioso), respondi por impulso e achei que cancelei o envio a tempo.

    Sinta-se a vontade pra remover meu comentário, eu o teria feito se pudesse.

    Perdoe-me pelo vocabulário que vos ofendeu. É assim que falo e não me passou pela cabeça que no lugar de gente “endividada, triste, maltrapilhos, deprimidos e … normais.” alguém se incomodaria com isso.

    Mamanunes, quanto ao meu comentário sobre os ensinamentos de Cristo, por favor leia em contexto. Se você não conseguir, aqui eu esclareço que não acho os ensinamentos bíblicos uma “merda”, mas que isso foi uma ironia baseada na minha visão sobre o tratamento que certos conceitos bíblicos recebem neste blog.

    No mais, eu e o Ricco, cada um com sua opinião, vamos compor mais modinhas caipiras…

  12. Quanto a ler seu texto à luz do comentário que você fez, eu não consegui. Eu não consegui ver onde você admtie que errou, pra eu paresse que você culpa tudo e todos, menos a si próprio.

    Porém, o meu português não é dos melhor, e tem gente que nem me pagaria em real nem com tique refeição. Então, me abstenho de debater se o testo foi mau iscrito ou não.

    Perdoe minha ignorância pela segunda vez. E perdoe a repetição injênua… é que também axei que no blog de gente mautrapilha, individada e deprimida, dominar o português não era critério pra entrar, ser aceito e partissipar… Errei.

  13. Quanto a ler seu texto à luz do comentário que você fez, eu não consegui. Eu não consegui ver onde você admtie que errou, pra eu paresse que você culpa tudo e todos, menos a si próprio.

    Porém, o meu português não é dos melhor, e tem gente que nem me pagaria em real nem com tique refeição. Então, me abistenho de debater se o testo foi mau escrito ou não.

    Perdoe minha ingnorância pela segunda vez. E perdoe a repetição injênua… é que também axei que no blog de gente “maltrapilha, endividada e deprimida”, dominar o português não era critério pra entrar, ser aceito, entender e partissipar… Errei.

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