A Gruta do Lou

Ando Devagar


Santo Antão e São Paulo Tebas

Por D. Velasquez

  • Se desejar ler ao som da música de Renato Teixeira cantada por Almir Sater clique no fim da página para iniciar.

“Ando devagar porque já tive pressa,

Levo esse sorriso porque já chorei demais,

Hoje me sinto mais forte

Mais feliz, quem sabe…”

Renato Teixeira

          Creio que as palavras do poeta do campo traduzem minha sina dos últimos anos. Uma das consequências evidente, inclusive, foi a diminuição do meu ritmo nas escritas desse blog. Entretanto, começo a sentir comichão, por que não dizer culpa por ter sucumbido naquilo que mais me agrada fazer, depois dos prazeres óbvios.

Nesses tempos de pouca produção, sucumbido às preocupações com todas as coisas que virão de qualquer jeito após buscar o Reino de Deus, andei vendo minha agenda de vida sendo cumprida em outras vidas, não sem sentir uma ponta de inveja, sinceramente. Obviamente, vários itens dessa agenda foram eliminados, mas ainda há alguns que gostaria e pretendo realizar, nos anos que me restam.

Alguns desses itens surgiram de minhas leituras. Um exemplo é minha vontade de conhecer Avalon, ou melhor Glastonbury.

“A cidade de Glastonbury é particularmente notável pelos mitos e lendas a respeito da colina próxima dali, a Glastonbury Tor, que reina solitária em meio ao resto completamente liso da paisagem de Somerset Levels. Esses mitos são a respeito de José de Arimatéia, do Santo Graal e do Rei Artur.

A lenda de José de Arimatéia diz que Glastonbury foi o local de nascimento do Cristianismo nas ilhas britânicas e que a primeira igreja britânica foi construída lá, para guardar o Santo Graal aproximadamente 30 anos após a morte de Jesus. A lenda também diz que um José mais jovem havia visitado Glastonbury com Jesus quando este ainda era pequeno. A lenda provavelmente tem origem na Idade Média, quando relíquias religiosas e peregrinações eram negócios lucrativos para as abadias. No entanto, William Blake acreditou nessa lenda e escreveu o poema que deu suas palavras à patriótica música inglesa “Jerusalém“.

Fonte: Wikipédia Glastonbury

Há também os Padres do Deserto que via Anselm Grun, despenseiro da abadia beneditina de Munsterschwarzach e seu livro O Céu começa em você prepararam meu coração e mente para o que me estava reservado e pretendo continuar sorvendo enquanto viver. Provavelmente, incluirá uma visita ao Egito, também:

“Os Padres do Deserto ou Pais do Deserto foram eremitas, ascetas, monges e freiras que viviam majoritariamente no deserto da Nítria (Scetes), no Egito a partir do século III d.C. O mais conhecido deles foi Santo Antão (ou Santo Antônio, o Grande), que mudou-se para o deserto em 270-271 e se tornou conhecido tanto como o pai quanto o fundador do monasticismo no deserto. Quando Antão morreu em 356, milhares de monges e freiras tinham sido atraídos para a vida no deserto seguindo o exemplo do grande santo. Seu biógrafo, o doutor da igreja
Atanásio de Alexandria, escreveu que “o deserto tinha se tornado uma cidade” [1] .

Os Padres do Deserto tiveram uma enorme influência no desenvolvimento do cristianismo primitivo. As comunidades monásticas do deserto que cresceram destes encontros informais de monges eremitas se tornaram o modelo para o monasticismo cristão. A tradição monástica oriental, representada em Monte Atos, e ocidental, sob a Regra de São Bento, foram ambas fortemente influenciadas pelas tradições iniciadas no deserto. Todos renascimentos monásticos da Idade Média buscaram no deserto alguma inspiração e orientação. Muito da espiritualidade do Cristianismo Ortodoxo, incluindo o movimento hesicasta, tem as suas raízes nas práticas dos Padres do Deserto. Mesmo renascimentos religiosos mais modernos, como os evangélicos alemães, os pietistas da Pensilvânia e o renascimento metodista na Inglaterra foram vistos por estudiosos atuais como tendo sido em alguma medida influenciados pelos Padres do Deserto[2] .”

Como disse acima, esses são dois exemplos de itens constantes de minha agenda. Mais jovem, depois de ler o livro do Ricardo Semler (e isso não é uma piada), “Virando a Própria Mesa”, elaborei a minha primeira agenda para a vida onde inseri vários itens, alguns pitorescos outros exóticos, entre eles, coisas como correr uma São Silvestre (que acabei abandonando porque a Rede Globo destruiu o glamour da prova) e voltar a Jerusalém para, em companhia de Laila e Kalil, refazermos o caminho por onde o Mestre andou.

Enquanto isso, preciso seguir escrevendo pois, mesmo que não consiga implementar nenhum desses sonhos, através desse mundo sem limites que escrever me permite, eu possa ir a esses lugares e fazer todas essas coisas.

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