A Gruta do Lou

Desemprego

Sexta-feira, Junho 5, 2006

Ú ltimos capítulos de West Wing, houve a posse do novo presidente. Pouco antes de deixar o cargo, a secretária pergunta ao quase ex-presidente (Martin Sheen que roubou a cena, no papel) como está se sentindo. Ele responde: “desempregado”.

Sei que não é o seu caso, mas, muitos dos nossos hospedes são pessoas desempregadas. Interessante ouvi-las. “Ah! Perdi o emprego porque falei umas coisinhas pro chefe e ele não gostou muito.” “Reformulação na empresa e eu sobrei.” “Reengenharia.” “A empresa fechou.” “Me despediram e contrataram três com o salário que eu ganhava.” Essa pergunta eles ainda respondem. Mas, quando a pergunta è: “Por que não conseguiu outro emprego, ainda?” Ai o silêncio é total.

Não procurei estatística a respeito. Lembro de ter passado os olhos em alguma coisa por ai. Sempre há notícias incríveis sobre o número de desempregados. Como se alguém houvesse perguntado. “Caiu a taxa de desemprego em São Paulo.” “Agora só três milhões estão sem emprego.” Ah Bom! Agora sim. A população inteira do Paraguai passa um pouco de cinco milhões de habitantes.

Vamos pensar uma coisinha aqui. A maioria dos desempregados na Gruta são homens, cristãos, casados, acima dos 35 anos, pais de dois filhos no mínimo, com boa escolaridade e um monte de contas para pagar. Então, podemos imaginar que cada um deles agrega mais três vítimas de seu desemprego, pelo menos. Nesse caso, aqueles 3 milhões (só em São Paulo) representariam doze milhões de pessoas no mínimo. Epa, agora falamos de um contingente maior que a população de Portugal. Não. Isso deve estar errado.

Por que será que essas pessoas têm tanta dificuldade de conseguir nova colocação no mercado de trabalho? Outra pergunta pertinente: Por que são os preferidos na hora da degola? Não seria muito mais inteligente dispensar os solteiros primeiro. Eles têm responsabilidades menores e, na maioria das vezes, ainda compartilham o lar paterno. A resposta me parece óbvia. É melhor ficar com os solteiros, pois, aceitam salários menores, reclamam menos e não se estressam tanto.

Entretanto, a coisa piora quando encaramos a realidade mais de perto. Nesse grupo de pessoas, a maior parte está localizada na faixa dos 45 a 60 anos. Esses, encontram muito mais dificuldade de uma nova chance no mercado de trabalho.

E Deus, como Ele encara tudo isso? Não sei. Só vai dar pra saber quando chegarmos lá onde Ele mora. Fui há uma Igreja ontem. No fim do culto o pastor orou pelos desempregados. Muito bom! Uma benção mesmo. Estava vendo a televisão e, sem querer parei no programa da Igreja Universal, quando um senhor dava testemunho de um milagre na vida dele. Ele estava todo empipinado, um monte de dívidas, cheques devolvidos aos montes, dívida com agiotas, nome no Serasa e SPC e depois que fez a corrente dos 312 sua vida mudou (a da Igreja também). Procurei nos evangelhos para ver quando foi que Jesus curou alguém de desemprego e não achei. Acho que minha Bíblia está com páginas a menos. Aliás, o povo daquela época não tinha problemas desse tipo ou de dificuldade financeira. Não conheço nenhum texto onde um endividado ou desempregado chegou perto do Senhor e pediu ajuda. Isso só aconteceu muito tempo antes, nos tempos de Davi. Depois todo mundo se arranjou. É verdade que a maioria era Judeu ou Árabe, gente que não passa aperto financeiro.

Tem que ir a luta. Ficar sentado na Gruta não resolve nada. Deus, mesmo querendo, não vai poder ajudar quem não se mexe. Meu caro, nossas mãos estão calejadas de tanto trabalhar e os pés cheios de calos de tanto andar atrás de trabalho. Já ouvimos tantos “nãos” e tantas mentiras para nos negar uma oportunidade, que daria para encher o planeta, se os escrevêssemos. Deus não seria tão mau assim. Quando Ele enviou Jesus para salvar a humanidade, não havia ninguém “trabalhando” pela salvação.

Então, não tem solução? Se houver nós não sabemos qual é. Certamente, deve estar no meio da solidariedade, da generosidade, da tolerância, da sensibilidade, enfim do amor (ágape).
# posted by Lou @ 2:28 PM

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