Quem é Lou Mello, afinal?

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Obs: Imprescindível ser lido antes de arriscar um mergulho no resto.

Esse texto foi escrito antes do advento reptiliano das Redes Sociais e seu intento diabólico de abafar o poder dos blogs. Se você estiver procurando a minha ficha técnica e não quiser perder tempo, ela pode ser encontrada no final dos tempos, digo, do texto. Mas aviso, estou falido.

Olhando o Programa Zona da Reforma, notei alguém dizer algo sobre dificuldade em se expor no blog.

Sempre que posso, dou uma boa lida nos blogs por aí. Nem sempre consigo deixar comentários em todos. Penso que é melhor não comentar do que escrever milonga na tonga do caburete. Isso não significa, necessariamente, uma reprovação a quem deixa milongas na Gruta. Estou falando das minhas preferências. Tenho reparado, com grande incidência, na superficialidade, ou melhor, no cuidado com que os autores blogais evitam a exposição.

Algumas vezes, consigo, mesmo sendo meio patso,  pegar alguma coisa nas entrelinhas ou em meio a textos complicados, especialmente nas tais poesias. Adoro poesia, onde tive minha iniciação escriptográfica. Foi uma inesquecível palestra de Guilherme de Almeida, conhecido como o príncipe da poesia, e depois o descortinar de Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Adélia Prado e Casemiro de Abreu, dentre outros,  os responsáveis por esse desastre das letras em que me tornei. Já arrisquei aqui algumas mal traçadas linhas meu amor, poéticas, também. Sei entender quem prefere fazê-lo, mas eles hão de concordar que,  muitas vezes, o fazem para não se revelar plenamente, salvo engano.

Outros caras falam através de Dostoievski, até aparecem junto com eles no catálogo de imagens do Google,  mas tenho dificuldade em relacionar a realidade do blogueiro com a crise existencial crônica do escritor russo. Claro que outros são utilizados para esse serviço de despistamento. A lista é grande. Aparecem todos os grandes autores seculares e cristãos, nessa farsa.

Isso quando o cara, sendo um artista, não nos fala via desenhos, ilustrações, cantorias, vídeos, fotos e todo o arsenal blogal e cibernético.  Vale tudo e não estou acusando, julgando e, muito menos, incriminado ninguém. Não estou com essa bola toda. Nem me convidaram para esse encontro de feras da Zona da Reforma. Se fizessem um para os teens, talvez lembrassem de mim. De qualquer forma, não teria ido mesmo, declinando com alguma desculpa esfarrapada.

Comigo e a Gruta tem se dado, exatamente, o contrário. Mando ver na exposição. Falo das minhas falácias, exponho as minhas feridas sangrentas, mostro o bum bum para todos, de tal forma que já recebi conselhos, ajuda material, críticas leves e pesadas e outras que prefiro não mencionar. Confesso a minha dificuldade em manter o padrão transparência.

Não que meu propósito seja esse. Em minhas loucuras (perceberam a semelhança com o Lou?) pensei em ser o primeiro a pular na água gelada da descida aos níveis mais profundos da comunicação. Como ensina o John Powell, em seu excelente “Por que tenho medo de dizer quem sou?” (Ed. Vozes), a grande maioria das pessoas tem medo de sair do nível um da superficialidade ou dos estereótipos.  Talvez se sintam encorajados depois de mim.

Já repararam como há blogs falando a mesma coisa, todos os dias?   Hoje mesmo, se você for aos blogs da superfície os verá tratando sobre o caso da menina assassinada na zona norte de São Paulo (A rede Globo adora enfatizar tragédias paulistas para desviar a atenção da sodomização carioca, lembram  da dengue, pior, da epidêmica violência carioca ? Continuam na mesma.)  Se tiver alguma dúvida, visite o blog da Rosana Hermann, o mais superficial e estereotipado do Brasil ou o do Marcelo Tas, na mesma linha.

São jornalistas ligados à TV de segunda e se acham, mas não passam nunca ao nível dois. Alguns novos blogs cristãos também  começaram imitando-os e caminhando nessa direção e, aos poucos, vão engolindo e monopolizando à atenção, enquanto blogs mais densos caminham para o esquecimento da rapaziada e da moçada da hora.

Mas o lance aqui é outro, quero falar alguma coisa a meu respeito, mas não estou conseguindo, pensamos às vezes. Não depende só de mim. Para se expor é preciso pensar e pesar. Temos laços, família, amigos, igreja, trabalho, etc.  Sabe, certas situações da vida requerem solidariedade indulgente. Se você não se abrir, dificilmente receberá apoio dos outros. Só que o outro lado é verdadeiro. Abrir-se e expor-se pode não ser nada confortável. Saiba que tenho sido alvo dos mais variados tipos de impropérios. Teve até insinuações colocando em dúvida minhas misérias, em especial a situação de meu filho. Isso doeu pacas.

Tudo bem. Mas eu queria ver e ler as pessoas sendo pessoas, simplesmente. Claro, que não sou o único que tira a camisa e, pateticamente, revela as cicatrizes todas da vida ou da morte eminente.  Sinto por aqueles que se escondem atrás de crenças do tipo “Mais que vencedor”. Meu, a vida do “Super Man” não foi fácil e todo mundo sabe como acabou, depois que ele caiu do cavalo, literalmente. Nunca vi, nem ouvi, nada igual aquilo. A vida não é fácil para ninguém, nem o Bill Gates está feliz, aliás, ele tem bons motivos para não estar, mais do que nós dois.

Então vamos deixar assim mesmo. Continuarei  falando das minhas mazelas e você vem ler, faz de conta que não veio, diz amém e tudo bem. Deus saberá ser bondoso com nós dois. Depois você vai em algum dos blogs tops, como do Ed e/ou Gondim ,  e faz um lindo comentário citando o  Nouwen, Ruben Alves, Pessoa,  mas é o Lou que estará em sua mente, seguramente. Tem cara que chega usar até minhas expressões chulas em seus textos e neca de citar a fonte.  Eles mesmos fazem isso ou usam meus temas. Comigo até que é pouco,  precisa ver o que usam do Brabo, por aí, sem que ele saiba, até em prova do maldito vestibular ele é clonado sem referências e/ou permissão.

É isso, a exposição tem um preço muito alto e são poucos que tem camisa roxa para pagar. Agora vou pegar a agenda telefônica e mendigar um pouco.  Afinal também precisamos comer, pagar a luz, água e essas insignificâncias. Trabalho que é bom, no have ou se have me negam ou sonegam. Se você ler essa porcaria antes de eu te ligar, avise o pessoal para dizer que você não está, caso você seja uma das minhas vítimas escolhidas.

Agora que você já leu, isso será transformado em uma página (aba) sobre o Lou Mello, daqui para frente, afim de diminuir o ímpeto dos mais curiosos.

Ficha Técnica: Veja meu perfil Facebook aqui  Tem tudo lá.
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