A Gruta do Lou

Webville

Observando a dança do povo plugado à Internet, blogando, twittando e se relacionando via sites de relacionamento, bate uma grande tristeza. Imagino todas as pessoas por aí sem nada melhor a fazer. Diminuíram os namoros e os jovens  namorados não sentem mais prazer em ir juntos ao cinema, comprar uma caixa de pipocas para comer juntos, trocar uns beijinhos no escurinho do cinema e passar umas duas ou três horas de mãos dadas. Os casais casados, embora sob o mesmo teto, se distanciaram e passam muito menos tempo juntos. Seus horários não combinam e, mesmo quando se encontram na cama, um está acordado e outro dormindo, grande parte das vezes. Os amigos raramente se encontram para um cappuccino e a velha conversa fiada amigável. Cada vez mais, as esquinas estão vendo menos pessoas nas mesas para a cerveja nossa no velho happy hour de cada dia. E nós reclamamos das igrejas, mas elas estão perdendo seus fiéis para os programas cibernéticos. Talvez, boa parte das coisas que desaprovamos, sejam tentativas alopradas dos pastores para ganhar a batalha contra as atrações da web. Possivelmente, a vida na frente de um LCD se ajuste muito melhor ao nosso atual estilo individualista, no qual não precisamos dar quase nada e recebemos muito. Só falta descobrir como ter orgasmos enquanto twittamos ou blogamos. Confesso ser um blogueiro assíduo demais, quanto ao Twitter me falta o tesão necessário, sem tesão não há comunicação. Tudo isso supriu plenamente o espaço outrora ocupado pela cadeira de plástico de uma igreja qualquer e  aquelas ocasiões em que encontrava abstração nos discursos em púlpitos e cátedras. Não sei quanto a você, mas boa parte de minhas reclamações contra essas organizações eclesiásticas em rota de falência se justificam por meu abandono. Larguei o arado no meio do campo e tomei o trem para a cidade grande. Agora o campo está abandonado, cheio de joio onde antes vicejava o trigo.

lousign

Share this:
Share this page via Email Share this page via Stumble Upon Share this page via Digg this Share this page via Facebook Share this page via Twitter

6 thoughts on “Webville

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Tomo meus expressos sozinha, num cantinho no leblon, religiosamente. Beijar na boca eu não gosto mesmo. Tenho nojo.

    Um grande argumento a favor do texto. 🙂

  3. Pingback: Lou Mello
  4. Lou

    Se você tomar isso como um opção de OU, realmente é grave, mas não precisa ser necessáriamente excludente.

    Quando percebe que pode ser E (relacionamento analógico E virtual), descobre-se que a vida melhora muito.

    Permite que se beije ao vivo e, quando não se tem a pessoa amada ao lado, beija-se virtualmente.

    Serve também para a Igreja. Para a amizade. Para….

    Isso é mesmo muito bom, mas requer equilíbrio, coisa rara em um mundo onde as pessoas estão, cada vez mais, compulsivas.

  5. Ainda aguardo nosso encontro – regado a café e verbo. Real.
    O humano anda mesmo perdendo a arte do encontro. De si mesmo e do outro.
    Amplexo.

    Estou tentando responder por E-mail, mas está retornando por seu provedor.

  6. Olha, isso é verdade Lou. As pessoas geralmente largam mão dos bons momentos e únicos para ficar na frente do pc horas. Mas em cidades pequenas como a q eu moro, no interior, isso ainda não é a mais pura verdade. Nessas férias por exemplo, fui ao cinema com o namorado e dei mtos beijinhos! hahaha Tomamos tereré e assistimos bons filmes e musicais! Difícil deve ser morar em cidade grande, onde td copera para os desencontros! Não me adaptaria.

    Nunca despreze esses momentos, nem se deixe subverter pelos encantos da cidade grande. Mas, estou em situação inversa, preciso voltar à cidade grande e correr o risco para ajudar nossos filhos a terem uma vida, coisa que a pequena cidade lhes tem negado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.