A Gruta do Lou

Vida de Profeta

Precisávamos, há tempos, levar nosso filho ao médico. No ano passado levamos e não demos sequência por falta de condições necessárias. Uma chuva de recados encheu minha caixa postal.

Conseguimos, depois de uma complicada operação de mendicância, levar nosso filho ao médico, semana passada. Ele foi examinado de alto a baixo. No final a médica solicitou quatorze exames diferentes mais dois medicamentos para uso imediato. Que fazer agora? Outra enxurrada de recados em minha caixa postal.

– Por que tantos recados em sua Caixa Postal?

Perguntou alguém.

– São orações.

Respondi.

Nova consulta. Dessa vez no hospital. A médica faz um novo ecocardiograma Doppler, agora em uma máquina grande. Depois prescreveu: Fazer um exame de ressonância com contraste, em São Paulo. Não faço a menor ideia sobre como resolverei isso. Volto e a Caixa Postal está entupida de novo.

– Outra vez esses milhares de recados? O que é isso?

Alguém pergunta.

– Orações.

Respondo.

– Mas, porque ficam mandando essas orações para você?

– Vida de profeta. Tenho que saber como o povo está. Aí o pessoal do céu envia para mim os pedidos correspondentes às mesmas misérias que estou experimentando.

– E o que o pessoal do céu espera que você faça com isso? Você não dá conta nem dos teus problemas.

– Então, isso é o que devo dizer ao povo.

– O que? Dizer ao povo que não há saída?

– Sim.

– E alguém acreditará?

– Não.

Share this:
Share this page via Email Share this page via Stumble Upon Share this page via Digg this Share this page via Facebook Share this page via Twitter

3 thoughts on “Vida de Profeta

  1. Não acredito que ninguém comentou!
    Cara, você descobriu tudo. A resposta é que não há resposta. “O que não tem remédio remediado está” – já dizia a velho deitado.

  2. A resposta não faz diferença. Talvez nem exista. Importantes são as perguntas. Essenciais, diria; perigosas, mas essenciais. São elas que acalentam as chamas – que permanecem acesas.
    Perguntas que, em si, já trazem respostas. Paradoxo? Sim, mas jamais contradição. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça; escreveu João. In casu, quem tem reflexão, reflita. Shalom!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.