A Gruta do Lou

Vergonha na cara

Tonho

Agradeço sua visita à Gruta. Gostei de seu comentário. Muito sincero. Se você me permite, a Gruta nasceu de uma interpretação do texto de I Samuel 22:2, sobre os homens endividados e em aperto, etc… que reuniram-se a David, transformando-se no exército que viria a derrotar as forças de Saul.

Entendo você e o absolvo, a priori, de qualquer culpa em relação a seu pai. David, a exemplo de Jesus entendeu pessoas como seu pai e além de perdoá-los, lhes resgatou a dignidade. Eu e seu pai somos os tais doentes mencionados por Cristo, aqueles para os quais ele teve que vir encarnado e fazer por nós o que não éramos capazes. Por outro lado, você e os meus filhos não podem ser responsabilizados por esse tipo de julgamento, pois só Deus é capaz de entender gente como nós. Espero que isso console seu coração. Seu pai não era um sem vergonha. Ele era um homem necessitado da mão estendida do Mestre e toda aquela imprudência lá naquela cruz edionda hedionda, assim como eu e os demais grutenses. Você não é uma maltrapilho porque você tem a si mesmo para resolver seus problemas, enquanto nós nunca acreditamos em nós mesmos.

Resposta para comentário do leitor Tonho ao post: Elos do Destino

15 thoughts on “Vergonha na cara

  1. Tonho
    Inútil, fracassado, covarde e sem vergonha na cara, eis o que sou. Um carente do socorro de Jesus Cristo, de quem David foi uma figura.
    Que bom que você tem forças para ir à luta.
    Se quiser, siga o conselho de Martin Luther King: saia de casa, mesmo sob tempestade, e volte quando tiver encontrado trabalho, apenas. Assim agem os fortes.
    Maltrapilhos e grutenses são fracos e carentes da Glória de Deus e seu socorro.

  2. Tonho
    Os adjetivos são seus. Você viu seu pai por aqui, talvez em mim, e eu aceitei os elogios no lugar dele, embora me considere mesmo um ser completamente necessitado da graça. Deixarei esse post por aqui, até amanhã. Tenho certeza que outros comentários virão e poderemos dividir mais as opiniões. Não quero alimentar uma polêmica entre nós dois. Creio que você seja uma ótima pessoa e estou tentando pensar contigo.
    Até aqui, o seu “vamos à luta” não me convenceu. Me pareceu mais um pedido de socorro ou o cumprimento de um script de vida.
    Quanto a nós grutenses, nossas motivações são outras. Somos um bando de pessoas com histórias de lutas tremendas. Já percorremos o caminho que você ainda deseja percorrer. Como disse o Rubens Osório precisamos deixar você descobrir o que há por trás da Gruta e o faremos.
    Aconteça o que acontecer, você poderá contar conosco, sempre. Não caia na tentação de nos rotular como super ou minis. Não somos nenhum nem outro, pode acreditar.
    Aliás, aproveitando sua citação, Bonhoeffer é um dos nossos grandes e melhores contribuintes. Um grande e terno abraço para você, sua esposa e seu filhinho que logo estará entre vocês.

  3. Estranho essa idéia de considerar a Gruta como um clube de pessoas desistentes ou algo assim.
    Em mais de quatrocentos textos, não me lembro de ter defendido tal idéia.
    Certamente defendi que esses também tem lugar entre nós. A Gruta é o último reduto. Portanto, não há limites. A viuva, o órfão, o encarcerado, endividados, tristes, em aperto, desempregados, enfim, todos poderão vir e sair quando e como quiserem. Até os lutadores são bem vindos, esses batalhadores compulsivos que muito nos envergonham. Mas queremos abraçá-los, também. Entendemos que esse seria o procedimento do Mestre. Certo?

  4. Lou, eu já tive tantas grutas prá sair e acho que ainda tenho muitas delas prá deixar prá trás. Mas nao vou correr, vou mesmo ficar em uma gruta bem fresquinha até que tudo passe e melhore. Vc bem sabe que bem pouco tempo tive que tirar a minha estudante de uma gruta terrível e isso me deixou bastante cansada. Mas sabe que os resultados têm sido surpreendentes e tao positivos, Creio que quando estou na minha gruta, naquela escuridao e que nem sempre precisa ser e vejo a luz lá fora, penso que neste momento de gruta é qdo estou aprendendo é qdo estou sendo moída e vendo a luz de uma outra perspectiva: de dentro da gruta. Sei que vc é capaz de entender exatamente o que escrevi, pois é um homem que está na gruta nao só vendo a luz de fora, mas vendo tudo de um prisma diferente…

    Boa semana e amei o debate, só assim acontece algo aqui nessa gruta, heheheheheheh!!!

    Abracos

  5. Georgia

    Você é uma grutense com carteirinha e tudo. Em sua experiência há a certeza de que a qualquer momento o Senhor aparecerá na porta da Gruta e te dirá “Georgia saia daí”. Depois te perguntará se Ele estava no vento ou na tempestade e devolverá você aos trilhos da vida.
    É difícil, para qualquer pessoa, lidar com suas próprias incoerências, muitas vezes forjadas com dor e sofrimento, ou ainda, admitir sua total incompetência frente às suas dificuldades. Mas, como nós sabemos, esse é um processo libertador. A Gruta é isso: libertação. No caso de Lázaro foi ressurreição, inclusive.

  6. Lou valeu sua resposta, vc conhece mesmo a frutense aqui. Amei seu slide show e que gracinha o Duda deitado na cama, me fez lembrar da minha cachorra que tb gostava disso.

    Abracos

  7. Acredito que “a gruta” é um lugar de passagem, não de paragem. As grutas podem servir para crescimento e amadurecimento, mas também podem tolher e oprimir. O grito do grande libertador continua a ecoar a todos os grutenses: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28). O segredo é ir e estar em Cristo.

    Abraços a todos.

  8. Quanta coisa perco por não conseguir chegar aqui todos os dias. Parabéns pelo níver de casamento!

    Bom vou me juntar aos ‘debatedores’ e dizer que baita privilégio este de participar com pessoas tão especias e com pontos de vistas lindos (se é que posso chamar assim).
    Parabéns, Lou, pela gruta, por nos edificar, consolar, alertar e nos pôs pra cima, sim.
    Parabéns, Tonho, por lutar pelo que acredita e pela força que tira das adversidades, seja as passadas ou as da atualidade.
    Com relação ao fato de sair da gruta/caverna ou nela permanecer, ora percebamos o agir de Deus e sua multiforme ação:

    1) Em I Reis 17:4 – Deus diz para Elias permanecer escondido junto ao ribeiro de Querite, deveria ser em alguma espécie de gruta junto ao ribeiro. O povo apostatou da fé e sua dura missão era a de trazê-los novamente à fé, porque corria risco de morte.

    2 ) Já em I Reis 19.9 – Deus exorta a Elias, enquanto este se encontrava na caverna: ” – O que fazes aqui, Elias. Que síndrome é esta!?”

    Concluo que Deus age individualmente conosco, conforme aquilo que nos quer ensinar. De nós, acredito eu, que só resta a sensibilidade para ouví-lo e disposição para obedecer, seja qual for o seu propósito conosco.

    Entre permanecer ou ir adiante, faço igual a Móises: – Senhor, eu não abro mão de sua presença conosco. Se tiver de ir sem sua presença, prefiro ficar. Se tiver de ficar, sem que estejas por perto, prefiro te acompanhar.

    Mais uma vez, obrigada por participar do debate em questão, e olha que eu tenho tudo a me idenficar coma história de vida do Tonho. Mas isto é história para um futuro post, lá no De Ponta.

    Paz

    Chris

  9. Chris
    “Ir a luta” pode ser parte de um tipo de teologia, daqueles que fazem, dos que crêem ter alguma participação na salvação, dos consumidores de indulgências, dos fazedores de boas obras com finalidades de vida eterna.
    Tudo bem. Eu devo ter repetido essa expressão muitas vezes durante minha vida e, talvez, se aplique se o problema for só um emprego. A maioria das pessoas acredita nisso, mesmo diante da realidade em nossos dias de que só um em cada cinco arrimos de família consegue emprego (informação da ONU, repassada por Leonardo Boff). Mas para os “vencedores” que vão a luta o que vale é ser esse um e os outros quatro que se danem. Enfim, nesse caso “ir a luta” funciona mesmo.
    É muito provável que Elias, Moisés, David, eu e você tenhamos ido a luta muitas vezes, embora o Tonho tenha dificuldades de acreditar. Esse ainda não era o tempo de procurar uma Gruta, para nós.
    Para o Harold Kushner (rabino e autor de Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas) grande lutador, a Gruta surgiu depois que seu filho mais novo morreu ao quatorze anos, vítima de uma doença degenerativa, para a qual a medicina desconhecia qualquer alternativa de tratamento. A esposa de um pastor de Porto Alegre está na Gruta agora. Seu marido saiu de casa no dia 17 passado e lhe disse: Tchau querida, amanhã na hora do almoço estarei aqui. Saiu, pegou o avião da TAM para S. Paulo e morreu carbonizado com outras cento e noventa e nove pessoas, naquele maldito prédio da TAM express. Esses dois e todos os outros que chegaram à Gruta depois de verem a si próprios diante de obstáculos intransponíveis, não sabem mais o significado de “ir a luta”. Não sabem mais o significado de Deus bom, tão pouco. O que é ir a luta para o Kushner? Matar o médico que diagnosticou a doença de seu filho? E para a esposa daquele pastor? Torturar a mocinha da TAM, em algum guiche de aeroporto? Essas imbecilidades trarão seus entes queridos de volta?
    E os milhares de grutenses que sofrem calados ao lado de seus queridos que estão, inexoravelmente, caminhando para a morte, sem qualquer luta que possa salvá-los? E os desesperados que de tanto lutar perderam as forças para sempre? E os que não conseguem, se quer, acreditar na existência de um Deus que um dia eles juraram existir?
    Que fazer?
    Para um grutense não há ofensa maior do que um “Vamos à luta!” Nem tanto pelas palavras, porque nós sabemos que daqui a pouco estaremos abraçando esse infeliz com todo nosso amor, com aquele abraço que o Brabo inventou, que chega a tirar o fôlego da vitima.
    Nós dois sabemos do que estamos falando e nossa miséria maior é imaginar que a maioria não consegue nos compreender e nos julga como uma dupla de acomodados, de inúteis que não têm vergonha na cara.
    Depois de amanhã a Dedé e eu estaremos lá na Beneficência Portuguesa para entregar o Thomas nas mãos dos médicos, outra vez. Será uma ressonância magnética, uma cirurgia de alta complexidade e o que mais? Quanto tempo mais? E Deus onde está? Claro, com o Ed, o Gondim e toda essa gente que sempre está com o Criador e que eu invejo com todas as minhas forças. Sim eu sou um grutense.

  10. Alguém possui o cartão grutacard, não! poxa, que pena! Lou tenho um desafio pra ti, já pensou num mural… é que, as vezes, chego aqui não pra conversar(entenda-se comentar) mas apenas sentar lá no fundo e ficar lendo algumas coisas… Portanto, “Não deixe de inserir sua foto no álbum da Gruta. Aí abaixo”.
    Algum dia poderemos fazer uma bela reunião com direito a músicas, “tenores e sopranos” da casa.

  11. Francisco
    Obrigado pelas sugestões. Confesso que gostei mais do Grutacard. Mas a idéia do mural é muito boa e pensarei em uma forma de fazer. Se tiver sugestões mande, por favor. Ah! A minha foto já está no album da Gruta. Você não deve ter me reconhecido porque estou mais bonito na foto, do que sou pessoalmente. Quanto a reunião com direito a música, tenho uma revelação: Essa semana conheci um tenor excelente lá de Portugal que não poderá faltar. Fiquei sabendo que ele esteve no Brasil para ouvir o Caio Fábio e devido aos acontecimentos, foi ouvir o Gondim. Creio estarmos em dívida com ele. Seria muito bom se além de cantar conosco, lhe apresentássemos nossos melhores pregadores. Certo?

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