A Gruta do Lou

Varrendo nossos filhos para o lixo


Se a escola já era ruim, lugar preferido dos traficantes para iniciar e manter clientes, entre outros senões, agora então…

Quando estive na Albânia Marxista-Leninista, em 1979, descobri muitas excentricidades daquele regime sem precisar fazer grande esforço. Os albaneses servis ao regime de Enver Hoxa, o ditador então, sonho de consumo de muitos desses vermelhinhos abundantes por aí, fizeram questão de nos levar às suas escolas maravilhosas. Lá, entre outras cositas, tais como ensinar crianças em nível primário a respeito do funcionamento de armas de fogo, nos informaram o horário escolar dos “estudantes”: todos os dias das 07hs às 19hs, seis dias por semana, doze meses ao ano. Quando perguntei sobre férias, eles não responderam e ficaram me olhando com cara de interrogação. Talvez tenham pensado algo como: Só brasileiros fariam esse tipo de pergunta.

Nesse exato momento, fim de janeiro de 2014, os estudantes brasileiros do ensino fundamental e médio estão obrigados a cumprir 200 dias letivos por ano. Façamos as contas:

O ano tem em média 365 dias

Menos 200 dias letivos, sobram 165 dias.

Me acompanhe…

São 52 fins de semana ou 104 dias entre sábados e domingos, sobram 51 dias,

Mais uns 15 a 20 dias para feriados nacionais, religiosos e enforcados, sobram 31 dias.

As férias de julho, 31 dias.

Bingo! Não há mais tempo para bobagens como férias de verão, eventos (Copa do Mundo, Olimpíadas, etc.) e atividades de lazer em geral.

Isso é muito interessante. O Brasil frequenta todas as piores listas e estatísticas educacionais (mais analfabetos, mais analfabetos funcionais, entre os piores desempenhos no ensino superior nas principais áreas (medicina, engenharia, direito, economia, jornalismo, pedagogia, etc.) do planeta e, enquanto os outros países, sobretudo os ditos desenvolvidos, estão diminuindo o tempo e necessidade de escolas, aqui estamos aumentando.

Há algo de podre no reino da Dinamarca… ou seria do Brasil.

A escola está acabando com a criatividade, afirma o professor Ken Robinson Professor de Educação Artística da Universidade de Warwick. Ivan Illich escreveu “Sociedade sem Escolas” do qual não há como escapar. Estamos em plena revolução da informação, graças a Jobs, Gates, Zurckerberg, etc. e a escola será engolida pelos meios cibernéticos, ainda neste século. Quem viver verá.

Mas ditadores e regimes ditatoriais adoram enfiar jovens na escola para dar uma boa lavada nos cérebro deles, enfiando-lhes suas bobagens totalitárias. Isso sempre funcionou, desde os Césares até Fidel e suas crias sul-americanas, passando por Hitler, Stalin, Sadan, Aiatolas, etc. Esses jovens são transformados em polícia dos regimes, transformando-se em assassinos em favor de seus ídolos.

Em nossas escolas os valores familiares estão sendo substituídos por uma nova moralidade totalmente liberal. Há máquinas distribuidoras de camisinhas no lugar dos velhos bebedores de água e nenhuma restrição ao amor livre. Ai do professor que reprimir jovens em suas práticas liberalizadas. A mensagem é: em nosso regime não há moralidade, se o que você fizer for fiel aos nossos mandamentos. Tiraram todas as matérias de Artes das escolas e não me surpreenderá se, na primeira oportunidade, apareçam matérias alusivas ao regime totalitário. Práticas sexuais não usuais estão sendo incentivadas e o preconceito contra quem pensa diferente disso cresce assustadoramente.

Tudo isso incluso no pacote escolar. Claro que nas escolas particulares e pagas ainda há certa preservação, sobretudo naquelas cujos mantenedores são ligados a igrejas e religiões. Mas a escola pública já está bem adiantada na senda dessa nova moral. Quando estudamos estratégia de missões para espalhar o evangelho, aprendemos que a escola era o melhor lugar para evangelizar, pois nela se concentra a maior parte das populações, a cada geração. Nós não aproveitamos essa oportunidade, mas parece que o capeta não perdeu tempo.

Nas comunidades indígenas muitos índios expostos à sociedade “civilizada” tem sua cultura aviltada, surtam e suicidam-se. Em nosso meio, surpreende quando um jovem surta e atira contra seus próprios colegas e professores antes de tirar a própria vida. Geralmente, isso é atribuído a diversas possibilidades e nada a ver com a verdadeira causa, como disponibilidade de armas e problemas no lar. Ninguém liga esse fato à violência protagonizada pela escola atual com a destruição dos valores desses meninos aprendidos em casa.

Resumindo, quando enviamos nossos filhos para escola, em nossos dias, abrimos mão de nossa paternidade entregando-os aos verdugos, ou seja, jogando nossos filhos no lixo.

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