A Gruta do Lou

Missão na Integra segundo Jesus

Missão Integral
Missão Integral


Alguém disse: A religião é um fenômeno de desconexão da força superior. Creio nisso. Infelizmente, a religião não é mais o maior inimigo de nossa amizade com o Criador. Foi batida pela tecnologia e não foi por falta de aviso. O Jacques Ellul cansou de avisar, a ideia sempre foi convencer que a tecnologia liberta o homem e nisso ela se saiu muito melhor do que as igrejas.

Dia desses, alguém me enviou um link de um vídeo contendo uma palestra de um desses pastores da moda. Não sei se foi gravado durante algum culto ou outro tipo de evento, mas certamente foi realizado na igreja dirigida por ele. Logo de inicio ele diz a que veio, ou seja, faz uma crítica meio sem pé nem cabeça contra os caras que criticam a igreja sem fazer parte dela. Ato continuo, declara ter decidido ser pastor ainda na adolescência e chega a mencionar tempos difíceis de seu primeiro pastorado. Na conclusão invocou o engajamento de sua igreja em obras sociais, as quais dá o nome de Missão na Integra, se não me engano, tentando justificar seu “acerto” ministerial. Entendi, então, porque me enviaram o tal link, ou seja, fui considerado um dos tais críticos da igreja, sem fazer parte dela, provavelmente.

Ora, a igreja institucional não está proibida de existir. Até onde sei, no Brasil e na maioria dos países desse mundo esse ato é permitido. Entretanto, nada a isenta de críticas e, tampouco está acima das leis, sem falar da ética cristã. Creio que nosso colega (fomos colegas de seminário) propositalmente ou não, mistura sua instituição igreja com a ideia neo testamentaria de igreja. Sim, já que qualquer teólogo de esquina sabe muito bem que essas casas ditas “igrejas cristãs”, espalhadas mundo afora, pouco ou nada tem a ver com os ideais de Jesus Cristo. Ele nunca fundou uma igreja institucional, antes foi o maior crítico dessas espeluncas sem nunca pertencer a elas. Deixou claro que a verdadeira igreja seria a reunião daqueles que o seguissem tomando suas próprias cruzes e seguindo a dele. Aos sacerdotes considerou como os tais “sepulcros caiados e raça de víboras”.

Para completar essa tragédia, seus seguidores mais comprometidos, como Pedro, por exemplo, trataram de sacramentar as ideias subversivas de Jesus dizendo que deveríamos ser “pedras vivas” e não um bando entre pedras mortas. As cartas de Paulo, ainda que contenham bom estoque orientador dos passos a serem dados na senda cristã, confundem e embolam o meio de campo da galera. Talvez por problemas de tradução e hermenêutica ou, o mais provável, devido a inserções nada honestas nos textos, provenientes de desejos canhestros papais e sacerdotais ao longo da história da igreja. Paulo, em si, devia ser um grande sujeito e melhor cristão, ainda. O fato é que Jesus não tem nada a ver com essas igrejas, sejam católicas, protestantes (incluindo todas as seitas conhecidas), etc. Sua verdadeira igreja não é e nunca será algum tipo de religião ou instituição. A igreja dele é formada por nós, que nele cremos, buscamos distância do pecado e nos esforçamos para seguir seus ensinamentos, enquanto aguardamos sua volta triunfal.

Para concluir, o próprio mestre da Galileia não caiu na cilada de embarcar na proposta diabólica feita por ninguém menos que Judas de cuidar do social. Ele disse, “os pobres sempre os tereis convosco” quando ouviu a tentação de Judas. A receita dele para esse problema era bem outra: “Fiz-me pobre com os pobres para que vocês fossem ricos”. Em palavras mais diretas, a Missão na Integra que ele desejava incluía o desprendimento de nos despojar completamente das coisas materiais como caminho para uma riqueza verdadeira, que não era material, certamente.

Sair por aí distribuindo as infames cestas básicas, ensinando artesanato para manter os pobres mais pobres, ou perpetuando-os ao horroroso trabalho de catadores de lixo, sem um mínimo de respeito pelo ser humano, me desculpe, só pode ser coisa do demo. Não se enganem, eles fazem isso para camuflar seus pecados, a exemplo de Judas e sua proposta de Missão na Integra aos pobres.

Entretanto, anseio de todo meu coração, embora considere isso como ministério de tipo João Batista, ou seja, de pregar ao vento, que as pessoas membros das igrejas institucionais se convertam e voltem ao primeiro amor, como aconselhou Paulo aos gálatas. Entristecem-me as palavras do meu colega de seminário quando ele trata a mim (supostamente) ou a quem quer que tenha sido alvo de suas palavras, como inimigo, sem qualquer sentimento cristão de perdão e muito menos de arrependimento. Conheço muitos que, como eu, deram o melhor de suas vidas a uma dessas “igrejas” para descobrir depois que elas nos traiam. Mesmo assim, todos nós tememos pelo fim espiritual das pessoas engajadas nesses antros, onde pouco ou nada há de Deus e de Seu Filho. Apesar de tudo, ainda insistimos com Deus que liberte e salve a todos.

morcego-12

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