A Gruta do Lou

Uma Gruta com propósitos (bons).

generosidade

Sei que você não acreditará, mas até eu falho às vezes, ou sempre. Quando comecei A Gruta, sonhei com um espaço onde fosse possível diluir algumas ideias provenientes de um sonho antigo onde pululavam cortesia, bondade, benignidade, gentileza, mansidão, afabilidade, generosidade e esses traços de atitude e personalidade facílimos de incorporar.

Estudei em duas escolas católicas dirigidas por ordens diferentes. Primeiro no Santo Agostinho (um ano), onde os caras seguiam as regras do patrono e depois no Meninópolis (três anos), onde as regras vinham de uma ordem menos, digamos, afável. Nunca esqueci a figura do Pe. Teodoro e seus famosos beliscões. Uma vez, o Zé Cláudio (que era cardiopata congênito) e eu estávamos treinando um novo golpe de judô, no pátio, quando o “monge” nos surpreendeu. Ele pegou o braço esquerdo do Zé com sua mão direita e o meu braço direito com a mão esquerda, o infeliz era destro e fez um hematoma portentoso no meu melhor amigo. Até hoje me pergunto por que não sentei uma bordoada naquele padre excomungado, além de cuidar de me safar do meu beliscão, apenas. Sem falar na Dona Eda, uma mulher forjada na quinta câmara do inferno mais quente, onde há fogo, cheiro de enxofre e ranger de dentes.

Acho que esse tempo de horror me levou a buscar mais sobre um santo pouco conhecido desses padres, falo de São Francisco de Assis. Andei visitando o mosteiro de São Francisco e procurando nas bibliotecas informações sobre ele e sua ordem dos frades menores. Hoje há material farto, pois finalmente a Igreja Católica se deu conta do valor monetário que as excentricidades desapegadas e pobretonas desse santo são capazes de angariar.

Tempos atrás, era mais conhecido por minha fleuma. Escutava as pessoas com os olhos penetrando os olhos das vítimas e fazia perguntas certas, na hora certa. Meu maior ídolo intelectual sempre foi o velho Sócrates, fonte de todos os outros a quem admiro, como Agostinho, Galileu, Kierkegaard, Nietzsche, Borges, Proust, etc… e isso me tornou adepto da maiêutica, compulsoriamente. Entretanto, confesso, de uns anos para cá andei para trás e perdi boa parte pose. Até minha voz mudou, voltando a ser mais aguda, como nos tempos horrorosos da adolescência.

Meu propósito para a Gruta foi cunhado com um olho em algumas regras dos frades menores e seu mentor, Francisco.:

“Mansidão, gentileza, paciência, afabilidade mais que humana, liberalidade que ultrapassa seus recursos eram sinais de sua natureza privilegiada que anunciavam já uma efusão mais abundante ainda da graça divina nele.”

“E todo aquele que deles se acercar, seja amigo ou adversário, ladrão ou bandido, seja recebido com benignidade”.

“Nem pelo pecado de um irmão, contra ele se irrite, mas, com toda paciência e humildade, benignamente o admoeste e encoraje”. *

Não tenho nenhuma pretensão de ser um São Francisco. Faltam-me a cortesia e a iniciação nos princípios cavalheirescos que o santo possuía, sem falar em sua sensibilidade ao Espírito Santo. Humildemente, imaginei um depositário de palavras boas e capazes de erguer os combalidos de suas mazelas.

* Vitório Mazzuco, em Francisco de Assis e o modelo de amor cortês-cavalheiresco.

לּהּמּ

5 thoughts on “Uma Gruta com propósitos (bons).

  1. Lou, vc é o monge, o pastor, o guia, o porta-voz de Deus dessa Gruta, e é pelo testemunho que vejo em ti que volto aqui sempre.

  2. Lou… meu querido!!
    Eu meio q tirei férias longass… tempos q não te visitava!!

    Sabe meu amigo… uma das coisas que mais me emociona… é ter conhecido vc e seus escritos. É bom demais estar na sua gruta… agora mesmo vim deitar aqui dentro e como sempre me sinto ótima!! Já estava com saudades!! por isso digo… A sua gruta por mais q vc não saiba… tem propósitos que as vezes fogem da expectativa! A de cativar!!

  3. Acho que o maior impecilho para a sua pose de franciscano é que vc já nasceu pobre, e o santo era podre de rico. Assim, é muito mais difícil!
    Eu, por exemplo, pretendo ficar milionário com a mega sena pra poder abrir mão e me tornar um legítimo franciscano. Enquanto a grana não vem, vou ficando por aqui, na Gruta mesmo.

  4. Alice, Poliane e Rubinho

    Graças à Cia. Telefonica, continuo na base da conexão discada e não posso ficar muito tempo, pois a linha fica ocupada, sem falar na velocidade, digo, lerdeza da conexão. Mas vocês todos moram no coração da Gruta e também no meu. Também espero receber meu plano lotérico para me tornar um grutense melhor, afinal que mérito há em fazer voto de pobreza quando já sou pobre. Ando pensando, seriamente, em fazer um voto de riqueza. Aí sim, vai valer. Quem sabe depois dessa experiência, poderia vir um voto de pobreza? Mas sem radicalismos, certo? 🙂

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