Um pouco sobre a vida de Vincent Cheung


Em um Quiz no Facebook, sobre qual o teólogo que mais parecia comigo, em termos de similaridade teológica e o resultado foi: Vincent Cheung. Não sabia quase nada sobre esse cara. Desde então, não paro de ler os livros dele e, pelo tanto de livros que já escreveu, lerei por muito tempo ainda. Não quero ficar igual a ele, apenas aprender mais. Percebo semelhanças com ele, em minha maneira de abordar e fazer teologia. Como somos cristãos, tanto para ele como para mim, isso influencia nossas vidas e acabamos resolvendo nossas vidas de forma parecida. Se bem que ele vive em Boston e eu em São Paulo.


O texto que segue é um email enviado pelo Felipe Sabino ao Vincent Cheung – encaminhando algumas indagações de uma pessoa a respeito da vida do autor – com sua respectiva resposta. O email é de abril de 2009. 

 

Indagações de um leitor de Vincent Cheung: Encontrei um material que dá mais pistas sobre a vida do misterioso (mas, é claro, muito estimado) Vincent Cheung.

Lendo o livro Doutrina e Obediência, deparei-me com um capítulo intitulado “De graça recebeste, de graça dai”, onde Cheung explica:

 

Mas outra razão pela qual tenho sido bem-sucedido em meus estudos é porque, na sua providência, Deus tem providenciado para mim os meios e as oportunidades para adquirir uma abundância de recursos intelectuais. Isso é pertinente para a nossa presente discussão.

Minha biblioteca particular inclui algumas centenas de teologias sistemáticas, as coleções completas ou quase completas de Calvino, Owen, Edwards, Clark, Schaeffer, Warfield, Spurgeon e muitos outros teólogos e pregadores; inclui quase todos os comentários bíblicos proeminentes, clássicos e contemporâneos; as obras completas de Platão, Aristóteles e outras obras importantes de filosofia; as obras dos pais da igreja primitiva, várias coleções de enciclopédias, vários livros obscuros e muitos outros escritos.

Tudo isso somado dá por volta de 15.000 (quinze mil) volumes. Isso não inclui o material que tenho em formato eletrônico, revistas de teologia, e palestras e sermões em áudio. Provavelmente, algumas pessoas têm mais do que eu tenho, mas duvido que a maioria das bibliotecas particulares tenha um décimo do que isso.

Ok, esse cara tem apenas 32 anos de idade – um ano mais velho que eu! O que suscita a pergunta: onde ele consegue dinheiro para ter tantos livros? E esses tipos de livro são bem caros! Ter a obra completa de Calvino (todos os livros em capa dura) custa milhares de dólares. Coleções de enciclopédias (não em CD ROMS) também custam milhares de dólares cada coleção.

Se ele tem apenas 32 anos, quando ele teria tido a oportunidade de trabalhar em um emprego para ter renda passiva [1] que o sustente e permita que ele compre esse livros? Sua renda deve ser passiva, porque o seu ministério é de tempo integral, então ele não trabalha em um emprego normal (Acho que ele já mencionou isso anteriormente). Ele não recebe nada do seu ministério, porque é tudo de graça. E eu não acho que ele poderia ter tido um emprego nos seus vinte anos porque ele estava lendo demais e já escrevia coisas para o seu ministério. Uma profissão geralmente toma muito tempo de uma pessoa.

Então, a única conclusão a que consigo chegar é que seus pais devem ser ricos e podem ter dado a ele dinheiro ou ele pode ter herdado isso. Caso contrário, não vejo como ele pode fazer tudo isso.

Resposta de Vincent Cheung:

Isso é engraçado. Mas eu não me importo em responder.

Desde aquele tempo minha biblioteca cresceu para mais de 30.000 (trinta mil) volumes. Agora eu aluguei uma sala perto de casa apenas para guardar os livros. Mas a sala não é nem de perto grande o suficiente para guardá-los em prateleiras como em uma biblioteca, então eles precisam ficar em caixas. Algumas vezes leva quase uma semana para encontrar um livro que eu quero.

Sim, meus pais são ricos se comparados a muita gente. Eles possuem vários apartamentos e dirigem Mercedes, Porsche, etc. Meu irmão mais velho trabalha para um banco e tem um enorme salário. Eu poderia ter seguido um caminho similar, e é mais do que provável que estaria recebendo um salário de seis dígitos hoje. Mas deixei esse caminho quando Deus me converteu e me chamou para o ministério, sendo que as duas coisas me vieram no mesmo dia. Contudo, nunca considerei aquele caminho muito atrativo. De fato, eu estava perdido quanto ao que faria da minha vida, apesar de que o que se esperava de mim era muito claro. Agora percebo que Deus tinha algo a mais para mim desde o começo. Assim, comecei o ministério no colégio, no ensino médio, e nunca trabalhei por um salário em toda a minha vida, apesar de já ter trabalhado sem ser pago em cozinhas, em distribuições de correspondências, etc. Não me importo em trabalhar, de forma alguma.

No entanto, o dinheiro para os meus livros e ministério não vem de meus pais. Durante os anos em que eu estava no colégio e na universidade, eu distribuía de graça centenas de fitas com sermões a cada ano (hoje as pessoas não usam fitas).

Eu pagava por tempo na rádio, tanto em estação de ondas curtas como em uma estação forte em Boston. Quando comecei com a impressão de livros, eu os distribuía de graça também. É verdade que minha renda não vem da venda de produtos, mas eu tenho uma renda – ela vem de doações voluntárias de pessoas que apreciam o meu trabalho.

Algumas vezes, essa doação pode ser substanciosa. No colégio, uma senhora sozinha me dava $2000 USD todo mês. Eu não pedi por isso, e não peço dinheiro. Eu já rejeitei dinheiro antes, e tenho enviado o dinheiro de volta quando eu acho que, por alguma razão, não devo aceitar o dinheiro da pessoa naquele momento.

Algumas vezes, quando algumas pessoas quiseram me mandar uma grande quantia de dinheiro, eu pedi a elas para que reconsiderassem e pensassem a respeito do que estavam fazendo, e aceitei apenas quando fiquei satisfeito que elas tivessem feito isso. Parafraseando Abraão, que nenhum homem diga que enriqueceu a Vincent Cheung.

No entanto, passei por perigo várias vezes. Minha conta bancária chegou abaixo de $2000 USD por diversas vezes, e algumas vezes abaixo de $1000. Para algumas pessoas isso talvez não seja ruim.

Mas lembre-se que eu não recebo salário e por isso não há nenhuma renda a se esperar – nunca esperei por uma renda em minha vida. Não há nenhuma promessa de renda para mim agora, nesta semana ou no próximo mês.

Até agora, ainda não há nenhuma organização para a qual eu trabalho como um empregado e que me pagará um salário, visto que eu detenho e sustento tudo o que eu opero.

Se o dinheiro se esgota, minhas contas ainda permanecem lá. Com todas as despesas, e lembrem-se que eu vivo em Boston, um lugar bem caro para se viver, o dinheiro pode acabar de 2 a 6 semanas. Mas, cada vez, Deus move o coração de alguém para me enviar uma oferta, e nunca me faltou nada.

Por um lado, nunca fui de desperdiçar. Por outro, nunca precisei baixar meu padrão de vida quando o dinheiro era pouco. Como minha esposa pode testificar, conhecendo-me por tantos anos, eu nunca nem mesmo vacilei quando o dinheiro era quase zero.

Continuei agindo e gastando normalmente. Apesar de eu não ser contra adaptações quando necessárias, isso nunca foi preciso. Ele é aquele que me chamou para dedicar minha vida inteira ao ministério.

Então, como Abraão disse: “O Senhor proverá”. Se ele permitir que eu passe fome até morrer, isso significará apenas que meu trabalho estará terminado e eu posso ir para casa para estar com o Senhor.

Sinta-se livre para enviar esse email para o irmão curioso. Espero que isso o encoraje – o mesmo Deus que mandou maná para o seu povo, o mesmo Deus que alimentou o profeta Elias, é o mesmo Deus que suprirá todas as nossas necessidades de acordo com suas riquezas em glória por meio de Cristo Jesus. E porque Deus é a nossa fonte, nós podemos perdoar, ser generosos, e ser corajosos na obra do Senhor.

Vincent Cheung

Traduzido por Saulo Rodrigo do Amaral

 

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.

Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. Escolas e Universidades praticam o monopólio dos diplomas e a ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá.

Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman.

Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para desejar estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Eu viajei e ainda pretendo viajar.

Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Talvez sinta falta do Thomas, tanto quanto eu sinto.

Além de lecionar (Ef. Física e Teologia), ensinei organizações não lucrativas a fazer amigos para ter sustento e, também, tentei ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho em treinar professores em prática de ensino, quem sabe…

A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.

Gosto música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável para mim, e ainda me surpreendo com as pessoas lendo meus escritos, comentando, enfim.

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