A Gruta do Lou

Um miserável vagabundo

Falar como se tudo pusesse ser resumido a mim mesmo pode ter consequências imprevisiveis.

Mais uma vez, recebi um delicado E-mail automático do servidor avisando o excesso de tráfego por uma de minhas caixas postais e solicitando minha verificação para evitar possivel ataque de spans. Como das outras vezes, eram E-mails de meus leitores e leitoras preocupados com meu casamento e minha situação financeira. Nada muito pragmático. Fiz uma estatística e apurei uma incidência de 76% em vamos orar, 12 % estamos torcendo por você e os 12 % remanescentes classifiquei como outros, entre estes, um cara me mandando trabalhar e deixar de ser vagabundo, como sempre acontece, quando escrevo sobre esse tema.

Minha utopia se refere a divagações e ilusões estapafurdias de estar falando a pessoas com esses problemas. Então, me faço fraco com os fracos e falo de minhas mazelas, não sem usar da ficção aqui e ali, para uma total identificação. Ledo engano. A maioria pega ao pé da letra e senta a pua. Para inicio de conversa não tenho qualquer problema de relacionamento conjugal, pelo menos não tinha, até receber os E-mails. Apenas mencionei o idiota do Murdock falando algo sobre pessoas com problemas no casamento. Depois, se brinco com minhas incoerências e falta de sorte melhor, faço-o em nome da decência e, em última análise, como um constante grito de socorro. Você nem imagina como, em certos momentos, isso tem livrado a minha cara de outras vergonhas. Sabe, algumas almas podem ser extremamente bondosas e desprendidas, a ponto de caminhar mais um quilômetro comigo ou tirar a roupa do corpo para me abrigar do frio.

Descobri um secreto prazer de Jesus. Ele prefere os párias recebedores aos santos doadores. Serei como Lázaro, não o morto, mas o pobre que enricou na vida pós morte. O Nazareno, como costumava ensinar John Stott, praticava uma espécie de contra cultura. Todo mundo pensa que é bom dar, enquanto ele entende ser melhor receber, afinal dói muito mais. Os habitantes do paraíso adoram sofredores.

Ao leitor sincero e sem educação que me chama de vagabundo agradeço por tornar minha ida ao céu uma certeza. Deus não irá me deixar nas mãos de Satanás e sua turma de chifrudos graças a pessoas exóticas como você. Seus insultos são libertadores e salvadores, embora eu, honestamente, preferiria estar em seu lugar ofendendo pessoas endividadas e ferradas, às vezes, ao invés de estar entre elas.

Deus é bom, não comigo posto que não mereço nenhuma benevolência celestial, devido a um currículo meio contaminado por certas travessuras contra o Talmude e a Torá. Foi assim que consegui um lugar entre os desvalidos e maltrapilhos espirituais e materiais. Não fui padre, nem poderia ter sido, jamais seria aceito entre gente tão isenta. Nem o exército me aceitou em seus quadros. Imagine as missões e igrejas então. Como posso culpá-los de não terem me suportado? Depois de ter passado por algumas igrejas, convivendo com pastores e suas esposas, acredita que não recebo um telefonema ou ao menos um E-mail sequer de qualquer um deles? Outro dia cruzei com a esposa de um desses lordes, ela foi amável comigo e repetiu para eu aparecer na igreja deles, umas três vezes. Estranho, até hoje, esse negócio de ser convidado para ir a uma igreja. Gosto mais de ser convidado para um jantar ou mesmo um café na casa de uma família amiga. Não sou mesmo desse mundo, Jesus estava certo, pelo menos nisso.

Provavelmente, estarei trabalhando quando você ler esses versos desconexos. Será o primeiro trabalho remunerado da semana, mas terá valor inestimável para mim, ainda que a remuneração não nos ajudará muito. Apenas evitará outro fim de semana na penúria. Sinto deixá-los em suas misérias, mas ninguém é de ferro e muito menos eu. Deus será mais misericordioso com você do que tem sido comigo. Muita paz queridos.

5 thoughts on “Um miserável vagabundo

  1. hahahahahhaha, enquanto eu estiver lendo esse seu post, vc estará era dormindo com essa diferença de 5 horas.

    Bom dia!!!

    Está certo, é que eu escrevi o post com muita antecipação e não considerei bem todas as variantes. Eu aprendo devagar mesmo.

  2. Lou,

    reafirmo o que disse no Post anterior: Problema conjugal é pleonasmo.
    O (problema do) casamento envolve as quatro operações matemática adição, subtração… multiplicação e divisão. Muitos são tão obsecado com essa última que o casamento acaba terminando na divisão.
    Como você colocou a questão de forma geral, também fiz meu comentário de forma geral, não se referindo nem a você nem a mim. E você logo emendou que seu casamento vai bem.
    Afinal, sabemos administrar bem os probleminhas que surgiram.
    Aliás isso é o que todo marido pensa e diz. Mas geralmente as mulheres tem uma pequena dificuldade para entender e concordar com isso…

    Minha intenção, na verdade, foi direcionada a um leitor que me enviou e-mail perguntando se meu casamento estava atravessando problemas. O post deixou-o em dúvida, então achei melhor desfazer qualquer má impressão. Sem dúvida, o casamento é uma construção a dois e importa a opinião do casal, como um todo e, muitas vezes, precisamos conviver mesmo com opiniões diferentes. Claro que toda mulher se apega nessas minúcias (aluguel, luz, água, condomínio, comida, roupa, plano de saúde, carro, etc. etc.), mas faz parte.

  3. Baita esclarecimento!

    Amanhã volto aqui… afinal,trabalhar deixa os neurônios meio aquecidos!
    Bom trabalho aí tbm Lou!
    Esquenta com esse povo s/ noção não!

    Foi só o cumprimento meio inconsciente de um mandado do meu pai interior: Nunca leve desaforo para casa, ou para seu PC, no caso. 🙂

  4. Opa não consigo entender essas histórias de inverdades verdadeiras e etc mas mesmo assim Deus abençoe você ae sempre.

    Bom meu, essa sua atitude imprudente de comentar aqui, gerou a inclusão compulsória do seu blog em minha lista no Bloglines (e outros mil bronwsers desse tipo) e estará sujeito a inspeções diárias. Entretanto, agradeço sensibilizado sua presença. Uma honra para esse humilde servo. Abraço…. ah, Deus abençoe você sempre, também.

  5. Eu só queria entender porque uma pessoa se interessa pelo casamento de outra. Eu só posso deduzir que ou ela está interessada em você, ou na sua esposa. Ou em ambos, claro, as pessoas são insaciáveis.

    seria o famoso “quem desdenha quer comprar”, né?

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