Um grande presidente

Tenho um sonho, há muitos anos. Gostaria de ver o Brasil sendo governado por um grande presidente.

O que seria isso? Como classifico um grande presidente?
Para mim, seria um estadista. Alguém disposto a dar a própria vida pela pátria, se necessário, mas disposto a buscar, incansavelmente, o alicerçamento suficiente à uma grande nação.

Já li várias biografias de presidentes estadistas, de grandes reis e outros bons governantes, os quais lograram êxito em preparar seus países para serem o que são hoje.

Um deles em especial e por circunstâncias fora de meu controle, tornou-se o exemplo mais forte para mim. Paradoxalmente, trata-se de um ex-presidente norte-americano. O nome dele é Abraham Lincoln.

Desde cedo estudei, li e me interessei pelos assuntos relacionados ao bem estar social das nações. Entendi logo como era perverso o sistema estrutural de nossa sociedade. Entendi o problema da mais valia e da concentração dos meios de produção nas mãos da minoria. Nunca tive como opção um regime comunista ou comunitário de estruturação social. O capitalismo experimentado por nós é perverso, igualmente. Atualmente, estamos organizados , mais ou menos, em um sistema comunitário para o enfrentamento das questões sociais e vejo minhas restrições a esse sistema se confirmando.

Mas Lincon percebia, de forma rara, uma questão essencial a ser resolvida lá na base do desenvolvimento da nação norte americana: a libertação dos escravos. Não apenas no sentido discriminatório, mas como um modelo social a perseguir de direitos iguais. A isso se somou a anterior declaração de independência dos Estados Unidos e depois a constituição americana. Sempre voltados para a questão da igualdade de direitos e à liberdade. Isso nunca significou pessoas iguais, como querem algumas outras propostas. Significa direitos iguais, sob os quais, cada um organiza sua vida com liberdade de escolhas.

Quando estive em Nova Iorque, pela primeira vez, fiz questão de ir ao Lincon Center e sentar lá quase uma tarde inteira. Assisti shows, em um palco livre, muito bons por sinal, tomei cerveja norte americana e respirei os ares do lugar. De Louisville a Indiana no Kentuchy a distância é pequena. Quando estive lá, visitei a casa em que Lincoln nasceu e morou no início de sua vida. Aproveitei para tirar essa foto ai acima, nela estou sentado em uma cadeira onde, dizem, Lincoln costumava sentar. Tentei sentar ali como se fosse ele e, durante algum tempo, me coloquei em posição para receber as inspirações linconianas. Não para ser um presidente. Mas para funcionar como um transmissor de conhecimento mais preparado. Fiquei alguns bons minutos admirando a bíblia de Lincoln. A parte de baixo onde se costuma esfregar os dedos para abri-las estava gasto em grande proporção. Fiquei imaginando quantas vezes aquele homem buscou inspiração, orientação e consolo, ali.

Nunca tivemos um presidente com a estatura moral de um Abraham Lincoln. Muito longe disso, nossos presidentes primaram por sua timidez e medo em assumir riscos e defender o povo sem reservas.

Estamos em vias de escolher nosso presidente, mais uma vez. Como em todas as anteriores, não teremos a opção de eleger um presidente estadista, em nenhuma das opções. Deus não está disposto a olhar por nós, nesse quesito. Não sei quais os critérios dele, nesses casos. Desconfio que prefira não interferir em assuntos internos de um país. Também não sei se adiantaria alguma coisa montar uma rede de orações e jejuns para demove-lo de sua divina posição.

Caminharemos, mesmo, como ovelhas em direção ao matadouro, no dia da eleição, para escolher mais um não presidente. Depois, passaremos mais quatro anos reclamando com Deus, a nossa sorte.

 

 

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