A Gruta do Lou

Deus e sua pérola incomum

Deus e sua pérola incomum
English: Hudson Taylor alone at night is searc...
English: Hudson Taylor alone at night is searched by a thief. (Photo credit: Wikipedia)

20/05/2013


um mês, tomei consciência de Deus e sua incomum boa nova através da forma mais dura e insuportável possível, a perda de um filho amado. Antes disso, o Deus que conhecia era outro.

Por mais incrível que possa parecer, Davi foi rei de Israel e tornou-se personagem bíblico, também. Quem visita Israel, coisa difícil e arriscada em nossos dias, ouvirá falar muito de Davi. Pelo jeito Deus tinha particular afeto por ele.090113_0305_UmDeusesuab1

Um fato marcante na história desse senhor, a meu ver, dentre tantos, é o caso do primeiro filho dele com Bate-Seba, fruto do adultério entre os dois. A criança tinha uma provável doença congênita grave e Davi jejuou e implorou pela vida do menino, mas sete dias depois do anúncio da profecia de Natã dando conta da morte do menino em consequência desse pecado de Davi com a mulher de Urias, ele faleceu. Não houve paz duradoura na vida de Davi, depois disso.

Parece-me injusto com o menino ele morrer por causa do pecado dos pais. Essa não seria a prática mais comum da parte de Deus. Tampouco esse não viria a ser o único caso de perda na vida desse homem. Há o caso de Adonias, filho mais velho de Davi, ele deitou-se com as esposas do Rei, usurpou o trono e cometeu todo tipo de torpeza até morrer, para desgosto de seu pai. De novo, e apesar do sofrimento de Davi pelo filho, como sofreu, Deus parece ter sido implacável ou o pecado é mesmo consequencial.

Não estou dizendo ou criando alguma nova teologia onde Deus mataria os filhos dos pais pecadores, se é que ela já não exista. Assim fosse, não haveria mais seres humanos na face da terra, nem estou a afirmar ser essa a razão quando o filho de alguém morre. O pecado terá sido a razão? Não sei se creio nisso.

Chama a atenção Deus não ter poupado o próprio filho, tampouco aos de Davi e de outros importantes personagens bíblicos, quer no Antigo quanto no Novo Testamento. Muitos anos atrás, no auge da euforia de um Cristo salvador em minha vida, descobri na sua morte vicária o incompreensível amor de Deus, nos gritos surdos do Rabi nazareno: “Pai, por que me desamparaste?”

A história da igreja está toda manchada com sangue e morte dos filhos de seus missionários e servidores fieis. Gente que apesar disso, continua anunciando as tais “Boas Novas” enquanto seus corações sangram sofrimento. Hudson Taylor arriscou tudo, começando por sua própria vida e foi evangelizar os chineses na terra do sol nascente. Entre outras dores, deixou enterrados lá dois de seus amados filhos. Mais uma vez, o Pai celestial não poupou quem mais lhe devotou louvores e serviços.

Na lógica divina parece não haver olho por olho e dente por dente. Para o divino não há pactos, nem acordos, muito menos arranjos furtivos. Quem serve sofre. “Quem quer viver piamente em Cristo Jesus padecerá perseguições.” E Paulo nunca falou mais sério em toda sua vida de servidão e dor. O cara naufragou três vezes, foi mordido por cobra venenosa, preso um monte de vezes e, finalmente, decapitado.

Infelizmente os missionários não contam essa parte quando apelam para servirmos ao inocente Salvador da humanidade. A raça humana foi amaldiçoada quando flertou com o diabo via pecado. Voltar à vida eterna e ao paraíso requer sangue e sangue de Cristo. Quem quer segui-lo, toma a sua própria cruz e segue a dele. Ela contém sofrimento e morte de vidas preciosas.

Como vender esse plano? Quem o compraria? Que igreja se ergueria sob esse evangelho? Com um Deus sem intenção de facilitar com seus servidores mais próximos e, sequer, poupa seus filhos?

Não faz nenhum sentido o evangelho triunfalista da prostituta. Aquela mulher arrumou a sua cama para pecar com lençóis de linho puro, banhou-se, perfumou-se e vestiu seu melhor vestido. Como a aranha atraindo a sua presa e a fisgando em sua teia mortal, ela vai tirando cada uma delas do seu caminho. Atravessou dois milênios fazendo suas vítimas e ainda não saciou sua sede e ira, enquanto esconde a verdadeira porta para a liberdade.

Para um Deus cuja indulgência é graciosa e plena, independente de atos, cultos ou louvores, só aqueles que estão dispostos a despojar-se confiantemente de seus valores estarão aptos a servi-lo. Gente assim não oferecerá facilidades ou recompensas ao povo. “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos e eu os aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo que é manso e suave”. Mas ainda assim é jugo, e jugo pesado.

A boa nova é o Reino de Deus eterno, sem dúvida e ele não está à venda e não pode ser conquistado, tampouco. Ele foi o primeiro a dar tudo em favor de quem não titubeou em traí-lo. Mas é como o cara que achou a pérola de maior valor. Ele foi e vendeu todas as suas posses e com o produto a comprou. Eis a mensagem.

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