A Gruta do Lou

Um coração autenticamente corinthiano


No próximo dia 17, meu filho Thomas será internado no Hospital Beneficência Portuguesa onde, sob coordenação da equipe de cardiologia do Dr. José Pedro da Silva, iniciará os preparativos com vistas à mais uma cirurgia (a terceira). Estamos muito esperançosos e confiantes. O Dr. José Pedro avalia que o Thomas deverá melhorar muito com essa cirurgia.

Quando meu filho nasceu e descobrimos que ele tinha uma má formação congênita no aparelho circulatório, envolvendo coração e os principais vasos sanguíneos, fiquei chocado. A médica pediatra responsável pelo berçário, naquele dia, me explicou que ele tinha algo no coração e que seria necessário transferi-lo para avaliação de uma equipe de cardiologia especializada. O médico obstetra que fez o parto foi o Dr. Paulo Pereira de Andrade e ele, pessoalmente, fez os arranjos junto à equipe do Dr. Antônio Carlos Carvalho, no então Hospital São Paulo, para interna-lo lá.

Depois da avaliação, com direito a reunião da equipe toda, resolveram interna-lo na UTI pediátrica para observação. O Dr. Carvalho me informou, após ecocardiograma, que ele tinha uma cardiopatia complexa, ou seja, uma dupla via de saída no ventrículo direito, estenose na pulmonar, CIV e PCA. O sintoma mais evidente era uma cianose intensa. Portanto, seria necessário fazer uma cirurgia paliativa para uma posterior correção. Depois de cinco dias, resolveram dar alta da UTI e do hospital. Ele tinha os sinais vitais bons, mamava bem e não tinha porque permanecer internado. Nós o levamos para casa após o almoço e na hora do jantar estávamos de volta ao hospital, assustados, sem saber se ele estava bem ou não. Estava bem e voltamos para casa com ele.

Demorou um pouco para nos acostumarmos com ele. A rigor, o Thomas nunca teve nada que assustasse, fora os procedimentos cirúrgicos e exames próprios ao problema dele. Recentemente ele teve uma descompensação causada por um inicio de anemia somada a uma desidratação inoportuna e febre alta, o que nos levou ao Hospital da Unimed em Sorocaba. O pessoal da emergência reequilibrou-o e voltamos todos para casa no mesmo dia. Foi só.

As duas cirurgias anteriores foram paliativas, na verdade. Nas cardiopatias congênitas as cirurgias possíveis estão divididas em dois grupos, as corretivas e as paliativas. Cabe aos cirurgiões optar pela mais indicada a cada tipo de cardiopatia, considerando um monte de fatores importantes. A primeira cirurgia do Thomas foi aos oito meses, em 1989 (Blalock). A segunda aos oito anos, em 1996 ( O plano era uma Fontan, mas ficou em uma cavo-pulmonar). Após essas duas cirurgias houve considerável melhora da cianose, mas aos poucos ela voltou, nas duas vezes. Outros sintomas deixam claro a necessidade de um novo procedimento, sem falar no fato de que o conhecimento e o tratamento das cardiopatias congênitas cresceu muito, nos últimos anos e o Dr. José Pedro da Silva tem se destacado muito nesse meio.

Agora o plano agora é uma correção, aproveitando parte do que já está feito e introduzindo Rastelli e mais alguma coisa. Não sei muito mais do que isso, obvio. Com essa intervenção, o ventrículo direito deverá ter funcionamento pleno, com a veia cava inferior voltando ao seu lugar de origem, ou algo parecido. Claro que o cirurgião terá uma ideia completa quando estiver olhando o coração ao vivo e em cores. Isso pode fazer toda a diferença. Ele pretende encontrar o foco exato da cianose para eliminá-la, se possível. O mais importante é que o coração do Thomas continue sendo corinthiano.

Após a cirurgia, haverá um período de UTI, ocasião em que o corpo com todos seus órgãos, sobretudo os mais importantes, precisarão se adaptar à nova circulação decorrente da cirurgia. Quando os ganhos forem considerados satisfatórios, com a retirada dos instrumentos de medição e controle, ele deverá passar algum tempo na enfermaria, antes de voltar para casa.

A companheira mais frequente de nosso filho durante esse tempo deverá ser a Dedé, que além de mãe é uma grande amiga, enquanto eu procurarei ficar o mais perto que puder. Mas o meio de campo entre eles no hospital e a nossa casa em Sorocaba, ficará por minha conta.

Somos cristãos, tementes a Deus, e coloco tudo nas mãos dele, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele estará presente em todas essas fases através de seu espírito e controlará tudo e todos. Estou certo disso. Somos todos humanos e como tal reagiremos, como sempre. A melhor ajuda e apoio que as pessoas, amigos, irmãos, parentes, companheiros das redes sociais, etc., poderão nos dar será através de suas orações. Infelizmente, não podemos incentivar as pessoas a visita-lo no hospital. Sob todos os pontos de vista, isso não será a melhor coisa a fazer.

Desde já, agradeço o interesse de todos, em especial a tudo que vocês têm feito para nos ajudar a enfrentar essa nossa realidade. Quero deixar aqui um beijo grande na careca de cada um e na peruca de cada uma (original ou postiça). Conforme as coisas forem acontecendo, tentarei manter esse site atualizado, enquanto estivermos atravessando a rebentação dessas ondas.

Deus a (o) abençoe abundantemente


Lou Mello

 

OPs: Publicado originalmente no site do Projeto Coração Valente

 

 

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