A Gruta do Lou

Um bonde chamado Santos que desperta um monte de saudades

Peço desculpas aos leitores. Sei que ando escrevendo demais. Também me assusto quando entro em algum blog e encontro um texto enorme pela frente, pior se estiver escrito em letras pequenas e em alguma cor exótica, como o vermelho, a cor predileta de Satanás. Às vezes esqueço que estou escrevendo à uma maioria de brasileiros. Mas sou teimoso e vivo caindo na tentação de achar que ajudarei a mudar essa gente de pouca leitura, fazendo-os ler um pouco. Logo eu que detesto mudar os outros.

Esse veiculo horroroso aí na foto é um bonde. Ele me inspira as maiores saudades. Nunca esqueci os dizeres de uma plaquinha que havia em todos eles, bem acima da cabeça do condutor: “Prevenir acidentes é o dever de todos.” São Paulo e Santos (litoral de S. Paulo a, apenas, 60 Kms distante da cidade) tinham uma malha completa de transportes via bondes. Eles tinham qualidades teológicas, pois faziam milagres em nossas vidas. Com sete anos eu viajava sozinho, diariamente, da Liberdade até a Praça da Árvore, ida e volta, rápido e seguro (exceto quando gastava o dinheiro da passagem e tinha que ficar driblando o cobrador, me esgueirando dele no estribo do veículo). Nós surfávamos em bondes. Pode? Não no teto, mas nos estribos. Era o maior barato. Ele não fazia muito barulho, não poluia e, dificilmente, alguém se machucava com eles.

Quase todas as minhas primeiras emoções, fora de casa, aconteceram em torno do bonde. Até hoje costumo chamar mulher feia de bonde. Mas, no fundo, é um carinho meu. Elas não sabem como eu amei o bonde. Até hoje não me conformo com a burrice dos nossos governantes em retirá-los das ruas e avenidas e, em seu lugar, colocar os ônibus (Auto-Carros), estes sim, monstros sagrados da poluição, do desconforto e da insegurança. Torço para que os metrôs fiquem todos prontos logo e arrasem com eles.

Fiquem com a foto. Acho que ela vale muito mais do que qualquer palavra que eu possa escrever. Se Jesus viesse a São Paulo hoje, seguramente perguntaria pelo bonde.

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6 thoughts on “Um bonde chamado Santos que desperta um monte de saudades

  1. Lou, saudosista… tá lindo demais a sua saudade do bonde.
    Olha, vem prá cá. Düsseldorf tem bonde e deixa a cidade super charmosa. Ah, que os nossos filhos nem vao saber que isso existiu. Deve existir o museu do bonde no Brasil, nao?

    Bom restinho de semana e olha, obrigada pela linda música de fundo. Jairinho é tudo de bom. O grupo Prisma também.
    Acredita que eu os trouxe em long player para cá? kakakkaka

  2. Lou, suas músicas estão o máximo…..
    meu filho ama bondes! de noite vou mostrar a foto pra ele…
    esta foto realmente está sensacional…
    beijos,
    alê

  3. Aqui em Lisboa ainda os encontras: modernos e os mais antigos, nas zonas velhas da cidade.!
    Também gosto imenso de os ver!
    Obrigada por me relembrares em como é bom ter estas coisas nas nossas vidas! 🙂

  4. Ultimamente nada consegue me irritar mais que o tal do ônibus. Aqui em Belo Horizonte tiveram a cara de pau de usar o Jornal do Ônibus, que ficam afixados nestas latas de sardinha ambulantes, para promover uma campanha contra o uso do carro. Deixe seu carro em casa e venha se divertir se esfregando em todo tipo gente ao custo de R$2.

    Dizem que isso é consciência ambiental!

  5. Tem um livro chamado “Bonde, saudoso paulistano”, que também desperta saudades. É cheio de fotos e um texto muito bom. Vale a pena!

    Hum, fiquei com vontade de conhecer esse livro.

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