A Gruta do Lou

Um autêntico missionário brasileiro e a pontualidade


Aviso: A Gruta ficou fora do ar, algumas horas, por excesso de tráfego. Deviam bloquear a cidade que excedesse os limites aceitáveis de tráfego. Enfim, problema solucionado com aumento do espaço disponível e alguns reais a menos no bolso do zelador.

Pessoal sempre pegou no meu pé por causa dos horários. Dizem que sempre me atraso. São todos invejosos. Invejam minha calma. Na verdade, sou fiel aos meus princípios. Quem chega atrasada é a noiva, sempre. Sou um homem regrado e previsível, ou seja, sou pontualmente impontual.

Dizem que em muitos países do oriente médio é muito difícil marcar um encontro. Segundo nossa equipe de pesquisas avançadas apurou, nesses países, quando você marca um encontro para determinado horário, duas horas após, aparece um representante do interessado para avisar que o tal chegará dali à uma hora ou mais. Mas não acredito nisso. Alguém deve ter exagerado.

O Hoover, um canadense e diretor de um Seminário ( que ele comprou do Walter Brunelli) onde eu lecionava, sempre advertia, quando queria marcar um horário comigo, para eu não começar a contar histórias de encontros no oriente médio.

Meu lema secundário é: “Devagar e sempre.” Outro que gosto muito é: “Caipira tarda ma num faia.” O fato mais do que certo é: Você nunca me verá correndo. Não corro em hipótese nenhuma. Rapidez, em mim, só a inevitável ou não controlável. Detesto correrias. Se o atraso está consumado, de nada adiantará atrasar-se menos. Você será rotulado do mesmo jeito. Prefiro ser um atrasado vivo, do que um quase atrasado morto.

Uma vez estava na estação do Metrô com o Daniel da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, de Belo Horizonte. Quando entramos na plataforma tocou a campainha avisando que o trem ia fechar as portas. Ele saiu correndo e tive que correr atrás porque se perdesse o cara, em São Paulo, sei lá quando iria achá-lo novamente. Ele saltou para dentro do vagão e eu atrás, a porta fechou e meu braço com minha mão segurando a mala ficou para fora. Imagine a foto: um trem de metrô com muitos vagões, todas as portas fechadas e um braço com mala sobrando para fora, em uma delas. Logo, vários valentões iniciaram a dança do abre-portas, sem nenhum resultado, claro. Felizmente, o sistema de segurança funcionou e o trem não partiu com meu braço e mala pendentes. As portas abriram-se milagrosamente e pude recolher meu bracinho querido, com minha malinha do coração. Sorte do Daniel é que fiquei com mais vergonha das seiscentas pessoas me olhando com aquela cara de “só pode ser baivano para fazer uma baivanada dessas”do que raiva dele. Se ele não fosse irmão de outro estado, estaria mortinho a essa hora.

Tá vendo porque detesto correr. Quando viajamos com o Irmão André (fundador da Open Doors Mission) , eu sempre chegava depois dos outros ao saguão do hotel, embora chegasse na hora. Um dia, o velhinho fez a observação, inevitável, do fato de eu ser sempre o último a chegar. Cheio de moral, retruquei dizendo que eu estava no horário. Sem perder a fleuma, ele disse que na Holanda, estar no horário é chegar dez minutos antes. Aí entendi. No dia seguinte, desci para o saguão dez minutos antes do horário marcado e já estavam todos lá, me esperando. Não entendi nada. Mas, também não perguntei a razão. Acho que eles estavam de gozação para o meu lado e fiquei na minha. Dizem que na, primeira vez, a vítima foi a anta do Roberto Jakob. Então resolvi não virar o Roberto da vez. Nos outros dias, tratei de descer meia hora antes do horário marcado. Não sei por que, um a um ia chegando com a carinha cheia de sorrisos, ao ver-me lá. Nunca perdi horário de avião, apesar da fama de atrasado.

Mas evito, ao máximo, marcar hora. O Dr. Teófilo, lá da Batista do Morumbi, certa vez, resolveu tratar meus dentes de graça. Problema, é que ele marcava as 07:00 da manhã, todas as minhas consultas. Ele atendia na zona sul da cidade e eu morava na zona oeste. Tinha que levantar às 04:30 da matina (eu detesto levantar cedo) para conseguir chegar na hora. Um dia, atrasei dez minutos, devido ao transito na marginal ou qualquer outra razão (uma via sempre congestionada em S. Paulo). Quando entrei para a sessão de torturas, ele me deu a maior descompostura pelo atraso e nem me deu chance para dar uma desculpa esfarrapada, qualquer. Nunca mais apareci lá.

Sei que os ingleses adoram curtir uma pontualidadezinha. Eu prefiro curtir minha mulher, um bom vinho, pizza, um livrinho e meu Corinthians. Cada um com suas manias.

Pior era o Jasiel. Andando com ele, ao passar por uma igreja, ele grita. Putz! Esqueci. O que? Eu tinha que ter pregado nessa igreja o mês passado e esqueci. Ainda bem que ele nunca esqueceu de me pagar. Aliás, sempre foi holandês nisso. Deixa eu parar agora. Estou atrasado para meu compromisso. Bom… como já estou atrasado mesmo, vou aproveitar e parar para tomar um café capuccino, no caminho. Dez minutos a mais, dez a menos, nessa altura…

7 thoughts on “Um autêntico missionário brasileiro e a pontualidade

  1. hummm…
    isso tudo p’rá dizer que você se atrasa, Lou?
    ora, não se preocupe: você está no Brasil!
    🙂
    🙂
    beijos,
    alê

  2. Oi Lou, eu tb estava fazendo parte do povo que estava aglomerando a Gruta ontem, e nem consegui entrar de tanta gente na fila. Depois de tentar umas 3 vezes e prá nao chegar atrasada nos outros blogs decidir voltar hoje e bem cedo antes que tivesse muita gente por aqui. KKKKKK
    Gostei demais do seu texto. Leve e descontraído.
    Boa semana pra vocês.

  3. Ô Lou, a gente aqui de Belzonte não está acostumado com essa correria de São Paulo. O Daniel só correu porque achou que era costume local. Sabe como é, dizem que em Roma devemos agir como romanos…

  4. É impressionante como a blogosfera é minuscula!!
    E descobrimos que todos se conhecem!!
    E as surpresas vão surgindo… e descubro que vc é blogueiro cristão!! Que benção!! hehehe
    Vc tem orkut?? se tiver… Vc precisa fazer parte da minha comunidade “Blogosfera Cristã”!! Vou tentar te achar por lá e te mandar o link!!
    Bjsss
    Bless

  5. Poliane
    De fato, a blogosfera fica pequena e nos encontramos, por um caminho ou outro. Já achei a comunidade e fiz minha proposta para participar, você precisa me aprovar. Cuidado nessa decisão. 😀
    Abs

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