Todos têm direito a oxigênio


Será? Bom, no nosso caso, que dependemos dos nossos narigões para sugá-lo da atmosfera, pode ser, tirando o probleminha da poluição, lógico. Mas para gente como meu filho, cardiopata congênito com cianose intensa (hipóxia) o bicho pega. Ultimamente ele tem apresentado sintomas, cada vez mais intensos, dizendo que sua circulação precisa de alguma ajuda oxigênica. Igualmente a ele, milhares de cardiopatas congênitos cianóticos encontram grande dificuldade para melhorar a taxa de oxigenação. Sem falar no pessoal portador de problemas respiratórios.

Meu filho estava, na semana passada, com um índice entre 59 e 65 quando o mínimo aconselhável é 80. O pessoal do INCOR quando vê um anjo azul como ele, se agita todo e receita oxigênio diário, no mínimo 12 horas e urgente.

Embora seja a matéria prima presente em maior abundância, no nosso planeta, apesar do pessoal que insiste em não preservar essas reservas, trata-se de um dos mais caros, quando você precisa adquiri-lo engarrafado. Ele costuma ser distribuído em umas garrafas gigantes de metal, conhecidas como torpedos. Como o preço de uma geringonça dessas cheia de oxigênio é proibitivo para mais de 99% da população brasileira, ficou a cargo do SUS (Serviço Único de Saúde) distribuir a quem precisar e arcar com o custo, através de verbas providas pelo tesouro nacional, que é construído com dinheiro adquirido através dos impostos pagos por todos os infelizes brasileiros, inclusive os necessitados dessas coisinhas vitais, enquanto nossos políticos voadores estão em busca de nossos votos.

Nós solicitamos o serviço para nosso filho há quase um mês e, claro, ainda não vimos nem cheiro desse gás dos deuses. Cabe a prefeitura de Sorocaba (a cidade onde ainda moro, compulsoriamente) gerenciar a coisa toda. Então, eles têm uma empresa (lucrativa) contratada para fornecer os torpedos, que por sua vez, acerta as contas lá no paço municipal. Para liberar o fornecimento, como em qualquer serviço público em terra colonizada por nossos irmãos portugueses, holandeses, espanhóis, italianos, alemães, etc., há uma burocracia complexa, bem confusa e acho bom nem tentar entendê-la.

Claro que você e eu imaginaríamos que, em uma situação dessas, essa transação não deveria demorar mais do que algumas horas, com um ou dois telefonemas ou E-mails e o torpedo atingindo o alvo em cheio. Mas a realidade não se parece nada com isso. Suspeito que meu filho não verá um torpedo de perto, enquanto estiver precisando dele em casa.

Essa é a realidade de milhares de brasileiros portadores de cardiopatias congênitas, embora sem confirmação oficial, geradas pelos mesmos senhores que agora nos negam o oxigênio, não diretamente, mas via suas maracutaias costumeiras, pois é muito provável que esses males provenientes de má formação fetal sejam ocasionados pelos mesmos agentes causadores de todas as doenças que andam por aí dizimando a população mundial. Bobagens como transgênicos, hormônios, clorofila, e sei lá mais quantas coisas estão nos dando para que os deixemos viver em paz, sem ter que esbarrar em nossos corpos repugnantes. Salvo engano.

O que você pode fazer por meu filho, por mim e por todos os portadores de cardiopatias congênitas necessitando de oxigênio? A rigor nada, a menos que deseje nos pagar uma pizza para amenizar nossa angústia, enquanto nossos queridos vivem com taxas vergonhosas de oxigenação, sem qualquer dose de humanidade das nossas “otoridades”.

Você deve estar imaginando para onde eu gostaria de mandar essa gente que só pensa em eleição, copa do mundo, olimpíadas e a vida privada dos nossos jogadores de futebol, mas como sou cristão, os mandarei para o inferno, apenas.

Espero que, pelo menos você, fique com Deus.

Um beijo na careca

Lou Mello

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