Título: Um Brasileiro em Viena

João Ubaldo

 

5º Dia do Jejum, pró abertura dos Comentários na Bacia das Almas, completado. -> As dores da abstinência diminuíram.

Graças a influência da Dedé, há um escritor brasileiro que gosto bastante, o João Ubaldo Ribeiro.
Sabe, sou daqueles que não se ufana com a mãe pátria. Bem ao contrário.

Sempre preferi viajar em Cias. Aéreas estrangeiras para diminuir a convivência com os patrícios. Como dizia meu amigo argentino Hernan (que na época só viajava para Buenos Aires de Varig): eu não aguento ouvir conversas em espanhol. Pois tenho o mesmo problema com gente conversando em português, do meu lado.

Para mim a literatura brasileira é muito pobre. O número de autores proeminentes não chega a dez. Tem Machado de Assis, Érico Veríssimo, Euclides da Cunha, Jorge Amado, Orígenes Lessa, Mário de Andrade, João Guimarães Rosa e muitos outros, como costumamos dizer. Claro que tem um monte de escritores bons, cultos e capazes por aí. Mas poucos os conhecem.

Só não suporto quando enfiam Chico Buarque, Caetano Velloso e Fernando Sabino nesse rol. Bom, os dois primeiros ainda fizeram umas musiquinhas boas, agora o outro, só aquela lazarenta da D. Diva (professora de português no Vocacional) podia gostar.

O José Saramago estava ficando velho e desesperado porque começou a perceber que poderia morrer sem ganhar o prêmio Nobel de Literatura, além de ficar com a glória de ser o primeiro escritor de língua portuguesa a conseguir o feito.

Alguém soprou no ouvido dele que seu maior rival seria o Jorge Amado, de longe o melhor escritor em língua portuguesa. Problema é que o Jorge fazia nos livros o que não fazia em casa, ou seja, só sexo. Fora aquela tranquilidade baiana de causar desespero em bicho preguiça.

Então o Saramago tratou de aproximar-se do Jorge e virou mesmo amigo dele, tendo vindo ao Brasil muitas vezes hospedando na casa do baiano. A ideia era ficar de olho e antecipar algum movimento que pudesse evitar do prêmio vir para a Bahia.

Quando o Saramago, finalmente, ganhou o prêmio, o Amado estava quase sem falar, mas ao saber da notícia quase ressuscitou de alegria. Grande cara!

Só tivemos um músico importante que se chamava Carlos Gomes, embora queiram transformar o Antonio Carlos Jobim em músico proeminente, só porque morou em New York e encontrou o Frank Sinatra uma vez na vida. O Tim Maia também morou lá e quem fez e faz sucesso musical nos Estados Unidos sendo brasileiro, é um cara chamado Sérgio Mendes, que sabe falar inglês, mas não faz o tipo de música que estou mencionando, só porcarias comerciais.

Nunca fizemos um único filme que prestasse e nossa melhor atriz internacional tinha que dançar com abacaxi na cabeça e transar com todo mundo para aparecer.

Não temos sociólogos (apesar que houve um se dizendo sociólogo que até presidiu o país por oito anos, mas parece que o negócio dele era outro) ou filósofos que importem.

Como nosso ramo é mais teológico, devo mencionar que o nosso melhor teólogo ainda não nasceu. Se quiser pode adotar o Antonio Vieira como um teólogo tupiniquim, já que escreveu boa parte de sua obra em terras brasilês, mas não era brasileiro e se orgulhava disso.

Nosso escritor cristão mais conhecido chafurdou na lama do pecado sexual e agora vive delatando os outros pares como se isso fosse sua missão ministerial.

Mas o Ubaldo é um cara legal. Bom baiano, imagine. Ele escreveu um monte de livros. É fruto de uma educação férrea. Se bem que andou entornando muito, por essa vida. Agora conseguiu maneirar. Ele escreveu: Um Brasileiro em Berlim e me roubou a ideia, sem saber, óbvio.

Era o típico título que eu gostaria de ter desenvolvido. Não referindo-me a Berlim. No meu caso, deveria ser Viena ou Um Brasileiro em Viena. Gosto quando ele cita o amor platônico que tinha com a velhinha de alguma casa comercial, pois todos os dias trocava piscadas e sorrisos com ela.

Isso me lembrou o fato de ter acontecido comigo a mesma coisa. Tinha uma velhinha lá em Viena, em um açougue, com quem tive uma relação platônica igualzinha. A única diferença é que o Ubaldo fala alemão e eu não, ou seja, para mim só dava para sorrir e piscar mesmo.

Também tive muita dificuldade para explicar que nunca tinha pisado na Amazônia e muito menos, visto um índio. Depois que voltei, estive no Xingu e, noutra viagem, fui levado para pregar aos índios (talvez fossem Camaiurás, ou não) perto de Aquidauana. Falei-lhes de Sócrates, Platão e Sêneca para introduzir Jesus de Nazaré.

Parece que depois que estive lá, o chefe teria pedido para me levarem de volta, pois eles gostaram muito quando disse que todos esses caras eram bi-sexuais, exceto Jesus, claro. No meu tempo em Viena, ainda perguntavam para brasileiros se conhecíamos o Pelé, o que, para um corinthiano, era uma ofensa desgraçada.

Queria ter falado disso no ano passado, mas aquelas duas antas (Juca Kfouri e Soninha) por alguma razão tola, talvez a Copa do Mundo de Futebol, mencionaram o livro e resolvi adiar. Essa semana comecei a ler outro livro do Ubaldo, que por alguma razão, me fez lembrar desse.

Claro que não estou incentivando os cristãos a lerem esse autor mundano e devasso. Acho que um grande salto, para vocês, rumo ao liberalismo, são os livros que a Thomas Nelson do Brasil vem publicando, apesar da mancada que deram comigo.

Acho isso tão engraçado. Já falei para vocês que o beócio do Mainardi recebe um monte de livros e revistas de todas as editoras e de graça, com fins promocionais, enquanto nós, formadores de opinião no meio cristão, não só pagamos para ler as porcarias das editoras evangélicas como, se atrasarmos o pagamento, eles nos cortam sumariamente. Isso aconteceu com minha assinatura da Revista Ultimato, que leio agora via web, anonimamente.

Bom, já fiz minha propaganda e completei a minha página A4. O resto fica para a próxima.

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6 respostas para “Título: Um Brasileiro em Viena”

  1. Cara, Luis Fernando Veríssimo, top de linha. Chico Buarque é um compositor de primeira e um escritor intrigante. Filme, O Auto da Compadecida, muitas vezes melhor do que A Vida É Bela.

    O resto, que não é pouco, o pessoal da ANA não me deixa divulgar.

  2. Isso, Brabo, usufrua nos blogues dos amigos o que você nega no seu, comente!!!
    Bem, falando em escritor, já que o Brabo mencionou a peça, tem o Ariano, a quem pretendo assistir uma palestra em SP na semana que vem. O cara é o cara!!!
    Lou, volta com as loiras…

  3. Eu gostava muito do Ariano, até ele fazer campanha pro Lula. Pra mim, caiu em desgraça. O Luis Fernando Veríssimo é um chato de galochas( como se dizia na minha época). É, acho que não entendo nada de intelectualidade mesmo!

  4. Dedé, Rubens e Paulo Agradeço muito o comentário de vocês. Diria que foi o comentário dos fiéis.
    Todos vocês concordam comigo, ou seja, temos bons escritores, músicos, etc. Um brasileiro em Viena, ou em qualquer outro país (até na Argentina) descobre que eles são ilustres desconhecidos. Quanto as escolhas, elas são um tanto provocativas, mas não despertou interesse, mesmo assim, como ficou claro. A verdade é que todo brasileiro vira grutense quando sai do Brasil. Melhor, nosso lugar está guardado.

  5. 5 dia de Jejum. Poxa! Por que tanto tempo assim? Em alguns casos sete dias são suficientes… Dizem ser o número perfeito.
    “Eu sou quase nada e caminhando para o fim de uma vida sem a menor razão de ser. “

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