A Gruta do Lou

Thomas 11 – 05 – 1988 a 20 – 04 – 2013

​A maior parte da vida do Thomas teve esse detalhe, ou seja, caminhar com a Turma do Chaves.

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No dia seguinte em que o Thomas nasceu, logo cedo, fiquei sabendo o fato dele ter vindo com um problema logo no maior e mais importante sistema do corpo, responsável por fazer circular o sangue até os confins das extremidades via artérias, para deixar oxigênio e retirar gás carbônico.

Logo em seguida, trazê-lo de volta em direção aos pulmões via veias, onde acontece oxigenação e tudo começa de novo. Entre os pulmões e a extremidade do corpo, está o órgão mais amado dos seres humanos.

Claro, sempre há quem diga ser a cabeça, mas isso é bobagem, a cabeça engloba a boca, o nariz, olhos e os miolos (dizem alguns não tê-los, mas é bobagem), tudo dentro da tal calota óssea.

O coração não, é muito mais complexo e tem os dever de cuidar as maiores funções do corpo humano, comandando essa incrível inigualável função com a capacidade de nunca deixar de fazê-lo, a não ser no último minuto da vida. Bom, se não for bem assim, não esquenta, é só um jeito a meu ver.

Naquele dia,  eu já estava me transportando para o trabalho teológico-educacional, mas me formei em Educação Física lá pelos idos de 1977 e o que mais fiz naquela área foi trabalhar com crianças de zero a seis anos.

Depois deles os adultos enganados pensando não saberem nadar, quando na verdade, todos nós já nascemos exímios nadadores, pois nadar é só um problema de respiração.

Mesmo os menos afeitos, tentando nadar com a cabeça fora d’água, também é capaz de fazer a respiração aspirando ar cheio de oxigênio milimetricamente fora d’água e soltando dentro da água. 

O que estou tentando, com todas essas explicações, é o fato de, eu imagino, ter sido escolhido para ser pai de um filho cujo sistema circulatório veio todo atrapalhado, principalmente o coração dele, com muitas partes não formadas, tais como: a transposição dos grandes vasos, valva pulmonar, múltiplas CIVs e muito mais. 

A minha primeira constatação quando os médicos me colocaram a par do problemas, após um exame minucioso através de um exame realizado com um equipamento, na época, tido como fantástico, foi algo ridículo, ou seja, descobri a possibilidade de um sistema circulatório nascer todo atrapalhado e cheio de defeitos. 

Depois de tudo terminado no dia 20 de abril de 2013, em uma UTI, que mais parecia uma cavalariça, eu comecei a entender que nunca houve nenhum defeito. Simplesmente, o problema foi a formação pela metade ou quase isso, do sistema circulatório, principalmente, o coração. 

De algum jeito, das duas uma, ou ele não deveria nascer antes de completar 100% ou nascer, mas continuar o crescimento e formação total do corpo, só depois receber alta. 

Há quem diga a existência desse tipo de trabalho, mas está engatinhando. Os doutores, a maioria, prefere as cirurgias onde eles podem conseguir bom dinheiro. Nessa brincadeira, tinha 37 anos quando ele nasceu e 62 quando ele se foi, ou foi levado contra a vontade dele e de nós, talvez até Jesus e o Pai dele não tenham gostado disso nem um pouco. 

Posso estar redondamente, mas como não sou médico, posso falar muitos equívocos, mas por outro lado, eu passei o pior dos piores existentes na vida. Sem mencionar a mãe e irmãos, talvez muito mais machucados, fora os vinte e cinco anos, com três cirurgias de tórax aberto, uma infinidade de exames invasivos, etc.,  para o resto de suas vidas.

Depois de tudo isso, um certo doutor tido e havido como o melhor, resolveu fazer a terceira cirurgia e tirou a vida do nosso filho. Obviamente ele queria colocar o Thomas em condições  para jogar basquete. Só se for no céu. 

 

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