A Gruta do Lou

Templos de pedras

 

“Chegarão dias, nos quais,

de tudo o que vedes aqui

não será deixada pedra sobre pedra

que não seja derrubada”.

Jesus de Nazaré em Lucas 21: 6

Hoje à tarde, falei com o Pr. Neto ao telefone e reiterei minha disposição em ajuda-lo no que precisar. Durante a via sacra que caminhamos, desde o ano passado, ele foi um dos nossos ajudadores destacados. Não ouso pensar em retribuir, pois não creio ser capaz e/ou ter tempo para fazê-lo à altura de sua generosidade. Ele está construindo o templo da igreja que dirige, junto com sua pequena congregação, em um terreno de não mais de dez metros de frente por quarenta ou cinquenta de fundo. Será pouco mais de um armazém, com um pequeno praticável para os instrumentos e um púlpito bem simples na frente dele, onde o Pr. Neto continuará fazendo seus sermões simples e práticos para sua congregação sentada em cadeiras plásticas brancas. Estou disposto a fazer qualquer coisa que ele me peça e imagino ser útil para conversar com o pessoal, contribuir para o crescimento, ouvir muito, abraçar o angustiado, alegrar o triste e dividir com o necessitado. Todo esse exercício, inclusive a construção poderá ser enriquecedora para aquelas pessoas e ficarei feliz de ter contribuído de alguma maneira.

Enquanto isso, o tal Bispo ergue à custa de milhares de dinheiros um templo ao denomina “Templo de Salomão”. Imenso, à semelhança do templo derrubado de Jerusalém, que fora reconstruído por Salomão, em seus grandes dias. Olhando de fora, é bem provável que o “templo de Salomão” do bispo seja muito mais vistoso do que o original. Por dentro, é capaz de abrigar milhares de pessoas a cada reunião. Ele fez o “The Best”, mas há muito outros de grandes proporções por aí, reunindo multidões para cultuar, sabe-se lá quem.

Mas se estas palavras acima, ditas pelo mestre (rabi) de Nazaré, há mais de dois mil anos, estiverem se materializando em nossos dias, estaremos todos na contramão delas. Nesse caso, seria mais oportuno e sensato desconstruir ao invés de construir, se não me engano. Não sei porque nós nunca acreditamos na possibilidade disso acontecer conosco. Achamos que será depois de nós ou mesmo, bem depois.

Nos últimos dias, exacerbaram-se os acontecimentos relacionados à mais uma eleição para a presidência em nosso país. Enquanto pessoal trocava elogios e farpas pra lá e pra cá, causou-me estranheza o envolvimento dos beneditos cristãos em todo esse processo. Um dos candidatos, em verdade, uma senhora, apresenta-se como cristã evangélica (talvez seja mesmo, não investiguei a fundo) e essa “qualidade” parece ter embriagado os que sentem-se evangélicos nesses dias. Entendo perfeitamente, Jesus referiu-se à perseguição que viria a todos os seus seguidores, causando inclusive o esfriamento da fé de muitos. Tenho como líquido e certo que todo esse engajamento político, com imensos depósitos em favor de um ser humano governante que acreditam ser o salvador de evangélicos perseguidos pelos ímpios e aplacador de nossas dores, seja sinal evidente desse esfriamento da fé.

Eram todos fieis esperançosos da providência divina em todos os sentidos e, sutilmente, provavelmente sem se darem conta, estão depositando suas esperanças em outro ser humano, como qualquer um de nós, como se Deus fosse. Ah, enfim nossa liberdade estará preservada, de novo. Teremos paz, os marginais deixarão de roubar, matar e abraçarão suas bíblias pregando em praça pública o evangelho com suas boas novas. Os serviços públicos de saúde, educação e transportes serão transformados por milagres em condutores de saúde perfeita, sabedoria e deslocamentos levitáveis. Recuperaremos, então, nosso orgulho e não precisaremos mais esconder nossa identidade evangélica atrás de subterfúgios ou declarações do tipo: “Olha, eu não sou evangélico, viu?” Santa imbecilidade. Mais provável ser a tal história dos cegos sendo guiados por outro cego. Não cairão todos no abismo?

Não quero fazer parte de uma igreja, como fiz em boa parte de minha vida, porque esse tempo já passou para mim. Quero reter o que puder guardar o que conseguir da Bíblia em minha mente (coração) e ações. Fazer meus atos devocionais onde estiver, no meu quarto, nas ruas ou em alguma cela de uma dessas prisões infames, como está previsto pelo profeta nazareno até que a morte venha me buscar. Se pudesse sugerir algo aos cristãos, e também às pessoas de outras seitas e religiões, diria que nosso lugar não é na construção de templos, tampouco na eleição de presidentes, governadores, etc. Mas o ideal seria estarmos proclamando como pudermos, nas ruas, o amor ágape de Deus até que tudo esteja consumado.

Reparem no mundo. O que lhes parece? Os acontecimentos lhes dizem alguma coisa? Guerras, países contra países, irmão contra irmão, filhos contra pais, homens versus mulheres e vice-versa, furações, terremotos, maremotos, orgias sexuais, homens e mulheres se batendo em arenas com transmissão direta de TV para nosso deleite, queda da moralidade, desequilíbrio climático, desarrumação ecológica e ambiental, que mais? Alguém, ou algum ser humano conseguirá parar isso? Claro que não. Ah, mas o mundo ainda durará milhares de ano. Afinal os cientistas ainda não conseguiram aprontar a máquina (Grande Colisor de Hádrons) que encontrará o bóson de Higgs e, muito provavelmente, explodirá o universo outra vez e começará tudo de novo, como deve ter acontecido outrora causando o tal Big Bang originando a todos nós.

Para mim tanto faz se será uma coisa, a outra ou as duas ao mesmo tempo. O fato é, a coisa está acontecendo e não sei se estamos fazendo as escolhas corretas. Com certeza o tempo para mim está curto demais para fazer experiências. Os sinais se evidenciam a todo instante, cada vez mais e prefiro me dedicar ao estudo da palavra, à meditação e às minhas orações. Quando der, participarei de uma reunião aqui ou acolá e no mais, trabalhar para salvar o quantos puder e pelo pão de cada dia, enquanto for possível e se permitirem. Salvo algum engano, claro.

morcego-12

OPs: Ainda estou precisando de uma cadeira de rodas para doar ao Lar Betel em São José dos Campos – SP

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