Cristãos esquecidos ou comprometidos sob a graça?


Saí da igreja (minha foto está aí acima) e agora prometo seguir a Jesus Cristo, incondicionalmente, afinal a Ele devo a graça, pelo qual tomou sobre si todos os meus pecados e de todos também.

Faz sentido isso para você? Para mim não fazia, tampouco. Mas está na moda e com isso não se brinca. Desde a adolescência faço o possível e o impossível para ser estereotipado. Você não sabe quanto isso me custa. Ganhei minha primeira calça Lee, norte americana legítima, aos quinze anos.

Em termos, na verdade, consegui o dinheiro imprimindo milhares de faixas na oficina de meu pai. Quando completei o total necessário, viajei até a Rua Augusta para comprar a danada. Precisava ser legítima e não dei chances para sair errado. Depois disso foi uma sequência interminável de objetos necessários para me garantir minimamente dentro. Dentro do Status Quo e fora da ralé.

No caso da militância evangélica pode ser mais complicado, embora os princípios da moda estejam presentes e latentes. Não está mais na moda ser evangélico, pastor e essas coisas ultrapassadas.

Então preciso sair, sem sair. Mudar os nomes, vestir outras roupas, adotar nomes e apelidos, falar mais solto, voltar a beber, pelo menos cerveja e vinho, fumar, começando pelos charutos cubanos. Só não dá para mudar a fonte dos meus desejos supridos. Ah, isso não, nem pensar.

Fui um dos a largarem na frente. Sem declarações bombásticas via blog ou púlpito, deixei a Igreja. Mas não deixei assim, radicalmente. Continuei amigo de vários pastores, alguns estudiosos na teologia comigo, outros me ajudando a segurar a barra quando é preciso, até hoje, cheguei até a cuidar de uma congregação por alguns meses, em Tatuí, para ajudar o Pr. Eliseu, um desses evangélicos incômodos.

Incomodo para os outros, mas muito propício para nós. Muitos dos meus amigos são bons cristãos de igreja, igualmente e temos intensa comunhão, inclusive espiritual. Alguns pastores, poucos é verdade, ainda cultivam o hábito de se aconselharem comigo, não apenas sobre marketing ético e bíblico, mas sobre tudo a tocar um ministério. Mas isso não me colocou de volta como membro ou participante da igreja.

Também deixei de me considerar evangélico, embora faça de tudo para continuar propagando o evangelho e a Gruta é um bom subterfúgio nesse sentido. Não me incomodo se alguém me vê como evangélico, tampouco sinto vergonha.

Sinto meu coração apertar quando vejo pessoas metidas nessa nossa política suja usando o pseudônimo de pastor, missionário e essas designações. Fariam um grande bem se mantivessem suas crenças, se as têm, bem camufladas. Melhor ainda, se deixassem essa vida pregressa.

Por outro lado, meu coração também se aperta quando ouço injustiças, calunias e difamações contra os evangélicos em geral, como se fôssemos uma espécie suja e inóspita.

Certa vez, quando voltava da missão à Albânia, depois de passar um tempo confinado em uma missão evangélica em algum lugar menos cult da França, passei um tempinho na casa do pastor Peter Brosfield, na Holanda, antes de pegar o avião com a missão de me trazer de volta à amada São Paulo.

Quando cheguei lá, ele não estava e fui recebido pela mãe dele. Ela não me conhecia anteriormente. Junto comigo estava um amigo, descendente de poloneses. Conversamos, enquanto tomávamos chá e a pobre senhora não tirava os olhos de mim, a ponto de me constranger. Ela concluiu, eu não falava inglês, pois não disse nenhuma palavra desde quando cheguei ali.

O inglês dela não era nada bom, também e preferi não forçar. Na hora quando ela não aguentou mais de curiosidade, conseguiu perguntar ao meu amigo se eu era crente. Bom, a razão é meio obvia, deve-se a essa minha cara metade muçulmana e metade judaica. Quando estou mais queimado do sol, mais africano, quando estou clarinho, mais israelita.

De qualquer forma, em nenhum momento me considerou cristão, ao mesmo tempo recebeu meu amigo como cristão, sem a necessidade de qualquer credencial. Afinal ele era bem branquinho, louro, cabelo liso e feio pra danar. Além do mais, se eu fosse um bom muçulmano, certamente o filho dela, um cristão excelente, teria me recebido da mesma forma.

Convivo muito bem com igrejeiros ou sem igreja, cristãos ou não. Um de meus melhores amigos é judeu, embora tenha passado por uma conversão ao cristianismo católico, numa direção meio Simone Weil. Ele também nasceu na França e é um intelectual um tanto anárquico, com a diferença adorando bons restaurantes. Entretanto sinto ter dado exemplo a algo não muito louvável. Acredito, a Igreja deveria ser forte.

Tenho minhas reservas filosóficas contrárias às hierarquias e organizações empresariais. Detesto tiranias e tiranos e sempre tive enorme dificuldade em me manter em algum lugar onde houvesse chefes e índios, lideres e liderados, pastores e ovelhas, governantes e governados, seja lá qual for o nome que deem à prática autoritária.

Quando tinha minha empresa com um punhado de funcionários, minha mãe morava por perto, nos visitava com segundas intenções e vivia me dizendo para não tratar o pessoal como iguais. Ela não se conformava eu ser apenas o Luiz ou o Lou para eles.

Só não sou hipócrita a ponto de almejar cargos e depois sair por aí gravando vídeos com declarações contrárias ao autoritarismo. Sai pra lá meu.

Creio, esses meus amigos talvez tenham mirado em mim, ou em alguém como fez, talvez eu, saindo covardemente pela tangente, deveriam repensar. O séquito cristão precisa de gente comprometida até a morte, como ele fez e deu a receita. Se puder ser com menos hierarquia e organismos empresariais, tanto melhor. Mas se não der, paciência.

Só não arrisquem a missão, ou seja, não esqueça o fato de Jesus nos tenha dado a Graça a todos nós, com ou sem igreja.

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Um cristão que não conhece a Deus

lateralSolidão humana


Certa ocasião, fui a uma igreja convidado pelo pastor para conversar com os jovens. Eles gostariam de entrevista-lo, disse o homem. Tive várias oportunidades de fazer esse tipo de trabalho. Meu passado como professor de Educação Física em várias escolas e depois como professor de teologia em outras tantas, me deixaram bem preparado para essas situações.

A conversa foi se estendendo, senti que estávamos nos comunicando muito bem. Em algumas circunstâncias você percebe que algo não está indo bem, quando efetivamente não está, mas naquele dia, as coisas caminharam muito bem. Lembro-me que me fizeram várias perguntas sobre o Espírito Santo e depois outras tantas sobre Jesus Cristo. Estávamos reunidos por mais de duas horas e eu começava a dar sinais de cansaço. Então veio a pergunta.

– Lou, quem é Deus para você?

A principio eu tiraria de letra essa questão. Tinha embasamento para falar a noite inteira sobre Deus. Poderia começar discorrendo sobre os atributos, depois sobre as diversas correntes teológicas, usar pressupostos de teologia sistemática, falar sobre o que pensavam pensadores modernos como Francis Schaeffer, John Stott, ilustrar com as conversas entre Jó e Deus transcritas por um judeu amigo e estudioso do Antigo Testamento, fazer firula revelando segredos sobre Deus embutidos na obra do Senhor dos Anéis por Tolkien e no Harry Potter por J. K. Rowling e muito, muito mais, só falando em teologia, depois vem a vastidão da filosofia, a psicologia se metendo como sempre, sem dúvida. Não deixaria de descrever o Conceito de Angústia de Kierkegaard à quela gente bonita e muito mais, certamente um céu sem fim.

Entretanto, enquanto pensava por onde começar minha resposta, não percebi quanto tempo ficara calado. O silêncio na sala impressionou. Devia haver ali uns oitenta jovens, entre rapazes e moças, fora um monte de penetras mais velhinhos, alguns pastores de outras igrejas da cidade, inclusive. Acho que não disse nada durante mais de quinze minutos, pelo menos. Enquanto escamoteava todo meu arsenal, veio-me a mente meu filho, os irmãos dele, minha esposa e acho que saí um pouco do chão ou algo assim. Lembrei de algo que pensara poucos dias antes daquela reunião e resolvi começar minha resposta por ali, sem saber o que diria depois.

Olha, por muito tempo, cheguei a achar que conhecia a Deus. Mas a verdade, se fosse para lhes responder sua pergunta em uma única frase, diria: eu não conheço Deus.

Tudo que sei sobre ele é uma amontoado de informação transmitida por muitas pessoas que, provavelmente, também não sabem nada sobre Deus. Que se saiba, nos mais de oito mil anos cobertos pela Bíblia, só Moisés, Elias e Jesus conversaram com Deus, pessoalmente. Aquela cena da transfiguração presenciada por Pedro, Thiago e João é uma das descrições mais emblemáticas e tremendas dos evangelhos. Ocorre-me agora que, de alguma forma, Jesus confirmou decisivamente minhas desconfianças naquele dia, ou seja, só esses três caras conheceram a Deus, dentre toda a humanidade. O resto é especulação e nem tudo é desprezível. Jesus disse várias frases sobre isso, como aquela: Quem vem a mim, vem ao Pai, ou quem me viu, viu ao Pai ou ninguém vem ao Pai se não por mim. Foram atenuantes de Jesus para aplacar nossa ignorância acerca de Deus, talvez.

Se empilhassem todos os livros escritos sobre Deus, daria para chegar a Lua, algumas vezes, se não me engano ou algo assim. O ser humano precisava escrever sobre Deus, falar coisas dele, sonhar com ele. Os grandes poetas fazem isso o tempo todo em relação ao objeto de seus amores.

Naquele momento, perdi a coragem de falar qualquer coisa sobre Deus. Qualquer palavra que eu arriscasse dizer seria especulativa. Por que Deus me escolheu e ao meu filho e permitiu esse mimo ao diabo? Não sei. Deus intervém? Não sei? Deus é onipotente, onisciente e onipresente? Não sei. Deus é amor? Não sei. Deus criou todas as coisas, inclusive as ruins como as cardiopatias congênitas e outras doenças complicadas? Não sei. Ele é o contrário de tudo isso? Não sei.

Lembrei-me da conversa de Deus com Elias, que imagino tenha disso relatada pelo próprio profeta, Deus estava no silêncio e em nenhum outro lugar.

Então disse a aquela plateia muda, de gente jovem, alguns muito emocionados: “olha talvez Deus estivesse muito mais presente naqueles quinze minutos nos quais não lhes disse nada do que nesse tempo todo que estou tentando lhes dizer que não conheço a Deus”.

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e em retribuição o homem criou deus à sua imagem. (B. Pascal)

Tomarei uma decisão, agora, tendo todos vocês como minhas testemunhas: De agora em diante, seguirei caminhando na senda cristã, só pela fé e nunca mais direi nada sobre Deus, que não venha com um talvez, ou eu creio ou ainda, em minha opinião…

Capricornio PB

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O fim do mundo (apocalipse) está próximo?

O fim do mundo


 

“O Sol escurecerá

E a lua não dará a sua luz;

As estrelas cairão do céu

E os poderes celestes

Serão abalados.”

 

Marcos 13: 24 -25

Ligou-me um amigo judeu e, entre outras coisas, falamos sobre escatologia. Ele informou-me que a descendência de Abraão ainda não chegou nem à metade, portanto, ainda há muito arroz com feijão a ser comido nesse planeta, antes que venha o fim.

Nos meus tempos de igreja, os estudos escatológicos eram comuns. Atualmente, quase não se fala nisso e não é de admirar, escatologia é coisa para estudiosos e trabalhadores. Nas igrejas atuais há os cultuadores da teologia da prosperidade de um lado, e do outro, os contrários, mais adeptos da nova moralidade. Essas opções dão menos trabalho e mais dinheiro, sem falar na manutenção do estereótipo adequado.

Nos meus tempos na Faculdade Teológica, vulgarmente conhecida como seminário, frequentei exegese de Apocalipse, ministrada brilhantemente por ninguém menos que o Dr. Russell P. Shedd. Foram meus companheiros de classe dois chatonildos oriundos da Assembleia de Deus, sei lá de qual ministério.

Certamente eles não eram chatos por serem da AD, talvez fosse algo mais de natureza biológica, acho. Um deles chamava-se João Branco e o outro não lembro do nome (*Lembrança tardia, era Natanael o nome da peça rara), só da cara.

Esses caras não sabiam chongas, mas eram completamente arrogantes, infernizaram o mestre, que sabia tudo e era humilde. Teve a paciência de explicar tim tim por tim tim do que o texto dizia e eles a descortesia de não escutá-lo.

Mas aquele debate contínuo teve lá seu lado proveitoso, pois quem ficou de boca fechada e ouvidos atentos foi brindado com puro mel, enquanto os dois paspalhos devem estar boiando no livro até hoje.

Nos últimos dias, assisti vários vídeos dos tais adeptos da teoria da conspiração, já que esse tema me cativa. Eles estão acusando seus principais alvos inimigos (a saber: Illuminatis, Maçons, Ópus Dei, Grupo Bildeberg, Reptilianos, etc.) de praticar várias ações controladoras, cuja finalidade é deixa-los mais ricos e poderosos, enquanto o resto não importa.

Essas pessoas ou seres não estariam sujeitas às mesmas perdas dos demais por serem oriundos de outras dimensões ou coisa do gênero. A última é propagar a história do fim do mundo em dezembro de 2012 e disseminar medo geral.

Desde sempre, aparecem profetas com datas marcadas para o The End of the World. Talvez por isso Jesus Cristo tenha se importado em avisar claramente que os tais viriam, antes do fim do mundo, e que não deveriam ser levados a sério.

De qualquer forma, com ou sem teorias da conspiração, sejam elas verossímeis ou não, o fato é que as populações da terra, desde os tempos em que Adão e Eva ainda eram castos, vivem e viveram sob o domínio do mal e do medo.

Segundo as previsões bíblicas, sejam as do Antigo ou as do Novo Testamento, um período difícil e insustentável virá, com guerras, terremotos, enchentes e alterações no sistema solar. Há um texto que chega a dizer: “Se o Senhor não tivesse abreviado tais dias, ninguém sobreviveria. Mas por causa dos eleitos escolhidos, ele os abreviou” Mc. 13:20

Não há, sem duvida, como não temer esses tempos. Por outro lado, é compreensível a preocupação de vários grupos diante da flagrante deterioração das nossas instituições e sociedades.

Creio ser muito interessante e assustador o fato de Jesus e os escritos Bíblicos não mencionarem em qualquer passagem apocalíptica qualquer participação relevante nesses eventos futuros da igreja, dos governos (sejam de direita ou de esquerda) dos meios de comunicação, da escola e da família. Isso nos leva a imaginar que, de fato, estarão aniquilados naqueles dias.

Mas vale lembrar, neste breve ensaio, que na agenda bíblica dos fatos para o final dos tempos está contida uma nova ordem mundial com um líder detentor de um carisma jamais conhecido, tendo como seu primeiro ministro um líder espiritual de magnitude incomensurável. Essa figura será ferido mortalmente e voltará a viver, para a perplexidade geral e, e esses caras serão do balacubaco, tornando todos os infernos conhecidos como casa de bonecas, perto do inferno que criarão aqui na terra.

Como diria o Dr. Shedd, isso durará cerca de três anos e meio e só então Jesus aparecerá: “Então se verá o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. E ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, dos confins da Terra até os confins do céu”. Mc 13: 26 – 27 Os que ficarem amargarão mais três anos e meio de infernização, embora pese o fato de que Jesus pisará essa serpente e seu ajudante maligno, destruindo-os.

Se após a retirada do povo ou após os sete anos completos, existem sérias divergências. Mas Ele o fará.

Note bem que, dessa vez, Jesus não desembarcará na Terra. A tarefa de reunir seus seguidores ficará a cargo dos anjos. Karl Barth, o grande teólogo alemão, considerado um neoliberal no sentido da sua crença bíblica, brincava afirmando haver grande possibilidade desse tempo já ter ocorrido. Não esqueçam que ele sobreviveu os tempos e epicentro da Segunda Guerra Mundial.

Dizia mais, nesse caso, estaríamos vivendo outro tempo, com a Terra totalmente dominada pelos senhores do mal, afinal, haveria um inferno pior do que um lugar onde todo mundo acreditasse e esperasse pela volta salvadora de um Jesus que já voltou e já levou todos os salvos consigo?

Então Jesus inaugurará um período de mil anos governado por Ele em pessoa, ocasião em que os seres humanos voltarão a pecar, mesmo sob o governo pessoal de Deus.

Voltando a agenda bíblica do fim do mundo, se esse grand finale começasse hoje, somando-se os sete anos de tributação e grande tributação, mais o milênio que a isso seguirá, estaríamos a mil e sete anos do fim total.

Somos nós todos, dessa geração, candidatos em potencial das tribulações, coisa que todos nossos ancestrais também foram. Sobre o tempo certo desses acontecimentos, a Bíblia nos revela dois itens:

1: Ninguém detém essa informação de forma explícita.

2: Os cristãos saberão identificar quando tudo começar. “Aprendam a lição da figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo. Assim também, quando virem estas coisas acontecendo, saibam que ele está próximo, às portas”. Mc. 13: 28 – 29

Os verdadeiros servos de Jesus estarão prevenindo e preparando o povo de Deus para todos esses eventos e não serão vistos em outros cuidados que se tornarão irrelevantes, nesse caso. Compete-nos não deixar a oração e os estudos bíblicos. Em qualquer situação, a solidariedade generosa será nossa única opção.

Ops: * Acrescentado no dia seguinte à publicação.

O Lou Mello costuma falar ou conversar sobre esse tema em vários lugares e igrejas. Use a aba “Entre em Contato”, se desejar convidá-lo.

 

 

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O fim do mundo está próximo?


 

“O Sol escurecerá

E a lua não dará a sua luz;

As estrelas cairão do céu

E os poderes celestes

Serão abalados.”

 

Marcos 13: 24 -25

Ligou-me um amigo judeu e, entre outras coisas, falamos sobre escatologia. Ele informou-me que a descendência de Abraão ainda não chegou nem à metade, portanto, ainda há muito arroz com feijão a ser comido nesse planeta, antes que venha o fim.

Nos meus tempos de igreja, os estudos escatológicos eram comuns. Atualmente, quase não se fala nisso e não é de admirar, escatologia é coisa para estudiosos e trabalhadores. Nas igrejas atuais há os cultuadores da teologia da prosperidade de um lado, e do outro, os contrários, mais adeptos da nova moralidade. Essas opções dão menos trabalho e mais dinheiro, sem falar na manutenção do estereótipo adequado.

Nos meus tempos na Faculdade Teológica, vulgarmente conhecida como seminário, frequentei exegese de Apocalipse, ministrada brilhantemente por ninguém menos que o Dr. Russell P. Shedd. Foram meus companheiros de classe dois chatonildos oriundos da Assembleia de Deus, sei lá de qual ministério. Certamente eles não eram chatos por serem da AD, talvez fosse algo de natureza biológica, acho. Um deles chamava-se João Branco e o outro não lembro do nome (*Lembrança tardia, era Natanael o nome da peça rara), só da cara. Aqueles caras não sabiam chongas, mas eram completamente arrogantes, infernizaram o mestre, que sabia tudo e era humilde. Teve a paciência de explicar tim tim por tim tim do que o texto dizia e eles a descortesia de não escutá-lo. Mas aquele debate contínuo teve lá seu lado proveitoso, pois quem ficou de boca fechada e ouvidos atentos foi brindado com puro mel, enquanto os dois paspalhos devem estar boiando no livro até hoje.

Nos últimos dias, assisti vários vídeos dos tais adeptos da teoria da conspiração, já que esse tema me cativa. Eles estão acusando seus principais alvos inimigos (a saber: Illuminatis, Maçons, Ópus Dei, Grupo Bildeberg, Reptilianos, etc.) de praticar várias ações controladoras, cuja finalidade é deixa-los mais ricos e poderosos, enquanto o resto não importa. Essas pessoas ou seres não estariam sujeitas às mesmas perdas dos demais por serem oriundos de outras dimensões ou coisa do gênero. A última é propagar a história do fim do mundo em dezembro de 2012 e disseminar medo geral. Desde sempre, aparecem profetas com datas marcadas para o The End of the World. Talvez por isso Jesus Cristo tenha se importado em avisar claramente que os tais viriam, antes do fim do mundo, e que não deveriam ser levados a sério.

De qualquer forma, com ou sem teorias da conspiração, sejam elas verossímeis ou não, o fato é que as populações da terra, desde os tempos em que Adão e Eva ainda eram castos, vivem e viveram sob o domínio do mal e do medo. Segundo as previsões bíblicas, sejam as do Antigo ou as do Novo Testamento, um período difícil e insustentável virá, com guerras, terremotos, enchentes e alterações no sistema solar. Há um texto que chega a dizer: “Se o Senhor não tivesse abreviado tais dias, ninguém sobreviveria. Mas por causa dos eleitos escolhidos, ele os abreviou” Mc. 13:20

Não há, sem duvida, como não temer esses tempos. Por outro lado, é compreensível a preocupação de vários grupos diante da flagrante deterioração das nossas instituições e sociedades. Creio ser muito interessante e assustador o fato de Jesus e os escritos Bíblicos não mencionarem em qualquer passagem apocalíptica qualquer participação relevante nesses eventos futuros da igreja, dos governos (sejam de direita ou de esquerda) dos meios de comunicação, da escola e da família. Isso nos leva a imaginar que, de fato, estarão aniquilados naqueles dias.

Mas vale lembrar, neste breve ensaio, que na agenda bíblica dos fatos para o final dos tempos está contida uma nova ordem mundial com um líder detentor de um carisma jamais conhecido, tendo como seu primeiro ministro um líder espiritual de magnitude incomensurável, que inclusive, será ferido mortalmente e voltará a viver, para a perplexidade geral e, e esses caras serão do balacubaco, tornando todos os infernos conhecidos como casa de bonecas, perto do inferno que criarão aqui na terra. Como diria o Dr. Shedd, isso durará cerca de três anos e meio e só então Jesus aparecerá: “Então se verá o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. E ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, dos confins da Terra até os confins do céu”. Mc 13: 26 – 27 Os que ficarem amargarão mais três anos e meio de infernização, embora pese o fato de que Jesus pisará essa serpente e seu ajudante maligno, destruindo-os. Se após a retirada do povo ou após os sete anos completos, existem sérias divergências. Mas Ele o fará.

Note bem que, dessa vez, Jesus não desembarcará na Terra. A tarefa de reunir seus seguidores ficará a cargo dos anjos. Karl Barth, o grande teólogo alemão, considerado um neoliberal no sentido da sua crença bíblica, brincava afirmando haver grande possibilidade desse tempo já ter ocorrido. Não esqueçam que ele sobreviveu os tempos e epicentro da Segunda Guerra Mundial. Dizia mais, nesse caso, estaríamos vivendo outro tempo, com a Terra totalmente dominada pelos senhores do mal, afinal, haveria um inferno pior do que um lugar onde todo mundo acreditasse e esperasse pela volta salvadora de um Jesus que já voltou e já levou todos os salvos consigo?

Então Jesus inaugurará um período de mil anos governado por Ele em pessoa, ocasião em que os seres humanos voltarão a pecar, mesmo sob o governo pessoal de Deus.

Voltando a agenda bíblica do fim do mundo, se esse grand finale começasse hoje, somando-se os sete anos de tribulação e grande tribulação, mais o milênio que a isso seguirá, estaríamos a mil e sete anos do fim total. Somos nós todos, dessa geração, candidatos em potencial das tribulações, coisa que todos nossos ancestrais também foram. Sobre o tempo certo desses acontecimentos, a Bíblia nos revela dois itens:

1: Ninguém detém essa informação de forma explícita.

2: Os cristãos saberão identificar quando tudo começar. “Aprendam a lição da figueira: quando seus ramos se renovam e suas folhas começam a brotar, vocês sabem que o verão está próximo. Assim também, quando virem estas coisas acontecendo, saibam que ele está próximo, às portas”. Mc. 13: 28 – 29

Os verdadeiros servos de Jesus estarão prevenindo e preparando o povo de Deus para todos esses eventos e não serão vistos em outros cuidados que se tornarão irrelevantes, nesse caso. Compete-nos não deixar a oração e os estudos bíblicos. Em qualquer situação, a solidariedade generosa será nossa única opção.

Ops: * Acrescentado no dia seguinte à publicação.

Se desejar, convide o Lou Mello para falar ou conversar com seu grupo sobre esse tema. Use a aba “Entre em Contato”, para isso.

 

 

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Acorde e salve o que ainda não se perdeu

Salve o que ainda não se perdeu.
Salve o que ainda não se perdeu.

A importância da cassação de um senador da república em termos do desenvolvimento espiritual é zero. É alienação, ignorância completa, a incapacidade de pensar, de sentir, do autoconhecimento e da consciência do poder superior. Foi apenas uma bobagem, vendetta de seres inúteis e desconectados. O que interessa passa muito longe dessas casas de leis desnecessárias e insignificantes. O lugar é outro, as pessoas certas também.

Infelizmente, inúmeras pessoas gastaram tempo precioso de suas vidas twitando enquanto o cara corrupto era defenestrado pelos outros, todos igualmente corruptos, provavelmente. Para meu assombro, a maioria se portava como a turba que presenciava enforcamentos ou decapitações na idade média, ou seja, todo mundo considerando aquele o único pecador na paróquia.

Passaram-se mais de dois mil anos e poucos entenderam a proposta de Jesus da Galileia. Pudera, em pouco tempo a igreja que se seguiu mudou tudo, afinal ela tinha contas a pagar. Jesus, aquele visionário inveterado e perdido em suas ilusões salvadoras, queria libertar a raça humana da culpa gerada pelo pecado, da escravidão do sistema e dos homens pelos homens.

Sua proposta não era nada muito difícil de compreender. Era coisa que todos, do simples pescador ao membro do sinédrio, passando pelos coletores de impostos, soldados e prostitutas, poderiam entender facilmente. Afinal, o próprio Mestre mostrou como viver livremente, durante mais de três anos, antes que os mantenedores dos sistemas escravizantes o triturassem naquela cruz calhorda.

Ele foi bem objetivo e logo dizendo: Buscai primeiro o Reino de Deus e todas as coisas vos serão acrescentadas, inaugurando um novíssimo e inusitado sistema econômico financeiro. Quando seus seguidores deram mostras de não ter entendido, ao se enrolarem com a tarefa que lhes foi dada pelo Mestre, a saber, alimentar a multidão de seguidores, ele tratou do caso pessoalmente, sem deixar de observar: Vocês ainda não entenderam… e pediu ao povo para sentar enquanto distribuía o alimento a todos, a partir de poucos pedaços de pão e peixe que um menino trazia consigo. Trabalhar por dinheiro, comprar, vender, pescar industrialmente, etc., não era mais necessário, se é que algum dia foi. Quanto ao governo humano, ele tratou de chamar Herodes pelo nome certo: aquela raposa. À Igreja e sacerdotes, rebaixados a sepulcros caiados.

Interessante lembrar o fato de Jesus mencionar claramente que antes do fim de tudo, não seriam determinantes os sinais de nosso planeta, como terremotos, tsunamis, tempestades, etc., mas sim, os sinais que ocorrerão nos astros mantenedores do nosso planeta. Esses nós ainda não conseguimos maltratar, exceto por uma ou outra improvável visita à Lua. Não somos nós que damos vida ao planeta, mas o contrário, é ele que nos mantém vivos, do ponto de vista físico, providenciando, água, oxigênio, gravidade e temperatura ideal à nossa vida. Por enquanto ele vai muito bem obrigado.

Quando necessário ele dá uma tremidinha aqui ou acolá, uma esquentada ali e uma esfriada para lá, ou manda seus vulcões lançarem mais gás carbônico na atmosfera para equilibrar as coisas. É só. Sem falar que ele, ao longo de milhares de anos, corrigiu muitas de nossas imprudências. Além desses detalhes pouco relevantes, o nosso planeta segue seu curso normal que não é estático, está, sempre esteve e sempre estará em movimento e isso implica em mudanças necessárias, como mudar porções de terra de lugar, fazer o mar chegar mais para cá ou mais para lá, werevis.

O apóstolo Paulo, após a morte do Cristo, ainda fez o possível e o impossível para por ordem no galinheiro, digo, entre os discípulos. Escreveu, falou, esperneou, amargou prisões em cima de prisões, naufragou, teve que trabalhar para sustentar os outros, exortou exploradores de viúvas, alertou a todos para não crerem nos falsos mestres, gente que sobre o que não sabiam e muito menos entendiam, faziam ousadas apologias.

Mas não deu certo, logo ele também tomou sua cruz e seguiu a do mestre. Aos poucos, tudo voltou ao normal, ou seja, todo mundo devidamente servil a governos, igrejas e negociantes, pior, escravos por causa da culpa. A ele seguiram-se outros tantos. Parece que nossos irmãos humanos não têm lá grande apreço por profetas autênticos.

O que estamos fazendo hoje! Vinte séculos depois, nossas gerações continuam escravizadas à culpa, para grande alegria dos psicólogos e seus primos psiquiatras, e aos mesmos poderes dominantes. Continuamos assassinando os profetas de Deus e preferimos ouvir imbecis, falsos sacerdotes e ensinadores que só fazem estimular o povo a aceitar o domínio de governos humanos corruptos e mentirosos, de igrejas inóspitas e irrelevantes do ponto de vista espiritual, para não dizer em tudo, e dos negociantes desonestos de nosso tempo. Imagino Deus diante dessa cena dantesca e ridícula proporcionada por twiteiros de plantão dando importância indevida ao que importância alguma teria, como aquele espetáculo deprimente de corruptos degolando um igual, na nossa assembleia com formato de circo.

Para fechar com chave de ferro velho enferrujada, nada, absolutamente nada, se faz com relação à culpa, ou melhor, a solução já foi dada por Jesus e de graça. Nós não cremos, mas ele pagou a conta da culpa de toda a humanidade. Sei que essa afirmação caiu na vala comum das insignificâncias, embora nada tivesse maior significado. Não há a menor necessidade de continuarmos servindo feito escravos às pessoas iguais a nós. Não devemos mais nada. O SERASA e o SCPC mentem deslavadamente. Não iremos para o inferno por causa daqueles esqueletos guardados cuidadosamente em nossos armários.

Deus não trabalha e nunca trabalhou assim. Meu caro, minha cara, não mudem de sexo ou de igreja, ou mesmo virando um sem igreja. Nada disso é necessário. Mude de vida assumindo sua liberdade em Cristo. Seja livre para dar a outra face a quem lhe agride, para estender a mão a quem precisa de fato, carinho aos entristecidos e muito amor aos que ainda continuam escravos. De repente, até uns milagres por aí.

morcego-12

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O evangelho da igreja

O que diz a Igreja
O que diz a Igreja


“As pessoas ficarão impressionadas conosco’, o Grande Inquisidor diz a Jesus, ‘e pensarão em nós como deuses, porque nós, que nos dispusemos a lidera-las, estamos prontos a suportar a liberalidade, essa liberdade da qual elas fogem com horror; e porque estamos prontos a exercer domínio sobre elas – de modo que no final ser livre parecerá para elas coisa terrível. Mas nós diremos que estamos te obedecendo e governando apenas em teu nome. Igualmente nós as estamos traindo, pois não deixaremos que tenhas mais qualquer coisa a ver conosco’. De fato, ‘Por que vieste nos atrapalhar?’ O Grande Inquisidor quer pegar esse Jesus que veio novamente, trazendo liberdade novamente, e queimá-lo como herege em nome da Igreja”.

A questão torna-se não “O que Jesus diz”, mas “o que a Igreja diz”?

Trecho clonado do livro O Evangelho Maltrapilho de Brennan Manning, que por sua vez copiou a citação do Grande Inquisidor de Hans Kung em Freedom today. O Grande Inquisidor está em nossa lista de livros para download, se desejarem ler na integra.

Poderíamos amenizar a questão dizendo algo como: “você está correndo o risco de estar seguindo o evangelho da igreja, religiosamente, e não o de Jesus Cristo”, entretanto, não seria verdade. Dificilmente você está seguindo o que diz Jesus.

Excetuando os problemas de tradução e versão das bíblias disponíveis, suficientes para criar enormes problemas no entendimento da galera, estou certo que a igreja criou sua própria palavra e/ou evangelho. Jesus passou trinta e três anos e pouco no planeta e sua ênfase escancarada foi a liberdade, do pecado, das instituições e dos nossos semelhantes. Enquanto isso, a igreja só fez, e ainda faz, escravizar as pessoas, de várias formas, sobretudo, através de sua teologia nada isenta. Seus representantes máximos têm o desplante de usar palavras, tais como: ortodoxia, fundamentalismo, literatismo, reforma, etc., com o fim de assegurar exatamente o que descumprem, ou seja: a fidelidade ao autor e consumador da coisa toda.

Eu li, e certamente você também, Jesus dizendo coisas como: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”; e em outro trecho: “e conhecereis a verdade e a verdade os libertará”. Mas essa nunca foi a ênfase da igreja. A igreja trata de escravizar as pessoas para tê-las a seus pés, a seu serviço e para sustentar seus caprichos. Seus mandatários exigirão longas orações nos mais inóspitos montes de sua cidade, os submeterão a longuíssimas pregações da mais elevada falta de bom senso e lhes servirá intolerâncias preconceituosas de todos os modelos, em uma bandeja de prata de lei.

A igreja elaborou e entrega outra agenda. Nela há uns cem números de tarefas e obras salvadoras. Começa sempre com os pobres, passa pelas criancinhas abandonadas e moradoras de rua, vai pelos aidéticos, a nova e surpreendente preocupação da moda eclesiástica com a educação, as adolescentes grávidas, todos os tipos de doentes físicos, como se ela fosse um hospital ou clínica de terapêuticas psicológicas, os mesmos bêbados e drogados de sempre, os sem liberdade religiosa e nunca, mas nunca mesmo, se ocupa do pecador e da liberdade apregoada por Cristo. Liberdade esta que caberia, a todos os anteriores, como luvas de médico.

Nada ali se comparara à verdade, pois ela, e só ela, nos libertará. Definitivamente ela não se encontra na igreja e/ou é apregoada pela igreja.

Ancorado

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O que a Igreja diz?

igreja dorminhoca

“As pessoas ficarão impressionadas conosco’, o Grande Inquisidor diz a Jesus, ‘e pensarão em nós como deuses, porque nós, que nos dispusemos a lidera-las, estamos prontos a suportar a liberalidade, essa liberdade da qual elas fogem com horror; e porque estamos prontos a exercer domínio sobre elas – de modo que no final ser livre parecerá para elas coisa terrível. Mas nós diremos que estamos te obedecendo e governando apenas em teu nome. Igualmente nós as estamos traindo, pois não deixaremos que tenhas mais qualquer coisa a ver conosco’. De fato, ‘Por que vieste nos atrapalhar?’ O Grande Inquisidor quer pegar esse Jesus que veio novamente, trazendo liberdade novamente, e queimá-lo como herege em nome da Igreja”.

A questão torna-se não “O que Jesus diz”, mas “o que a Igreja diz”?

Trecho clonado do livro O Evangelho Maltrapilho de Brennan Manning, que por sua vez copiou a citação do Grande Inquisidor de Hans Kung em Freedom today. O Grande Inquisidor está em nossa lista de livros, se desejarem ler na integra.

Poderíamos amenizar a questão dizendo algo como: “você está correndo o risco de estar seguindo a religião de sua igreja e não a de Jesus Cristo”, entretanto, não seria verdade. Dificilmente você está seguindo o que diz Jesus.

Excetuando os problemas de tradução e versão das bíblias disponíveis, suficientes para criar enormes problemas no entendimento da galera, estou certo que a igreja criou sua própria palavra. Jesus passou três anos e pouco no planeta e sua ênfase escancarada foi a liberdade, do pecado, das instituições e dos nossos semelhantes. Enquanto isso, a igreja só fez, e ainda faz, escravizar as pessoas, de várias formas, sobretudo, através de sua teologia nada isenta. Seus representantes máximos têm o desplante de usar palavras, tais como: ortodoxia, fundamentalismo, literatismo, etc., com o fim de assegurar exatamente o que descumprem, ou seja: a fidelidade ao autor e consumador da coisa toda.

Eu li, e certamente você também, Jesus dizendo coisas como: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”; e em outro trecho: “e conhecereis a verdade e a verdade os libertará”. Mas essa nunca foi a ênfase da igreja. A igreja trata de escravizar as pessoas para tê-las a seus pés, a seu serviço e para sustentar seus caprichos. Seus mandatários exigirão longas orações nos mais inóspitos montes de sua cidade, os submeterão a longuíssimas pregações da mais elevada falta de bom senso e lhes servirá intolerâncias preconceituosas de todos os modelos, em uma bandeja de prata de lei.

A igreja elaborou e entrega outra agenda. Nela há uns cem números de tarefas e obras salvadoras. Começa sempre com os pobres, passa pelas criancinhas abandonadas e moradoras de rua, vai pelos aidéticos, a nova e surpreendente preocupação da moda eclesiástica com a educação, as adolescentes grávidas, todos os tipos de doentes físicos, como se ela fosse um hospital ou clínica de terapêuticas psicológicas, os mesmos bêbados e drogados de sempre e nunca, mas nunca mesmo, se ocupa do pecador e da liberdade apregoada por Cristo. Liberdade esta que caberia, a todos os anteriores, como luvas de médico.

Nada ali se comparara à verdade, pois ela, e só ela, nos libertará. Definitivamente ela não se encontra na igreja.

lousign

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A parábola dos tais lentos

062412_0152_Aparbolados2A Parábola dos Tais lentos

 

Fico assistindo por aí, principalmente no Twitter, o pessoal todo incomodado com os televangelistas neopentecostais e as riquezas que eles, cada vez mais, acrescentam aos seus tesouros. Quanto mais leio esses críticos contumazes e implacáveis mais penso: o que está errado nisso? Sim, porque me incomoda e quando isso acontece, batata, algo está errado.

Jesus saiu com aquela conversa, tipo parábola, a respeito dos talentos. Deu cinco para um, dois para outro e ainda teve o último que levou um. Nesse caso, o vilão não foi o televangelista neopenteca, que recebeu mais talentos, mas o pobretonas, como dizia o apóstolo português, que recebeu só um.

Claro que os dois meteram os pés pelas mãos, o primeiro virou isso mesmo, um televangelista neopentecostal, adepto da teoria da prosperidade, com jatinho, new look e tudo que tinha direito. Multiplicou seus talentos a mil. O outro, cheio de ortodoxia, crítico feroz da Teologia da Prosperidade, Tweet sim tweet não, uma espezinhada no cara dos muitos talentos e mais de mil novas igrejas em apenas um ano, todas rendendo a cem por um, escondeu o talentozinho embaixo da cama e ainda sentou em cima, impedindo que alguém o achasse.

Pera aí, eu também não entendo como pode. Deus deve estar de brincadeira, pior, no fim ainda tirou o único que havia dado para o teólogo do Jabaquara e o deu ao turco carioca, aquele crápula.

De repente me vem à mente uma pequena ideia capaz de começar a iluminar esse enigma, a la Dr. House: E se Jesus estiver querendo ensinar exatamente onde Deus coloca a sua ênfase? E se não for nada relacionado à grana? Seria outro, o jogo? Algo como, o homem visto sob diferentes perspectivas.

Vivi durante um mês com um desses grandes televangelistas pentecostais, lá em Portugal. Estive todos os dias com ele, na casa dele, com a família dele. Frequentei as reuniões que ele fazia com seus pastores, nas igrejas dele em Lisboa e almocei com ele diversas vezes. Trocamos 062412_0152_Aparbolados1muitas conversas. Fiquei fã do cara, não da teologia dele. Sem abrir meus arquivos, minha teologia era incomensuravelmente mais consistente que a dele. Admirável era vê-lo colocar seus talentos em ação. Ficava tão atordoado admirando-o que nem me lembrava de usar o meu único. Em todo o tempo que passei perto dele, nunca o vi descansar ou descansando. Ia dormir e ele estava lá, fazendo alguma coisa para ganhar mais. Acordava e ele já estava trabalhando para ganhar mais ainda. Cheguei mesmo a pensar que não gostaria de ter a vida dele. Em momento algum senti um milímetro de inveja que fosse, pois meu negócio sempre foi privilegiar os encontros com os amigos para o bate papo furado, a cervejinha (ou vinhozinho, no frio), andar de conferência pastoral em conferência das fraternidades ou fraternas, assistir aos jogos do meu time e, claro, dar toda atenção à patroa, enquanto ela o desejasse.

Então me dei conta que éramos dois homens muito parecidos, talvez da mesma espécie, o tal “homo sapiens”. Além de nossos antagônicos “ways of life”, mais duas coisas nos diferenciava, pasme, primeiro a quantidade de talentos que cada um possuía, ele com cinco e eu com um, lógico. Depois a fé que ele exercia, fé do tipo certeza nas coisas que não se veem. Ele vivia repetindo, “não ando pelo que vejo”. E mais, como aquela claridade fulminante que surge junto com um raio, que de longe chamamos de relâmpago, me dei conta de que nós dois estávamos nos lambuzando com os nossos talentos, ele com os cinco e eu com o meu mísero e único.

Agora o principal, Se Deus nos julgar pelo critério do que fizemos com nossos talentos, como o senhor da parábola de Jesus, iremos os dois para o meio do inferno, só com bilhete de ida. Claro que eu irei primeiro e antes de me despachar, o senhor tirará meu talento e o dará ao portuga danado e o chamará de servo bom e fiel na minha frente, para me constranger ainda mais.

Só que não era esse o ensino de Jesus, o mesmo que citou a parábola dos talentos. Provavelmente ele estava mandando uma boa indireta ao ultrapassado sistema de crenças farisaicas. O evangelho de Jesus é o da Graça, do favor imerecido e do perdão incondicional. Por esse critério, tanto o televangelista pentecostal, português, norte americano ou brasileiro, que se lambuzou com toda a grana que ganhou, entrará no Reino de Deus, quanto eu e todos os lentos iguais a mim, passando pela vida sempre endividados, apertados, sem grana até para custear as despesas decorrentes do tratamento de um filho ou pagar as poucas prestações e contas normais e outras carências, pois isso é o que não nos falta.

“Estar vivo é estar incompleto. E estar incompleto é carecer da graça.” Brennan Manning em O Evangelho Maltrapilho

Nós todos seremos salvos, não pelo que tivemos ou fizemos de certo ou errado. Provavelmente, todos nós teremos algo do que nos envergonhar. Segundo Jesus, Deus nos salvará, sem custo adicional algum, pela sua graça, para nossa miséria. Nenhum de nós possuí ou pratica a teologia certa e formamos, juntos, um monte de babacas religiosos e preconceituosos.

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A sua benção dos céus de cada dia

A Sua Benção celestial de cada dia
A Sua Benção celestial de cada dia


 

Mas bastante tenho recebido e tenho abundância; cheio estou depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, como sacrifício agradável e aprazível a Deus. E o meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo a sua gloriosa riqueza em Cristo Jesus. Ao nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre. Amém” Filipenses 4 18 – 20

Gosto de versículo com palavras de agradecimento e satisfação da parte do apóstolo Paulo, que muito embora tenha aquelas manias calvinistas de eleição e predestinação, tem lá os seus momentos. Espero que tudo isso se aplique a mim hoje, embora uma parte disso ainda esteja na conta da fé. Epafrodito veio e trouxe o que devia trazer da parte dele, da esposa e não sei se da parte de mais alguém e estou cheio de gratidão. Para mim, Deus não erra em contas, mesmo quando duvidamos disso, então continuo esperando um milagre. Essa é a verdadeira vida de um cristão, se não me engano, esperar milagres diariamente.

Anos atrás, participei de uma missão importante, um pouco arriscada, de ir visitar e suprir cristãos que viviam em regiões hostis às religiões e sobretudo aos cristãos. Saí do Brasil com destino a Viena na Áustria, onde encontrei um amigo e de lá fomos ao encontro do pessoal que estava em uma base de verão, de onde partiam equipes que entravam no leste europeu, sob o domínio da União soviética, na época.

Nos dias que passamos juntos a esse grupo, ministrei uma devocional, em uma manhã, sobre a benção de servir e a recompensa no porvir. Meu colega brasileiro e eu decidimos com base naquela palavra, práticar nos transformando em caçadores de bênçãos eternas, seja lá o que isso venha a ser. Era também uma forma de nos sentir humilhados por sempre sermos escolhidos para as tarefas menos nobres, como lavar louças, trabalhar na oficina de manutenção das Kombis, trocar vidros, jardinagem, mudanças, transporte de moveis, carregamento da carga nos veículos, etc. Antes que fossemos convocados, antecipávamos e nos apresentávamos para os serviços. Essa nossa atitude causou impacto naquele grupo de jovens e fez um gol importante a nosso favor.

Até hoje me pego buscando bênçãos e fazendo meus depósitos nos bancos celestiais, onde a traça e a ferrugem não corroem e os ladrões não conseguem chegar. Mas sinto profundamente em presenciar a mais completa falta de apetite do pessoal para tanto. Não culpo ninguém, a não ser a existência de certo cansaço com tantos apelos e contradições cristãs pairando por aí.

Fiz minha parte missionária. Melhor coisa é dar do que receber, em outras palavras, o que recebi me trará muito mais responsabilidades do que aquilo que não recebi. Mas não me alegra o fato de presenciar as pessoas cristãs ou não perdendo oportunidades tão ricas de serem eternamente abençoadas. Não estou falando da atitude pagã de dar para receber, apenas. Certamente não se trata disso. Falo de fé, vida cristã autêntica e bênçãos já liberadas pelo papai do céu.

Tenho a mais absoluta das certezas de que seria muitíssimo mais fácil para o Dono do Universo liberar um trabalho digno para mim, desses que possibilitam viver sem sobressaltos e, principalmente, sem depender ou incomodar as pessoas à nossa volta. Acho que não há um dia que eu não escave a terra em busca de oportunidades de trabalho, tanto em busca de clientes para consultorias, como alguma outra possibilidade diversa. Consegui algumas vezes, mas sempre há algo que foge ao meu controle e a coisa se perde tão rápido quanto chegou. Certamente, devido algum desvio que está em mim, mas ou não consigo identificar, ou o Maioral tenha outros planos para minha vida. Afinal, fui eu quem dedicou a vida ao serviço dele, espontaneamente e voluntariamente.

Sairemos agora para uma nova etapa na vida de nosso filho cardiopata congênito. Nossa expectativa é que se inicie outro tempo, com novas possibilidades e tempos abençoados por Deus. Sinto isso bem no lugar onde minha alma e meu espirito se unem. Apesar dos pesares, sei que é da vontade do Criador que continuemos oferecendo à comunidade a possibilidade de participar com novas bênçãos depositadas na Casa do Tesouro Celeste.

Vocês são meus convidados pessoais.

Um beijo nas carecas e perucas

Lou Mello

Obs: A morte precoce de meu filho Thomas, naquela madrugada fatídica do dia 20 de abril de 2013, me lançou um outro desafio: “E aí, mesmo em face da morte você é capaz de continuar crendo e, pela fé, esperar o dia em que verá a vida do outro lado, incluindo seu filho? Onde está escrito que a morte é o fim? Mire-se no exemplo de Cristo, ele venceu a morte.”

morcego-12

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Governado pelo Evangelho


“Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Pois, o que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?” Marcos 8: 35 a 37

A decisão de assumir o compromisso de viver e propagar o evangelho, começando por introjetá-lo completamente, antes de tudo, só será validada pela mais completa e irrestrita dedicação ao próprio evangelho. Isso implica em deixar (abandonar totalmente) e voluntariamente todas (sem exceção) as suas outras ligações nesse mundo e/ou na minha vida, repito, não como dogma, mas por dedicação consciente e de desejo próprio.

No tempo em que trabalhei no Centro Municipal de Esportes do Ibirapuera, no programa Adote Um Atleta, lá pelos anos oitenta, um de meus colegas de trabalho acabara de voltar da União Soviética, onde fez um estágio na central onde preparavam as equipes olímpicas. Segundo ele, todos os atletas russos passavam por uma entrevista onde lhes requeriam total e irrestrita devoção ao esporte, sem qualquer outra atividade (inclusive namoro) enquanto estivessem a serviço da nação, como atletas.

O fato é que o evangelho não admite meio termo, ele requer tempo integral, dedicação de 24 X 7 e fé, pois todas as coisas vos serão acrescentadas e não trabalhadas ou produzidas pelo interessado. O que daria eu por minha alma? Na verdade, como vimos no post anterior, nem religião ou mesmo uma crençazinha básica poderá roubar lugar ao evangelho. Fé e evangelho são irmãos gêmeos e siameses.

Meus anos de verdadeira fé e evangelho começaram em meados do final dos anos setenta e entraram anos oitenta adentro. Mas a revelação maior veio lá por 1984, não sei se foi coincidência ou não, e acho que até Orwell duvidaria, mas aconteceu durante um seminário dirigido pela Dra. Louise Mackney, nas instalações da Faculdade Teológica Batista, em Perdizes – S. Paulo. Imagine que ela veio com aquela história de que o professor não era a pessoa mais importante em uma sala de aula. Isso juntou-se ao livre pensar aprendido nos anos Vocacionais e a total subversão solicitada por Cristo para fazer o evangelho e bum! Explodiu igual uma bomba dentro de mim.

Claro que meu ego continuou lutando bravamente para não me perder para qualquer evangelho furtivo. Meu interior virou uma gangorra. Já era um pouco, e virou muito mais na dança de alto a baixo e vice-versa. Então fui lecionar em um desses seminariozinhos brasileiros que dá vergonha até de mencionar o nome, o que já é uma incompreensível incoerência. Sem me fazer de rogado, fui logo trabalhando na vertente do evangelho via livre pensar mais total dedicação aos alunos samaritanos, como se eles fossem gente. O maior servindo a todos os menores. Não demorou muito para vir a demissão sumaria. Na virada do ano me informaram que eu não estava mais nos planos deles. Também, um herege desses, que seminário me incluirá nos planos sacrossantos dele. Bom, mas foi tudo em nome da rosa, claro.

Mas isso ainda não era evangelho, quando prostrado adorei ao senhor e perguntei em oração o que era, a resposta veio como o véu que se rasga de alto a baixo enquanto o vento sacode a calha solta: “larga o seminário onde se dizem coisas, que coisas não eram”. Lembrei então dos tempos da missão e, pela primeira vez, me dei conta que de lá também sai por causa do evangelho e como qualquer um que larga algo por causa do evangelho, esse igualmente o salvará.

E tem gente chorando Twitter afora pela perda disso e daquilo, a posição que muito me afama ou poder me dá. Para trás de mim Satanás, eu quero é me agarrar ao evangelho e minha alma salvar. Não é musica que qualquer um cantará, muitos serão chamados e poucos serão escolhidos. Não falo de salvação, mas de servidão. Evangelizar é servir e servir é fé.

Agora estou aqui, agarro-me à vida querendo salvá-la outra vez. Mas meu destino é evangelizar e se a ele me perder, ele me salvará, novamente e outra vez. Ah, Senhor, até quando me suportarás, até quando terei sua permissão para em ti me perder? Agradeço por experimentar um pouco de sua cruz, por me deixar beber da água de seu poço e, ainda por pouco, ser homem de dores.

Ai, chorando me aproximo do meu Mestre, e sinto parte das dores daqueles por quem ele entregou seu corpo e seu sangue. Ai, sangrando olho no espelho e vejo que sou um deles, também. Ai, miserável homem que sou.

Que bom saber das boas novas, como as aves no céu, e as árvores na terra, o senhor a todos alimenta e veste. Serei como um deles, também… pouco depois.

Arrependam-se, pois o Reino de Deus chegou. É só o que nos basta.


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Missão na Integra segundo Jesus

Missão Integral
Missão Integral


Alguém disse: A religião é um fenômeno de desconexão da força superior. Creio nisso. Infelizmente, a religião não é mais o maior inimigo de nossa amizade com o Criador. Foi batida pela tecnologia e não foi por falta de aviso. O Jacques Ellul cansou de avisar, a ideia sempre foi convencer que a tecnologia liberta o homem e nisso ela se saiu muito melhor do que as igrejas.

Dia desses, alguém me enviou um link de um vídeo contendo uma palestra de um desses pastores da moda. Não sei se foi gravado durante algum culto ou outro tipo de evento, mas certamente foi realizado na igreja dirigida por ele. Logo de inicio ele diz a que veio, ou seja, faz uma crítica meio sem pé nem cabeça contra os caras que criticam a igreja sem fazer parte dela. Ato continuo, declara ter decidido ser pastor ainda na adolescência e chega a mencionar tempos difíceis de seu primeiro pastorado. Na conclusão invocou o engajamento de sua igreja em obras sociais, as quais dá o nome de Missão na Integra, se não me engano, tentando justificar seu “acerto” ministerial. Entendi, então, porque me enviaram o tal link, ou seja, fui considerado um dos tais críticos da igreja, sem fazer parte dela, provavelmente.

Ora, a igreja institucional não está proibida de existir. Até onde sei, no Brasil e na maioria dos países desse mundo esse ato é permitido. Entretanto, nada a isenta de críticas e, tampouco está acima das leis, sem falar da ética cristã. Creio que nosso colega (fomos colegas de seminário) propositalmente ou não, mistura sua instituição igreja com a ideia neo testamentaria de igreja. Sim, já que qualquer teólogo de esquina sabe muito bem que essas casas ditas “igrejas cristãs”, espalhadas mundo afora, pouco ou nada tem a ver com os ideais de Jesus Cristo. Ele nunca fundou uma igreja institucional, antes foi o maior crítico dessas espeluncas sem nunca pertencer a elas. Deixou claro que a verdadeira igreja seria a reunião daqueles que o seguissem tomando suas próprias cruzes e seguindo a dele. Aos sacerdotes considerou como os tais “sepulcros caiados e raça de víboras”.

Para completar essa tragédia, seus seguidores mais comprometidos, como Pedro, por exemplo, trataram de sacramentar as ideias subversivas de Jesus dizendo que deveríamos ser “pedras vivas” e não um bando entre pedras mortas. As cartas de Paulo, ainda que contenham bom estoque orientador dos passos a serem dados na senda cristã, confundem e embolam o meio de campo da galera. Talvez por problemas de tradução e hermenêutica ou, o mais provável, devido a inserções nada honestas nos textos, provenientes de desejos canhestros papais e sacerdotais ao longo da história da igreja. Paulo, em si, devia ser um grande sujeito e melhor cristão, ainda. O fato é que Jesus não tem nada a ver com essas igrejas, sejam católicas, protestantes (incluindo todas as seitas conhecidas), etc. Sua verdadeira igreja não é e nunca será algum tipo de religião ou instituição. A igreja dele é formada por nós, que nele cremos, buscamos distância do pecado e nos esforçamos para seguir seus ensinamentos, enquanto aguardamos sua volta triunfal.

Para concluir, o próprio mestre da Galileia não caiu na cilada de embarcar na proposta diabólica feita por ninguém menos que Judas de cuidar do social. Ele disse, “os pobres sempre os tereis convosco” quando ouviu a tentação de Judas. A receita dele para esse problema era bem outra: “Fiz-me pobre com os pobres para que vocês fossem ricos”. Em palavras mais diretas, a Missão na Integra que ele desejava incluía o desprendimento de nos despojar completamente das coisas materiais como caminho para uma riqueza verdadeira, que não era material, certamente.

Sair por aí distribuindo as infames cestas básicas, ensinando artesanato para manter os pobres mais pobres, ou perpetuando-os ao horroroso trabalho de catadores de lixo, sem um mínimo de respeito pelo ser humano, me desculpe, só pode ser coisa do demo. Não se enganem, eles fazem isso para camuflar seus pecados, a exemplo de Judas e sua proposta de Missão na Integra aos pobres.

Entretanto, anseio de todo meu coração, embora considere isso como ministério de tipo João Batista, ou seja, de pregar ao vento, que as pessoas membros das igrejas institucionais se convertam e voltem ao primeiro amor, como aconselhou Paulo aos gálatas. Entristecem-me as palavras do meu colega de seminário quando ele trata a mim (supostamente) ou a quem quer que tenha sido alvo de suas palavras, como inimigo, sem qualquer sentimento cristão de perdão e muito menos de arrependimento. Conheço muitos que, como eu, deram o melhor de suas vidas a uma dessas “igrejas” para descobrir depois que elas nos traiam. Mesmo assim, todos nós tememos pelo fim espiritual das pessoas engajadas nesses antros, onde pouco ou nada há de Deus e de Seu Filho. Apesar de tudo, ainda insistimos com Deus que liberte e salve a todos.

morcego-12

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Uma Missão Integral na ótica de Jesus


Alguém disse: A religião é um fenômeno de desconexão da força superior. Creio nisso. Infelizmente, a religião não é mais o maior inimigo de nossa amizade com o Criador. Foi batida pela tecnologia e não foi por falta de aviso. O Jacques Ellul cansou de avisar, a ideia sempre foi convencer que a tecnologia liberta o homem e nisso ela se saiu muito melhor do que as igrejas.

Dia desses, alguém me enviou um link de um vídeo contendo uma palestra de um desses pastores da moda. Não sei se foi gravado durante algum culto ou outro tipo de evento, mas certamente foi realizado na igreja dirigida por ele. Logo de inicio ele diz a que veio, ou seja, faz uma crítica meio sem pé nem cabeça contra os caras que criticam a igreja sem fazer parte dela. Ato continuo, declara ter decidido ser pastor ainda na adolescência e chega a mencionar tempos difíceis de seu primeiro pastorado. Na conclusão invocou o engajamento de sua igreja em obras sociais, as quais dá o nome de Missão Integral, se não me engano, tentando justificar seu “acerto” ministerial. Entendi, então, porque me enviaram o tal link, ou seja, fui considerado um dos tais críticos da igreja, sem fazer parte dela, provavelmente.

Ora, a igreja institucional não está proibida de existir. Até onde sei, no Brasil e na maioria dos países desse mundo esse ato é permitido. Entretanto, nada a isenta de críticas e, tampouco está acima das leis, sem falar da ética cristã. Creio que nosso colega (fomos colegas de seminário) propositalmente ou não, mistura sua instituição igreja com a ideia neo testamentária de igreja. Sim, já que qualquer teólogo de esquina sabe muito bem que essas casas ditas “igrejas”, espalhadas mundo afora, pouco ou nada tem a ver com os ideais de Jesus Cristo. Ele nunca fundou uma igreja institucional, antes foi o maior crítico dessas espeluncas sem nunca pertencer a elas. Deixou claro que a verdadeira igreja seria a reunião daqueles que o seguissem tomando suas próprias cruzes e seguindo a dele. Aos sacerdotes considerou como os tais “sepulcros caiados e raça de víboras”.

Para completar essa tragédia, seus seguidores mais comprometidos, como Pedro, por exemplo, trataram de sacramentar as ideias subversivas de Jesus dizendo que deveríamos ser “pedras vivas” e não um bando entre pedras. As cartas de Paulo, ainda que contenham bom estoque orientador dos passos a serem dados na senda cristã, confundem e embolam o meio de campo da galera. Talvez por problemas de tradução e hermenêutica ou, o mais provável, devido a inserções nada honestas nos textos, provenientes de desejos canhestros papais e sacerdotais ao longo da história da igreja. Paulo, em si, devia ser um grande sujeito e melhor cristão, ainda. O fato é que Jesus não tem nada a ver com essas igrejas, sejam católicas, protestantes (incluindo todas as seitas conhecidas), etc. Sua verdadeira igreja não é e nunca será algum tipo de religião ou instituição. A igreja dele é formada por nós, que nele cremos, buscamos distância do pecado e nos esforçamos para seguir seus ensinamentos, enquanto aguardamos sua volta triunfal.

Para concluir, o próprio mestre da Galileia não caiu na cilada de embarcar na proposta diabólica feita por ninguém menos que Judas de cuidar do social. Ele disse, “os pobres sempre os tereis convosco” quando ouviu a tentação de Judas. A receita dele para esse problema era bem outra: “Fiz-me pobre com os pobres para que vocês fossem ricos”. Em palavras mais diretas, a Missão Integral que ele desejava incluía o desprendimento de nos despojar completamente das coisas materiais como caminho para uma riqueza verdadeira, que não era material, certamente.

Sair por aí distribuindo as infames cestas básicas, ensinando artesanato para manter os pobres mais pobres, ou perpetuando-os ao horroroso trabalho de catadores de lixo, sem um mínimo de respeito pelo ser humano, me desculpe, só pode ser coisa do demo. Não se enganem, eles fazem isso para camuflar seus pecados, a exemplo de Judas e sua proposta de Missão Integral aos pobres.

Entretanto, anseio de todo meu coração, embora considere isso como ministério de tipo João Batista, ou seja, de pregar ao vento, que as pessoas membros das igrejas institucionais se convertam e voltem ao primeiro amor, como aconselhou Paulo aos gálatas. Entristecem-me as palavras do meu colega de seminário quando ele trata a mim (supostamente) ou a quem quer que tenha sido alvo de suas palavras, como inimigo, sem qualquer sentimento cristão de perdão e muito menos de arrependimento. Conheço muitos que, como eu, deram o melhor de suas vidas a uma dessas “igrejas” para descobrir depois que elas nos traiam. Mesmo assim, todos nós tememos pelo fim espiritual das pessoas engajadas nesses antros, onde pouco ou nada há de Deus e de Seu Filho. Apesar de tudo, ainda insistimos com Deus que liberte e salve a todos.

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Quando as coisas não saem como eu quero


Nos tempos do seminário, brincávamos ao constatar que uma das menores palavras da língua portuguesa continha um imenso significado. Estou me referindo à palavra “fé”. Não creio que alguém ache tarefa fácil definir fé.

O Rick Warren define fé como teste de Deus. Para ele, Deus está sempre testando a fé dos seus eleitos (o cara deve ser calvinista) para proveito da própria vitima. Cada um precisaria ter noção da fé que tem. Para Paulo, o apóstolo, a vida cristã sucede de fé em fé, conforme afirma em carta aos Filipenses, o que me leva a imaginar que uma experiência de fé precede outra experiência de fé, a caminho e sempre ou pouco maior ou mais importante.

Para mim, a pior parte desse negócio de viver por fé é ver minhas vontades sendo solapadas a cada etapa. Isso me deixa muito puro. É isso mesmo, puro, puro idiota que pensava saber alguma coisa. Não sei como Deus consegue fazer isso com a gente, mas faz. Perdi a conta das vezes em que tinha tudo calculado e Ele me deixou com o mico na mão.

O Rick vai ainda mais longe afirmando que uma vez tendo optado por uma vida pela fé, não há volta, é para sempre. Não sei se o Rick é a melhor referência para falar sobre fé, ou qualquer outro tema teológico, mas sou obrigado a concordar, nesse quesito. Depois que fiz essa imprudente opção, Deus não largou mais do meu pé e fica aí sempre querendo provar que está certo e eu errado, ou me desencaminhando ou, ainda, me descarrilhando. Droga.

Nos últimos anos, o velhinho me deixou só com a minha fé, feito um Jó. Nada mais de encontros no alto do morro, nem nos cafés ou nas praças de alimentação dos shoppings. Talvez isso tenha acontecido por causa da imprudência de Paulo com essa história de crescer espiritualmente de fé em fé, sei lá. No máximo, umas visitas noturnas do sofrido e malandro anjo protetor do meu filho, o Raniel, que sempre aproveita para me dar alguma notícia do reino.

Em minha proverbial humildade, afirmo que poucos desses teólogos twitteiros tiveram a fé que eu tive. Duvido que qualquer um deles atravessaria o atlântico sem nenhum puro no bolso, como fiz, certo de que Deus era comigo. Uma vez, essa é boa, estava sem nenhum, nem para dar esmola, e morto de fome, quando ouvi Deus me dizer (sei que você não vai acreditar nisso) para ir ao Mcdonald, bons tempos aqueles. Cheio de fé, não só fui como ainda levei o Siepierski comigo. Claro, no caminho me senti um idiota e ouvi os demônios fazendo a dança da morte em volta da minha cabeça. Estacionei e, mal desci do carro, uma jovem me abordou, enquanto outra fazia o mesmo com o Siepierski. Calma, não era o que você está pensando, elas queriam saber se topávamos fazer um teste de sanduiches para o Mcdonald, com direito a um lanche, com fritas e refrigerante grátis, no final. Putz, nunca comemos tanto naquele lugar, como naquele dia, e sem pagar lhufas. Depois disso, nem sinal dos capetas, mais. Ainda tirei um sarro da cara do Siepierski perguntando-lhe: “Você teria fé para vir ao Mcdonalds sem dinheiro, crendo que Deus nos providenciaria um lanche desses?”

O fato é que as experiências de fé se multiplicaram em minha vida, entretanto, todas as vezes que dou de cara com os meus planos indo por água abaixo, minha tromba cai. Cara, como isso é frustrante. Você assume compromissos, todos com o tradicional “sem falta” e chega o dia e nada. Deus não está nem aí para meus planos. Ligo para ele e só dá caixa postal. Nem o Gondim sabe onde ele anda. A D. Arlete sabe, mas fica com aquele ar de profeta sabe tudo e só fala por enigmas e parábolas que a gente só entende quando a vaca já foi para o brejo. Até parece eu, quando sou consultado. Ah, como é bom estar por cima da marmelada ou da carne seca se você for nordestino.

Mas o fato é que somos exigidos segundo a nossa fé, todos os dias. Quem tem mais, terá que dar mais, não adianta tentar esconder sua fé em qualquer lugar. Ele sabe que você a tem e irá trata-lo por esse critério, como está fazendo comigo nesse exato momento, enquanto frustra tudo que eu havia planejado para hoje e os próximos dias. Pior será ver que, no fim, tudo deu certo, mas do jeito dele. Nesse propósito você verá coisas incríveis acontecerem, que até Deus duvidará. Essa semana, meu amigo e advogado nas horas mais tristes me disse, ao se referir a uma causa cível na qual estamos envolvidos: “Meu, isso é um milagre”. Tal o inusitado do andamento do trem.

As coisas não andam mais segundo o que quero, mas segundo a fé, que implica em confiar, totalmente, cegamente, infinitamente.

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Mulher, ninguém te condenou? Tão pouco eu te condeno.

Mulher Adultera
Mulher Adultera


Venho observando todo esse movimento em torno das mulheres em papeis de destaque na sociedade. Ao mesmo tempo em que me alegro em ver algumas mulheres competentes em posição ideal de exercer suas competências, os exageros causam-me estranheza e certa apreensão, até. Jantei com o casal Suzana e Daniel Fresnot, há pouco tempo. Eles são líderes do belo trabalho das Casas Taiguara, destinadas às crianças moradoras de rua na cidade de São Paulo. O casal é de origem judaica, muito dedicados à leitura e o Daniel é um estudante profícuo da Bíblia. A brincadeira mais recente dele é traduzir o Pentateuco de uma versão dos rabinos franceses para português. Durante o jantar, a Suzana afirmou que Jesus era um tanto machista. Pensei em argumentar em oposição, mas hesitei com medo de ser deselegante. Entretanto o Daniel tomou a palavra e fez uma das mais brilhantes apologias ao respeito e sensibilidade de Jesus em relação à mulher que eu já ouvira. Para tanto, ele usou a história da mulher adultera e sinto não ter gravado aquele momento. Não tentarei reproduzir o que ele disse para não incorrer no erro de ser impreciso e comprometer algo tão belo e verdadeiro. Tampouco condeno a Suzana que tão somente citou um dos mitos que pouco a pouco se alastram nas ondas feministas que andam assolando a humanidade.

Com a mais absoluta certeza não tenho nenhuma objeção à mulher desempenhando papeis tradicionalmente ocupados por homens. Não penso que o gênero deva definir a escolha. Infelizmente vi uma mulher alçada à presidência de nosso país, não por sua competência, mas por imposição de um político truncho, que resolveu fazer mais uma inscrição na calçada da fama, como o cara que alçou a primeira presidente mulher do Brasil. Dizem que o Lula quase teve um infarto quando alguém lembrou-lhe que a Dilma não era a primeira presidente brasileira mulher de fato. Antes dela, a princesa Isabel exercera a função, inclusive, tendo entrado para a história por ter assinado a infame Lei Áurea. Infame porque, para mim, a liberdade de qualquer ser humano deveria ser inata e não dar-se por decreto de quem quer que seja, sobretudo pela pena de uma princesa qualquer, obrigada a fazê-lo porque seu pai não foi homem suficiente para fazê-lo e largou a bomba na mão dela. Claro que logo o cordão dos bajuladores veio com argumentos insólitos menosprezando a Princesa Isabel na condição de primeira mandatária do País. Uma grande bobagem, diga-se de passagem, pois ela não só ocupou e exerceu o cargo político mais importante da nação, como ainda carregava consigo certo “plus” que a tornava ainda mais importante, ou seja, o pedigree de ser filha legitima do imperador e, portanto, princesa consorte, e bota sorte nisso.

Concordo com o Daniel e muito mais ainda com Jesus. Pouquíssimas vezes, se não a única, a mulher foi tão dignificada e bem defendida quanto aquela senhora que Jesus da Galileia livrou das pedras e da morte. Para cristãos e judeus mais ortodoxos ela não merecia nem um olhar do Mestre, quanto mais sua intervenção salvadora. Afinal ela traíra seu marido, através do adultério. Para aquela assembleia, mulheres adúlteras não mereciam nenhum respeito. Mas Jesus foi direto na jugular da homorada presente com aquela celebre colocação interrogativa: Quem não tem pecado que atire a primeira pedra. Não pense você que ele se referia a pecados veniais, como espiar a empregada tomando banho pelo buraco da fechadura da porta do banheiro, passar o dedo na cobertura do bolo ou não fazer a lição de casa. Jesus estava afirmando que quem nunca houvesse adulterado atirasse a primeira pedra. Surpresa! Todos, e não eram poucos, os senhores presentes eram réus culpados desse horroroso pecado mortal.

Para mim, todos os homens e mulheres que forem vitimas de cônjuges adúlteros estarão entre os mais miseráveis sofredores da raça humana. Nunca passei por isso, mas só de imaginar a cabeça com cornos enormes para o delírio de toda a vizinhança, me dá arrepios indescritíveis, fora o desgaste psicológico da vitima. Naquele caso, ali estava uma mulher quase indesculpável. Digo quase porque imagino que nenhum de nós a teria absolvido. Juízes e leis humanas nunca absolvem pecadores. Mas entendo que Jesus fez daquele acontecimento algo emblemático na questão da mulher e das liberdades femininas. Para mim, ele disse com aquela defesa maravilhosa, que todas as mulheres são tão dignas quanto qualquer homem diante de Deus, até a mais vil pecadora dentre elas. Parece que nosso senhor tinha certa propensão a considerar os últimos como os primeiros.

Concluindo, lembro-me da vez em que usei essa passagem bíblica em minha predica no culto semanal na Escola Superior de Teologia Evangélica. Claro que procurei usar essa entonação toda perdoadora e dignificadora do ser humano mulher, a exemplo do Senhor. Um pastor presente, que era aluno da escola, não suportou o que para ele seria um grande horror, e entregou-se me confrontando. Para ele, a mulher adultera nunca deveria ter sido perdoada. Louvo a sinceridade do babaca, e me curvo ao fato de que todos nós seriamos qualificados para fazer parte como figurantes naquele grupo de apedrejadores e nunca para o papel que Cristo desempenhou ali.

Lula nunca entendeu e nunca entenderá o jeito de Jesus engrandecer a mulher. O Senhor salvou uma mulher que deveria ter morte certa segundo a lei dos homens, para engrandece-la, enquanto Lula elevou uma mulher à presidência de uma grande nação para elevar a si próprio. A Dilma que se vire agora para não decepcionar o resto das mulheres e até alguns homens, entre os quais me incluo. Seria péssimo para a raça humana se ela nos desapontasse. Ainda vivemos em tempos que homens podem meter os pés pelas mãos, a torto e direito, enquanto isso ainda não é permitido às mulheres. Mais um ponto para o Galileu.

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Antes que seja tarde…

 

“Além de discutível do ponto de vista ético e jurídico, a interrupção da gestação dos anencéfalos abriria as portas para a interrupção de inúmeros embriões que sofrem ou venham a sofrer de problemas genéticos que levem ao encurtamento de suas vidas intra ou extrauterinas”.

Ricardo Lewandowski

ministro do STF

Essa é uma frase profética que deverá ser bem guardada. Receio que ela será evocada, em breve.

Há muito tempo, venho me queixando e me irritando com essa mania obsessiva de fazer leis que tomou conta da nação. Nem os grandes juristas parecem ser capazes de encontrar a diferença entre lei e decretos, entre lei e regulamentação, entre lei e ética, entre lei e educação, entre lei e estatuto, entre lei e código ou entre lei e mandamento. Ah, tá vendo como as aulas de filosofia fazem falta caros ministros e secretários de educação, que resolveram abolir a matéria da maioria dos currículos! Afinal, nossos alunos são tão massacrados com tanto saber, que foi melhor aliviá-los um pouco. Assim lhes sobra mais tempo para ajudar no tráfico de drogas, praticamente a única forma deles alcançarem um Iphone, um Ipod, o tênis Nike, o boné, a calça larga, com correntes, claro, já que o ECA os proibe de trabalhar.

Bom, na falta deles (educadores de verdade, da estirpe de uma Maria Nilde Mascellani que os nossos últimos ditadores declarados trataram de vilipendiar, por exemplo) sempre há uma presidentA de plantão a arvorar-se em educadora, sem qualquer especialização em língua portuguesa e em ciências legais (a não ser em técnicas de terror ou na esbórnia, como eu) para determinar, via uma leizinha qualquer, que presidente mulher agora é presidentA. Pior que ela nem é mulher das mais católicas, segundo as más línguas. Também, quem foi que me disse que feminismo não pode ajudar a caotizar um povo, tanto quanto o machismo. O que importa é o caos, como ensinava Lenin, pois é nele que se colhe a revolução.

Então agora, tudo se resolve no Congresso e quando seus membros se acovardam, pois são feitos de pau e pedra, aludem ao tal do Supremo Tribunal Federal. Já reparou que até bem pouco tempo, não se falava nesse tribunal? No entanto ele existe faz tempo. Você seria capaz de citar algum juiz do STF da década de noventa ou oitenta? Pois é, nem eu. Se bobear, daqui a pouco o pessoal começará a deitar umas flores aqui, outra acolá, uma velinha de sete dias ali, outra lá, e é já que neguinho, digo afros-descendentezinhos, euros-descendentezinhos, nipos-descendentezinhos e índios-descendentezinhos estarão deitando reza brava para ministros juízes, senadores e deputados curarem suas erisipelas e impotências, mesmo que seja só com suas sombras ao passarem perto da malta.

Qualquer causa julgada por seres humanos sempre lançará mão de valores religiosos, seja de valores cristãos, mulçumanos, budistas, judaicos, espiritas e mesmo ateístas. Todos esses se pautam em crenças e, nesse sentido, são todos crentes.

Sabe, tenho uma tese para essa excentricidade, para não dizer vergonha. Isso está acontecendo porque outra profecia, também pronunciada por um juiz, não desses do STF, mas da vida, ou seja, o preclaro mestre Jesus Cristo que, imprudentemente, avisou o povo seguidor dos seus passos sobre o perigo do sal perder o sabor. Segundo o galileu errante, nesse caso, o sal para mais nada serviria, a não ser, para a lata do lixo. Trocando em miúdos, ele falava dos pastores, dos cristãos e toda essa gente que a cada dia tem menos gosto ou sabor. Uns estão atrás de dinheiro, outros de mulher e até de homens. Há aqueles que trocaram o sabor pelo direito de estar na moda, ser de esquerda, a favor da liberação aborto, do culto à mulher, no caso deles, puro jogo de cena com objetivos bem picaretas.

Com isso, não há mais nenhuma voz que se levante, com alguma credibilidade, para falar em nome Deus. Todos os clérigos perderam-se em loquacidades frívolas. Assistem os juízes do STF falar, como se espirituais fossem, de camarote, na frente de suas TVs de 60 polegadas. Qual médico ou agente de saúde parteira, por mais idiota que fosse, não interromperia a gravidez de uma criança anencefála? Eu nunca ouvi falar que tal tenha se dado. Se nasceu alguém assim, foi porque não souberam a tempo ou os pais preferiram esperar o nascimento, salvo engano.

Então qual o sentido dessas verdadeiras tardes-noites circenses desses senhores e senhoras, todos muito bem assalariados com o dinheiro do povo, enquanto ele, povo, vai perdendo os pouquíssimos direitos que lhe restava, como o de viver em família, com sexo dentro do casamento, os papeis muito bem definidos, sem crises, com direito de ir à igreja aos domingos, orar, rezar, agradecer e até ouvir um bom sermão de um pastor idôneo, daqueles que não roubava ou muito menos usava de hipocrisia, ou de um padre que não molestava os meninos ou não apoiava questões anti-aborto com uma mão, no altar, para apoiá-las com a outra, na sacristia.

Mas podem acalmar-se aí, não são os só os padres e pastores que deixaram a igreja azedar. Nós também temos a nossa parcela de culpa nessa pendenga. Seguramente ouviremos nosso nome quando a lista dos acomodados culpados ou dos obnóxios aduladores forem lidas lá no saguão de entrada do céu, de onde nunca passaremos. Somos como os co-dependentes dos dependentes químicos, não bebemos, não fumamos e nem cheiramos, mas tratamos de manter nossos queridos completamente alucinados em suas orgias compulsivas. Afinal de contas, nós os amamos e não iremos trata-los mal, jamais. É o amor! Diria o Zezé de Camargo.

A história do declínio de todas as grandes civilizações que se foram está aí, mas nós não queremos aprender com elas. Todas, sem exceção seguiram pelos mesmos velhos e surrados caminhos da derrocada via promiscuidade generalizada. Foi assim com Sodoma e Gomorra, com Roma, com a Pérsia, a Mesopotâmia, os Incas, os Maias, Portugal, Espanha, França, o Reino Unido, a União Soviética, os Estados Unidos estão a caminho e depois deles, nós, os atuais emergentes. Nínive livrou-se, pois teve a sorte ou a graça de haver um cara chamado Jonas em seus dias, que mudou de rumo, enfrentou os mares revoltos, as algas na barriga do peixe, e tratou de ir lá e dar a ultima chance aos ninivitas. Eles, por sua vez, ouviram e se arrependeram, deixando o caminho da perdição e da imoralidade que haviam adotado.

O Dr. Shedd sempre contava a história do chapéu de John Knox que os estudantes, formandos lá na escola onde obteve um de seus doutorados, em Edimburgo, Escócia, experimentavam por alguns segundos, durante as suas formaturas. O Dr. Shedd lembrava que Knox era um homem franzino e quase inexpressivo, mas tornara-se conhecido por uma frase dita pela rainha Maria a seu respeito. Disse a monarca, no tempo em que o Reino da Escócia era temível: “Eu não temo nada nesse mundo, a não ser o senhor Knox e as suas orações”.

Que Deus tenha piedade de todos nós e, se possível, nos dê algum John Knox, antes que seja tarde demais.


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Adulterando o adultério

Sei que os dias quando adulterar era algo surpreendente, para dizer o mínimo, ficaram para trás, Sem falar nas consequências inclusas nesse ato. Na bíblia, vemos Moisés envolvido em arranjar alguma solução para o problema, uns três mil anos antes de Cristo. Depois, Ele próprio, Jesus achou importante tratar do assunto com singular atenção.

Jesus foi um bom amigo das mulheres. Naquele tempo, mulheres pegas em adultério não tinham vida fácil. O melhor exemplo é a narrativa contendo o caso da “Mulher Adultera”, ocasião em que nosso Mestre literalmente salvou a vida de uma dessas senhoras, usando, tão somente, uma linda estratégia de resistência pacifica. Coisa de gente cabeça, o Senhor confrontou o bando de marmanjos, todos munidos de pedras imensas em suas mãos, cujo destino era a adultera em questão, com eles mesmos dizendo-lhes. “Tudo bem, então quem não tiver cometido pecado algum (e entendo que, nesse caso, se referia especificamente ao pecado de adultério), que seja o primeiro a lançar a pedra”.

Se por um lado tivemos ganhos tecnológicos maravilhosos, de outro, nossos dias trouxeram mudanças responsáveis pelas mais elevadas infelicidades. Nesse caso, primeiro banalizaram o amor, o sexo e a fidelidade conjugal e, assim, ficou fácil tomar o adultério como coisa de gente jurássica. Em outras palavras, adulteraram o adultério.

Pouco tempo atrás, ainda víamos, vez por outra, alguém ser penalizado em juízo por ter adulterado, independente do sexo, embora mulheres fossem mais apedrejadas, digo, condenadas, do que homens. Assassinatos de cônjuges adultos eram absolvidos sob a alegação de serem crimes passionais. Quando chegarmos ao céu, se chegarmos, poderemos alegar que isso se dava por que não tínhamos nenhum Jesus com sua irresistível Resistência Pacifica para nos defender. De qualquer forma, ninguém que se preze poderia concordar com essas incríveis violências contra a mulher, mesmo quando ela resolvia lavar roupa para fora. Nossa que comentário mais machista!

Mas gostaria de enfatizar outro lado, na verdade. Falo de como era bela a vida, mesmo com esses equívocos que obrigaram, ninguém menos que Moisés e/ou Jesus Galileu a intervir para equilibrar e impedir injustiças humanas. Esse negócio só pode ser coisa de psicólogo e advogados. Afinal são eles os únicos que ganham com essas coisas. Com os adultérios logra-se os divórcios e plim-plim no caixa dos senhores da lei. Depois, a filharada, sem falar nos cônjuges enjeitados, viram clientes eternos dos filhos de Freud, afinal os tratamentos deles nunca terminam, acho.

Fico pensando nos casos de adultério e consequente divórcio se as partes, de repente, não seriam tentadas a pensar se não estariam sendo vitimas de alguma das estratégias de marketing de nosso século. Hoje, no supermercado, a Dedé me pediu para verificar o prazo de validade de um produto. Assim que olhei a data, a luz de minha proverbial rebeldia piscou e me lembrei de que esses prazos são, com raras exceções, pura jogada de marketing. Use menos tempo e compre mais.

No caso dos adultérios, também. Quanto mais sexo fora dos casamentos, por parte dos casados, menos duração para as uniões estáveis e mais consumo através de novos casamentos. Como diria o Lourenço Stelio Rega, a Nova Moralidade anda de mãozinhas dadas como os senhores e senhoras interessados no aumento do consumo faz tempo.

Meu caro amigo ou minha cara amiga, se você está em adultério, poderá ter sido vitima de manipulação pró aumento do consumo, apenas. Jesus não anda por aí, faz tempo, e os seguidores deles não são capazes de atirar pedra alguma, pois estão todos envolvidos no mesmo tipo de problema, de um jeito ou de outro. Os que ainda não o materializaram, já acalentaram o pecado alguma vez, exceto nóis, claro. Muito menos haverá, nesse mundo de Deus, alguém com moral suficiente para chamar-nos à razão, novamente.



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Cuidado com os cães

Cuidado com os cães
Cuidado com os cães

A igreja ainda era tenra. Podia-se sentir o cheiro deixado pela ressurreição surreal de Cristo ou do vinagre com o qual tentaram apaziguar a sede do salvador moribundo, minutos antes do final fatal. Quem sabe o som da pedra rolando para lacrar o túmulo onde aquele corpo tão massacrado fora deixado, do choro dos poucos compadecidos ou dos gritos diante da surpresa pela mudança repentina do tempo, com raios e trovões, enquanto a maior e mais incrível onda de milagres varria a região eliminando todas as tragédias domésticas existentes.

Entretanto, mesmo com toda essa proximidade dos fatos iniciais, a comunidade dos herdeiros de Cristo começava a atravessar graves problemas. Paulo diz, então, aos filipenses: “Acautelai-vos dos cães, acautelai-vos dos maus obreiros, acautelai-vos da falsa circuncisão. Pois a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne”.

Talvez o Manning, ou o Brabo, quem sabe até eu poderíamos listar uma série de cães, maus obreiros e cheios de si, desses que vivem se arrogando os verdadeiros cristãos, como os judeus se arrogavam únicos filhos de Deus, enquanto ostentavam suas circuncisões. Gente que quer convencer a você e a mim nos fazendo mirar seus diplomas de teologia, de vários níveis, pendurados nas paredes de seus suntuosos escritórios pastorais. Hipócritas cheios de luxuria e adereços carnais que fazem questão de antecipar seus nomes com Dr. Onde quer que os escrevam, como se isso fosse ou pudesse ser prova de espiritualidade.

Nós somos a verdadeira espiritualidade e nossa evidência principal é o fato de não confiarmos na carne. Embora não tenha vindo de linhagem evangélica ou protestante, caso essas duas designações não sejam uma só, mas de um lar católico e de baixa religiosidade. Apesar disso, aos poucos galguei saber teológico, através de esforço próprio. Frequentei a escola de teologia, li uma quantidade impensável de livros de teologia, filosofia, sociologia, psicologia e outros tantos que nem sou capaz de relacionar. Aprendi aos pés de grande número de gente sábia incluindo até nomes célebres como John Stott, Stuart Briscoe, Billy Graham, Russell P. Shedd, Dr. Werner Kaschel, Lourenço Stelio Rega, Dra. Louis Mckinney, Zenon Lotufo jr., Antonio Mendonça, Jacy Maraschin e tantos outros que não posso lembrar. Também tirei os meus certificados e diplomas, nada muito expressivo. Morei em bairros nobres de São Paulo. frequentei clubes sociais da elite, o melhor do teatro, concertos e balés clássicos, assisti grandes produções do cinema e conversei com pessoas da mais alta esfera social e religiosa. Tive bons carros, roupas de grife e contas nos melhores e mais proeminentes bancos.

Então descobri que era disso que Paulo falava em uma só palavra: carne. Como o apóstolo, talvez eu pudesse confiar na carne mais do que a maioria das pessoas. Mas o que para mim poderia ser lucro, considerei-o como perda por causa de Cristo. E nessas palavras de Paulo encontro amparo capaz de apaziguar as minhas misérias, ainda que um pouco. Estou atrás da justiça que vem pela fé, apenas isso. Quando tento me guardar dos cães e dos maus obreiros, sou obrigado a ficar longe da igreja institucional, pois é lá que eles se escondem todos.

Certamente a nossa vida matéria continua e devemos impor a ela a nossa espiritualidade segundo o conselho de Cristo: Dai e ser-lhes-á dado ou ainda como ensinou Paulo: “quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo que é honesto, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude, se há algum louvor, nisso pensai”. Posso testemunhar que, sempre que assim pensei, atraí para mim e para meus entes queridos o melhor da terra. Se há algo a aprender de mim, só pode ser isso.

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A Última Missão

As grutas fizeram parte importante da vida dos personagens e do roteiro bíblico. Por alguma razão que desconheço, desde menino andei por elas, não só pelo Brasil, mas até em outros continentes. Grutas naturais e grutas cunhadas pelo homem em busca de ouro e pedras preciosas. A diferença principal entre elas é que nas grutas naturais há muita água, seja no estado líquido armazenada em lagoas deliciosas, seja no estado sólido, com as estalactites e estalagmites, lindíssimas. Enquanto as grutas não naturais são áridas, como quase tudo que fazemos.

Sendo assim, procurei desde o inicio deste blog, que batizei de gruta ou caverna (durante algum tempo), deixa-lo na forma mais natural possível. Uma coisa é certa, nossa Gruta existe para renovar as pessoas, tanto quanto as grutas naturais. Foi assim que o mundo viu a chegada de Jesus Cristo, a partir de uma Gruta simplória para renovar a humanidade. Davi e seus seguidores também vivenciaram experiência parecida ao aquartelarem-se na Caverna de Adulão, antes de partir para a grande vitória renovadora sobre as forças de Saul. Elias encontrou, também, grande renovação em uma gruta, com direito a aparição silenciosa de Deus e tudo.

Dentre outros ensinamentos, aprendi a não desprezar as grutas. Alias o Brasil, é muito rico em grutas, um turismo ou ecoturismo muito interessante a ser explorado. Quando gerenciei uma agência de viagem, convenci muitas pessoas a praticar essa modalidade de lazer. Pena que os responsáveis pelo turismo por aqui seja meio caolhos. Deus parece ter um carinho especial por esses lugares, principalmente quando uma alma aflita se refugia nelas. Claro que é um tempo de recuperação, de investir em si mesmo, para depois ter o que compartilhar com os outros.

Bem que eu gostaria de construir uma Gruta (nem pense em algo parecido com uma igreja), um lugar legal onde as pessoas pudessem se reciclar, talvez renascer ou mais modestamente, recomeçar e viver ali, de repente até com uma grutazinha da hora, ajudando as pessoas nisso. Quem sabe não seria uma última missão da parte do Pai? Que tal?

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Pastor Odorico Paraguaçú


O ser humano contemporâneo possui fortes tendências à uniformização e no afã de alcançar esse objetivo consegue, antes, tornar-se estereotipado. Espanta-me ler dezenas de Twitters sobre um mesmo tema e não encontrar nenhum capaz de olhar a coisa por outro prisma.

A impressão que se tem é que existe uma proibição secreta, com força de decreto ditatorial petista, rezando que é proibido discordar, ou pior, pensar diferente. O Steve Jobs nem seria mencionado agora se ele houvesse se pautado segundo os parâmetros ditados pelos patrulheiros da moral (ou imoral) e dos bons costumes alheios.

Diz a prudência que se você tem algo a perder falando ou escrevendo alguma coisa, precisará medir direitinho as suas palavras. Tenho enorme respeito por quem ousa discordar da maioria, mesmo quando discordo da opinião do dissidente. Como diria meu amigo Nietzsche, os lobos preferem manter todas as ovelhas juntinhas e presas no pasto, pois isso facilita enormemente a tarefa de janta-las (se ele não disse, eu o fiz agora)

Ao ser crítico em relação à igreja ou qualquer outra instituição é imperioso não fazer parte de igreja alguma, em minha opinião. Caso contrário, estaria em pecado causado pelo conflito de interesses. Não dou uma moeda de cinco centavos por um cara que vive metendo o pau na igreja A ou B sendo ele pastor, membro ou participante da Igreja C. Logica e implicitamente, ele estaria dizendo que a dele é melhor, enquanto descreve os absurdos da outra. Isso vale para todas as situações análogas. Lembro ainda Schopenhauer que via nessas atitudes uma estratégia canhestra de esconder as próprias mazelas.

Aliás, Paulo (o apóstolo) também devia pensar assim ou não teria escrito aos Romanos que o cara se condena naquilo que acusa. Estou dizendo isso porque andam dizendo por aí que quem critica os patrulheiros da moralidade evangélica (que está mais para imoralidade, posto que defende quase todas as propostas imorais, ou enfraquecedoras da moral ao invés de unir-se ao coro contrário), é babaca. Ora, quem é o babaca? Se não aquele que vive tentando encobrir seus, digamos, deslizes, evidenciando os alheios.

Posso estar enganado, mas o pior pecador não é o arrependido, mas aquele que vai à Igreja e bate no peito gritando elogios a si próprio. Meu, você toma sua cervejinha, tudo bem, eu também tomo as minhas, de vez em quando, mais ainda durante o verão, nesse calor calhorda de Sorocaba. Se ainda tivesse uma praia por aqui, ainda que fosse uma daquela do tipo Ramos. Bom, tem aquela à beira da represa de Itupararanga, mas a frequência lá é dose (e bota dose nisso). Pessoal de Ramos se sentiria londrino perto dos tipos e acontecimentos dessa praia, sem querer ofender as praias de verdade.

Não sei se é algum defeito de fábrica, mas me irrito mais vendo os caras batendo em bêbados na decida do que com os próprios bebuns. Tradução: não gosto de ler, todos os dias, alusões aos pastores larápios das igrejas neopentecostais, por parte de pastores Odoricos e seus séquitos militantes das outras igrejas, ditas politicamente corretas. Das duas uma, ou eles estão buscando notoriedade à custa dos difamados difamando-os ou buscam esconder alguns pecados ocultos. Vai saber e tenho até medo do que possa vir à tona. Certos pastores norte-americanos, desse tipo mais inquisitivo e profético, acabaram sendo revelados com pecadinhos do tipo “voyeurismo”, coisas terríveis com relação à grana, sodomia e outras coisinhas mais graves. Afinal, se isso vier a acontecer, ele sempre terá a opção de virar cantor, se tiver talento. Caso contrário, ferrou mesmo.

Entretanto, costumo transitar pelo meio protestante, se não tanto nas igrejas, certamente via web. Gosto de igrejas éticas. A igreja nasceu com essa vocação e não pode abrir mão dela, pois é um dos sustentáculos da vida em sociedade. Se um pastor não consegue entender esse principio básico, ele está na profissão ou missão errada. Eu posso ter minhas posturas liberais, pois isso afeta quase nada na minha comunidade. Mas a instituição Igreja não tem esse direito. Ela é o contrapeso necessário para manter a sociedade equilibrada. Em Sodoma, Gomorra e outras cidades por ái, todo mundo virou liberal e deu no que deu. Já bastam as outras instituições enveredadas pelo liberalismo. Ainda se fosse um liberalismo inteligente, vá lá, mas isso que querem (se tiverem a mínima consciência do que querem) nos impingir é niilismo puro. Se alguém quer ser liberal, livre-se das amarras da igreja, deixe-a e faça o que quiser com sua vida. Caso se arrependa, sempre haverá uma boa igreja ética e conservadora para você refazer seus votos.

No meu campo de visão, enxergo um monte de pastores Odoricos loucos para soltar a franga, só que querem fazer isso sem largar o osso. Meu, não dá. Se quiser dar, beber, divorciar, roubar, whatever, entregue sua carta de demissão primeiro, e vá em paz, se isso for possível.

A Igreja, seja ela calvinista, arminiana, católica, etc, não tem o direito de abrir exceção em relação a uma ética conservadora. É desmoralizante ver pastores e padres fazendo alusão ao uso de camisinhas e outros contraceptivos, ao aborto, eutanásia, pena de morte e todas essas questões de macroética. A instituição igreja não pode abrir mão das posturas contrárias a tudo isso sob o risco de acabar e, pior, dar o empurrão que falta para o fim da nossa sociedadezinha mambembe. Bom que se diga, os católicos estão ganhando nesse quesito de goleada, com exceção de certos padrecos idiotas e burros.

Pior ainda, se considerarmos o pequeno detalhe que reza: É no enfraquecimento moral que a Igreja perde mais dinheiro. Se eu fosse um pastor neopentecostal, mais pragmático do que espiritual, e desejasse aumentar a renda da minha igreja, apostaria todas as minhas fichas em tornar a minha igreja bem conservadora, ao invés desses truques ridículos com ou sem correntes, para angariar fundos.

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O Mestre visionário da montanha

Monge Visionário
Monge Visionário

Entre muitas outras frases, Jesus de Nazaré saiu com esta:

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens”,

durante sua palestra conhecida como “O Sermão da Montanha”. Mateus. 5:13.

Referi-me a essa passagem algumas vezes nos escritos anteriores devido ao caráter emblemático dela. Acredito que o Mestre referia-se aos seus seguidores, principalmente, mas não exclusivamente.

Apesar de todo o esforço do Nazareno em tirar o povo da igreja do tipo “quatro paredes”, o que se seguiu pós sua morte foi justamente a continuidade da igreja no modelo judaico, ou seja, uma igreja presa entre paredes.

Jesus deixou claríssima outra ideia a ser vivenciada, a meu ver, ele desejava que o “ser” prevalecesse em nossas vidas espirituais. Todos os temas tratados nessa apresentação montesa, invejada por Steve Jobs e todos os grandes apresentadores da história, imagino, apesar de não ter sido ilustrada com um Power Point, seriam ideais se fizessem parte de nosso caráter intrinsicamente ao invés de religiosamente.

Em outras palavras, o Galileu buscava despertar nas pessoas o desejo de viver em oposição a cumprir suas crenças e valores. Pelo que se vê, até hoje esse ideal quixotesco de Jesus não chegou a ser alcançado, a não ser por uma ou outra ovelha desgarrada, se bem que, só em parte.

Reclama-se muito por aí, inclusive por parte de muitos ditos cristãos, sobre o declínio acentuado da moralidade dos povos, sobretudo dos mais ocidentalizados, mesmo que isso se dê no oriente. A praga cibernética capitaneada por Jobs (que era budista e vegetariano) e Gates despejando suas criaturas nos 360 graus do planeta, causando um enlouquecimento dos povos sem precedentes, desses que nem os filhos de Freud conseguem decifrar, somados aos outros cacarecos legados por Ford, Edson, Franklin e Marconi têm feito um rombo imensurável nas crenças e valores dos seres humanos. Dessa vez, nem os crédulos e imperturbáveis tibetanos escaparam.

Monge Visionário
Monge Visionário

Se Jesus estivesse por aqui agora, seja por reencarnação, encarnação ou representação, certamente diria que se tivéssemos escutado suas palavras ditas naquele monte simplório não estaríamos assistindo essa horrorosa desconstrução do caráter humano em nossos iPads, capaz de levar as pessoas a trocar suas primogenituras por qualquer iPorra dos magos do Vale do Silício ou dos outros deuses da Terra e suas máquinas maravilhosas.

Ainda ontem, detive-me diante de um iPhone por vários minutos, cheio de cobiça e ouvidos à tentação de trocar dinheiro dedicado à saúde de meu filho, alimento da família, contas a pagar e todas essas insignificâncias por aquele maldito e irresistível ser dos nossos dias. Mas ainda não foi dessa vez que fui vencido por Mamon, embora saiba que, a qualquer momento, sucumbirei.

Não adianta chorar nos muros das lamentações desse mundo porque a corrupção está insuportável e desesperadora ou por causa da insanidade que tomou conta das mentes dos nossos colegas de planeta contemporâneos. Agora a Inês é morta, coitada, e o leite está todo derramado.

Não disponho de nenhuma receita pronta para dar-lhes nesse humilde quase insignificante blog. Se Deus me incumbiu do trabalho profético, esqueceu-se de me dar a fórmula do antidoto da salvação. Certamente não é, jamais será, abrir uma nova igreja na esquina do horizonte com seus olhos, onde o Guilherme Arantes pixou todo o muro. Aliás o Jobs também adorava Pixar, no caso dele especifico, a Pixar lhe acrescentou alguns bilhões de dólares na sua conta bancária.

O filho de José e Maria sonhava, não com um bando de mal amados e mal resolvidos cantando ladainhas, confessando, comungando aquelas hóstias feitas com farinha barata ou sentados feito um bando de idiotas escutando ousadas asseverações de um imbecil maior e/ou práticas religiosas ainda mais exóticas, mas seus devaneios eram assombrosamente megalomaníacos, pois incluíram apenas toda a humanidade professando seus ditos, sejam os do morro, dos barcos, templo ou ultima ceia. Salvo engano, claro.

Talvez assim ou quase certo, estaríamos vivendo em um mundo melhor. A única receita que sou capaz de escrever agora é a boa e velha formula do começar de novo, se é que teremos tempo para tanto, ou seja, tempo para ver o mundo de volta aos trilhos do senhor da montanha. Como não há (ou se há ninguém sabe) prazo de validade para o planeta, podemos inferir a inexistência de contraindicações ao uso daqueles ditos em nossas casas, junto aos nossos filhos e queridos, quiçá nas escolas onde os meteremos para livrarmo-nos deles. Certamente haverá festas nos céus se o fizermos, apesar do adiantado da hora.

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Mas eu vos digo:

Mas eu vos digo
Mas eu vos digo


Em dias de encarnação, dos quais não ficaram grandes saudades, Jesus enfrentou diversas falácias, entre elas, as tais “leis”. Havia a lei judaica, mais conhecida entre nós por “Os dez Mandamentos” (graças a Cecil B. DeMille, se não me engano) e entre os israelitas por “Torá” para começar, sob a qual ele próprio foi educado. A Torá não é o texto dos tais dez mandamentos, mas o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia, que incluem as leis cunhadas por Mosa lá no morro. Embora não haja referências bíblicas de que os pais biológicos de Jesus da Galileia fossem cumpridores ardorosos dessas leis, ao contrário, eles parecem as ter desobedecido bastante, segundo o texto que lhes coube no roteiro bíblico. Começando pelos ditames judaicos quanto ao casamento, passando pelo descumprimento da MP (medida provisória, um eufemismo de decreto, muito utilizado por ditadores tiranos) de entregar todos os recém nascidos com menos de dois anos para a degola, coisa que incluía o filho único de José e Maria. Depois havia a lei Romana que se propunha a regular as ações do povo, primeiro dos romanos e depois dos povos por eles subjugados, entre eles os judeus. O que Jesus via a cerca da obediência a essas leis era só hipocrisia, pois a turma da circuncisão não dava a mínima para elas, embora fizessem de tudo para fazer parecer o contrário, situação que parece persistir entre eles até os dias de hoje, onde quer que vivam. Essa postura nada recomendável passou a ser a regra também entre os cristãos, criaturas melhor acabadas e sem pedigree dos descendentes de Abraão.

Quase todos os discursos do Mestre Galileu, que parece não terem sido numerosos, versaram sobre leis. Em todas essas ocasiões Ele deixou bem claro o fato de ter consciência do comportamento antiético do povo e tratou de incentivá-los a dar continuidade a essa prática, mas acrescentando mais classe, charme e fidelidade ao Pai Celeste dele. Acho que Jesus nunca conseguiu ver sintonia entre leis humanas, sejam elas dadas por Moisés e seus pares sacerdotais ou pelos mui dignos legisladores de todas as épocas, locais e matizes.

Refletindo acuradamente sobre as tais leis, de repente, caiu-me um ficha muito louca, ou seja, talvez Deus nunca tenha nos dado ou recomendado lei alguma. Todo mundo sabe da existência de trocentos estudiosos opositores da história de Moisés naquele monte, como de resto, onde só ele viu a Deus e depois desceu de lá com aquelas tábuas exóticas onde, quem fosse capaz (menos de 1% dos presentes), poderia ler a tal Lei de Deus. Pessoalmente, penso que o Criador, mais uma vez, deu uma incrível bola fora com esse ato, caso o tenha mesmo praticado, afinal ficou a pergunta: para que uma lei escrita para um monte de analfabetos? Em minha opinião, seria mais fácil crer em um ato de Deus se Moisés tivesse decido do morro com fones nos ouvidos e um MP4 nas mãos, ouvindo a tal “Lei” ditada por Deus, com a voz original do Magnânimo e em alguma língua que aquele bando errante entendesse. Considerando que essa história tenha acontecido, só poderia ter se dado muito, mas muito mesmo, tempo antes da passagem, por esse planeta, de Thomas Edison, Marconi e Steve Jobs, daí o milagre.

Um amigo meu, o Khalil, que vive em Israel a maior parte de seus dias, me contou outra história sobre a Lei de Deus fornecida por Moisés. Segundo ele, Moisés encontrou Deus lá no alto daquele monte, de fato. Mas o diálogo entre eles teria sido bem diferente do que se tem notícia. Mesmo por que, Moisés era ruim para narrar acontecimentos, como todos sabem, e teria distorcido tudo, a favor dele, claro. Você e eu sabemos que Deus não é muito chegado à arte de falar. Como ensinou sabiamente o monge através do Akira Kurosawa, Deus é como a montanha, silencioso e chegado a escutar, muito mais do que o contrário. Não teria sido diferente nesse encontro com Moisés. O patriarca falou e falou enquanto Deus o admirava, pensando sabe-se lá o que. Entre muitas queixas, Moisés referiu-se à proverbial insubmissão do povo em relação às lideranças e ordenanças legalistas dele e de seu irmão Aarão. Lembre que esse probleminha fora recorrente em Mosa, que antes de procurar a montanha, digo Deus, buscou conselho com seu sogro, para o mesmo tema. Mosa foi educado na casa do Faraó, onde o maioral falava e todo mundo obedecia, mesmo porque, diz a lenda que Faraó tinha uma espada do tamanho do mundo, então obedece-lo seria a melhor opção, então.

Finalmente Moisés parou de falar e Deus pode manifestar-se com uma pergunta: Moisés, se você quer que o povo lhe obedeça, por que não escreve um livro com as suas leis? Parece que foi daí que o Dr. Shedd tirou aquela pergunta que ele fez a milhares de alunos que julgavam deter alguma verdade teológica, com aquela cara de velhinho safado, dizendo depois de escutar a vítima atentamente: Muito bom, por que não escreve um livro a respeito? Segundo o Khalil, a conversa com Deus não durou mais do que duas horas, o resto do tempo, os tais quarenta dias, Mosa gastou para escrever as dez leis nas tábuas. Parece que não era muito fácil escrever nesse material naquele tempo. Sabe, talvez faltassem goivas no mercado.

Em outras palavras, nunca houve algo como uma lei de Deus, segundo esse raciocínio. Nem mesmo essa história que a rapaziada adora, a tal lei do amor, jamais existiu. Até nisso Deus seria opcional e, jamais, impositivo. Moisés começou a lei dele justamente com a transformação do que deveria ser uma atitude voluntária e absolutamente livre em um mandamento. Até hoje Deus abominaria toda essa gente “amando-o” por força de lei, se é que isso seria possível. Outra do Khalil, dá conta que nenhum ser humano jamais tenha conhecido o verdadeiro amor. No máximo, umas sombras nas paredes da gruta e olhe lá. Aliás, Platão também pensava assim.

Jesus de Nazaré (nomenclatura designativa do Cristo vivo, que o atual Papa Bento XVI copiou sem autorização dos profetas da Gruta e que prova sua presença por aqui) só fez confrontar seus seguidores ou contemporâneos e suas leis maravilhosas. Nessas poucas vezes em que participou de seminários e retiros de pastores e pastoras ele usou o método do confronto ou do ensino contraditório. Lembra? Moisés disse ( o que é só mais uma prova em favor dessa nossa tese), mas eu vos digo…

Nesse caso, quando Jesus disse que cumprira a lei, provavelmente estivesse nos dando a receita do bolo, ou seja, não haveria melhor forma de cumprir alguma lei do que desobedecê-la. Espero que nenhum engraçadinho me venha com idiotices do tipo: sem lei seria o caos, etc. Para mim, nada é mais eficaz na produção de crimes e criminosos do que as nossas leis, geralmente cunhadas no ódio e no rancor. Se elas fossem boas, não seriam escritas nos morros, e muito menos pelos corruptos.

Meu, aprendi mais uma com o Khalil, como segue: se alguém nesse mundo que nunca pertenceu a Deus, embora seja conhecido como seu criador, fizer ou viver como Deus quer e Jesus Galileu ratificou, em outras palavras, quem tomar a própria cruz e seguir a dele, e isso inclui desobedecer qualquer tipo de lei humana, religiosa, civil ou política, com a máxima certeza encontrará a morte. Não digo de cruz, porque o método entrou em desuso há séculos, mas será devida e brutalmente executado precocemente. Isso deixa-nos certos de que poucos o lograram. De memória, depois de alguns dos discípulos do próprio Mestre, houve Policarpo, Joana D’Arc, Tereza de Ávilla, Edith Stein, Simone Weil, Gandhi, Abrahan Lincon e Martin Luther King. Certamente há muitos outros, conhecidos ou desconhecidos anônimos, mas ainda assim, escandalosamente menos do que Deus e nós gostaríamos. Fora os que se encontram, nesse momento, na fase dos sofrimentos pré morte.

Da Série: As Sete coisas que Jesus não faria se fosse você:

Não Divulgue as suas curas.
Não evangelize em hipótese nenhuma
Alugar, só se for direto com o proprietário… do mundo.

Mas eu vos digo:

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O Jogo da Culpa

Acho que se alguém deseja bons exemplos a serem seguidos, leia as biografias do Steve Jobs, Bill Gates, etc. Na verdade, não tenho nada a dizer a quem quer que seja. Dei a Deus e à bíblia o meu melhor. Sei que não foi grande coisa, mas Ele parece não ter se importado ou talvez considere a outra parte mais significativa, ou sei lá. O fato é que, no meu caso, a reciproca divina tem sido um tanto exótica.

Por um lado, talvez o menos importante, não tenho do que reclamar. Embora viva a espera do Big One, até agora ele não veio, mas não é fácil viver nesse tipo de perspectiva. De outro, aquele que todos consideram relevante, estou abaixo de zero. Nem posso mencionar os detalhes, pois isso incluiria outras pessoas e elas poderiam não apreciar muito.

Aprendi uma verdade com um dos maiores sábios já inventados pela ficção, falo de D. Quijote de La Manha, criação de Miguel de Cervantes, que costumava dizer: “Um cavaleiro andante não fala de suas dores, ainda que pelas feridas se lhe saiam as entranhas”. Pode parecer até engraçado, e poucas coisas ou pessoas nessa vida me fizeram rir mais do que esse nosso bizarro cavaleiro, mas o fato é que a maioria das pessoas é quixotesca e vive escondendo as dores, inclusive eu, embora não seja nenhum fanático nesse quesito.

Imagino que devo desculpas a todos que os leitores desse blog, afinal portei-me deselegantemente em muitas oportunidades, se considerarmos a hipocrisia, a falácia, a arrogância e seus parentes como deselegâncias. Acho que vim ao mundo com mais defeitos do que os demais, entre eles, quanto mais me estrepo, mais saio por aí ditando regras, normas e todas essas idiotices próprias dos falastrões. Alias, tenho repulsa incontrolável por gente assim.

Olhei lá no meu perfil Facebook e considerei tudo aquilo como esterco, para não usar palavra menos nobre. Bendito Paulo apóstolo e seus eufemismos! Não sou nada daquilo. Minha história, embora até extravagante em certos momentos, é pífia. Então apaguei tudo, afinal não redundei em nada. De repente a droga da vida tinha passado e não dava mais tempo de consertar o que se quebrara. Conscientemente sei que não sou culpado de tudo. Algumas mazelas me sobrevieram devido às minhas escolhas equivocadas, mas a maioria das culpas que me atribuem são injustas. Nós existimos para jogar o jogo da culpa, não se iludam. Ganha quem imputa mais e recebe menos.

Com ou sem culpa, eu me ferrei e ponto. Quando digo eu, incluo as pessoas que estão vinculadas a mim, claro. Sou obrigado a assumir a bronca pela desventura delas. Mesmo sem intenção, eu as ferrei, também. Se houver a tal reencarnação, prometo não repetir esses erros. Peço-lhes perdão, embora isso não resolva nothing.

Não faço a menor ideia do que fazer, daqui para a frente, em área alguma da vida. Imaginava que Deus teria algum lampejo, ainda que fosse não evitar a queda de alguma migalha da mesa, mas o tempo foi passando sem qualquer ar da graça real. Ouso pensar que foi tudo um grande engano. Essa manhã acordei de supetão, muito antes da hora, e dei de cara com a realidade. Foi horrível. Ela é tenebrosa, desesperançosa e má.

Apesar de tudo, creio em Deus, não deixei de crer nele nem um instante sequer. Pode ter havido certa inconstância aí, principalmente quando tive um ou outro momento de luz, durante meus dias. Quando tudo vai bem, quem precisa de um deus? Embora nem nisso fui excelente. O problema é que Ele não crê em mim. Provavelmente o tipo dele seja bem diferente de mim. Não sei, parece que Deus prefere os mais desligados, menos encanados e mais lights. Uma pena, eu gostava dele e ainda gosto, apesar da indiferença. Sabe como é, a rejeição atrai.

Se você teve misericórdia para chegar até aqui, bom saber que não estou tentando pedir socorro, seja como for. Essa fase já passou, a não ser que o Chapolim Colorado vire o Pinóquio. Morro de medo pelos dias por virem, mas estou resignado e acho que ninguém me livrará de minha sina, muito menos eu. Sei que a turma do Segredo não me autoriza a falar assim, mas você sabe, sou meio rebelde.

Então, deixe-me repetir o clichê bíblico: Para onde irei Senhor se só tu tens as palavras da verdade? Se Ele não me estender a mão, fui.

Ops: Decidi colocar a maioria dos textos desse blog sob a rubrica Textos Sagrados da Gruta. Quem tiver ouvidos…



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Alugar, só se for direto com o proprietário… do mundo.


Quando me propus a escrever a série Sete passos que Jesus não daria em nosso lugar, conclui por minha inconsistência em abordar, por exemplo, algo como alguns já fizeram por aí, brilhantemente diga-se, desenvolvendo escritos sobre o que Jesus faria em nosso lugar. Foi o caso do Brabo e seu excelente “Em Seis Passos o que faria Jesus”. A Bíblia está recheada de coisas que Jesus não faria se vivesse nossas vidas, assim como há inúmeras narrativas bíblicas sobre milhares de atitudes que os profetas, reis, juízes e outros embaixadores de Deus não fariam, vivendo nossas realidades.

Na verdade, isso tudo é um pouco frustrante porque vivemos uma cultura nada bíblica e isso dificulta tudo. Não penso em propor rotinas baseadas no livro sagrado dos cristãos e/ou judeus. Tenho combatido tal desatino nos últimos trinta e cinco anos. Entretanto, certo sentimento negativo me acompanha, algo semelhante a uma incerteza e sempre que faço as coisas mais à moda globalizada e pós moderna fico com gosto de jenipapo rondando meu paladar.

É o caso desse negócio de alugar ou comprar um imóvel para morar. Claro que preferiria não precisar me meter nesse tipo de batalha a essa altura do campeonato. Mas o caso não é opcional, mas é compulsório, tem prazo e dos mais curtos, geralmente.

Sabe, as coisas que Jesus (ou qualquer um de seus colegas bíblicos) não faria em nosso lugar nos impede de fazer orações de solicitação por elas. Já imaginou chegar lá no pé da cama, joelhos no chão, olhos fechados, mãozinhas com palmas postas e rogar: “Senhor, me abençoe aí com uma casa (ou ap) legal, rapidinho, para minha família e eu morarmos”. Certeza que ele viria com aquela piadinha sem graça dizendo que: “os lobos tem seus covis, os cães seus canis, mas o Filho do Homem não tem onde repousar sua cabeça”.

Sendo assim, sei que posso e devo afirmar solenemente: “Em nosso lugar, Jesus não compraria ou alugaria imóveis, muito menos”. Aliás, o nazareno não comprou, nem alugou nada durante os longos trinta e três anos em que viveu. Como pôde? Isso é inimaginável para mim. Não passo um dia de minha existência sem comprar alguma coisa, nem que seja uma Coca Cola Zero. Falo mais com o Geraldo, dono do supermercado Dia aqui ao lado do que com meus filhos.

Dizem por aí coisas tais, dando conta de miríades de pedidos de badulaques chegando ao céu por minuto. Dentre eles, muitos têm a ver com imóveis, dos quais, grande parte, de gente arriscada a morar sob a ponte mais próxima, se tiver a sorte de encontrar algum espaço disponível lá, se suas orações não forem respondidas e abençoadas com soluções anti-bíblicas.

Quando voltamos dos Estados Unidos, dente outras características, eu não me enquadrava nem de longe no perfil ideal para um locador de imóveis, quiçá de comprador. Entretanto, em um sábado pela manhã, saímos e fomos a um dos bairros mais nobres de São Paulo (Perdizes) olhar uns imóveis. Coisa de gente louca e anátema. Encontramos um muito bom, cujo valor do aluguel era proibitivo para nós, alias, imagino que naquela época qualquer valor seria, e com uma placa singela anunciando que os interessados deveriam tratar com o proprietário. Pegamos o endereço com o zelador do prédio e fomos lá na segunda-feira. Quando chegamos, no fim da tarde e depois de combinar o encontro por telefone, o homem ainda não havia chegado. Fomos recebidos por uma menina de uns oito anos de idade, filha do proprietário que ficou fazendo sala para nós até o pai chegar, com uma conversa para lá de interessante. Quando ela ouviu o pai abrir a porta, correu na direção dele e disse: “Pai, as pessoas que querem alugar o apartamento estão aí, aluga para eles vai”… Seguiu-se uma conversa sobre temas gerais e no final ele nos disse: Podem morar no apartamento, as chaves estão com o zelador e avisarei para entregar-lhes. Ousei perguntar sobre um contrato e ele respondeu: Depois você passa em uma papelaria, compra um daqueles formulários prontos para esse fim, preenche e me traz. E o fiador? Perguntei, e ele respondeu: Fica a seu critério. Depois disso, tivemos onde repousar nossas cabeças por quatro longos anos.

Talvez eu deva acrescentar que, mesmo sendo não bíblico, desses negócios que Jesus jamais fez, ainda assim, Ele pode nos surpreender com alguma solução tão fora de seu script quanto, resolvendo o nosso problema sem mutilar suas próprias convicções. Ele sabe que não somos capazes de viver como Ele viveu, talvez por isso tenha pago a conta toda sozinho. Ele era o único capaz de viver como deveríamos fazê-lo. se não me engano.

Da Série: As Sete Coisas que Jesus não faria se fosse você

OsNão Divulgue as suas curas.

Não evangelize em hipótese nenhuma

Alugar, só se for direto com o proprietário… do mundo.

Mas eu vos digo:


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Não divulgue as suas curas

Não divulgue
Não divulgue

Nem tudo que Deus faz em nossa vida deve ser propagado, especialmente, curas de doenças físicas. Nos evangelhos, fica claro o cuidado que Jesus tinha em prevenir as pessoas, por ele curadas, em relação a esse ponto. Embora fosse aconselhável abrir exceção da comunicação oficial ao pastor principal de sua igreja. Não é o caso, por exemplo, dos endemoninhados exorcizados, que o Mestre orientava a anunciar em suas casas e às suas famílias, a libertação ocorrida, no que era parcialmente desobedecido, diga-se de passagem. Os caras aumentavam o circulo de informação, por conta própria e acabavam propagando o milagre entre a vizinhança e arredores, também.

Imagino que a razão desse cuidado por parte do Senhor se deva, principalmente, à concorrência. Em nossos dias, essa precaução torna-se muito mais necessária, portanto. A indústria da cura é extremamente competitiva e poderosa, atualmente, mas com uma ética muitíssimo peculiar, quase chegando ao ponto de não ser ética, ou pior, não tendo ética alguma.

Interessante notar como curar os doentes causava impacto negativo, já naquela época, quando ainda nem havia hospitais, indústria farmacêutica, conselhos regionais de medicina e, muito menos, ministérios da saúde. O cuidado era só em relação a certas pessoas que detinham o monopólio da cura, a saber: curandeiros, feiticeiros e praticantes de coisas místicas.

O problema é que algumas dessas pessoas eram muito bem relacionadas, alguns chegavam a exercer importantes funções junto aos governantes, inclusive com poder de sugerir retaliações aos seus oponentes que poderiam chegar às sentenças de morte.

Um dos evangelistas bíblicos, no caso Lucas, era um curandeiro, embora as versões modernas da bíblia o chamem de médico.Encaro assim porque não há noticia confiável da existência de qualquer escola de medicina naquela época e naquele lugar, onde ele viveu, que pudesse outorgar-lhe um diploma, o que não muda nada, em minha opinião. Pessoalmente acho isso ótimo e imagino que Lucas deve ter sido médico dos melhores, na prática. Pelo menos não vinha com os defeitos de fábrica dos médicos atuais, sobretudo o da mercantilização de suas habilidades.

Talvez possamos incluir, nessa categoria de propaganda de curas a serem evitadas, a ressurreição de mortos. Se não me engano, Jesus, a exemplo de profetas do Antigo Testamento, como Elias, encarava a morte como um mal físico, igual a qualquer doença e que era passível de cura. Estranho né? Mas o mestre não se detinha diante da morte, em certos casos, e tratava a vítima com certeza da cura. Fez isso com Lázaro e com a menina, filha de um dirigente da sinagoga, só para citar os exemplos bíblicos. No caso dessa menina, Jesus chegou a declarar que ela não estava morta, mas dormia.

Isso me leva a pensar que a medicina pós moderna pode ainda estar engatinhando nesse assunto. Será que não estaríamos enterrando gente que só estaria dormindo, e fazendo isso há séculos? Entendo que seria muito difícil segurar uma notícia dessas, mas há antecedentes recentes.

Não estou querendo afirmar que os endemoninhados não seriam considerados doentes, por Jesus. Penso que ele conhecia bem as implicações de seus atos curativos, pois em seu tempo, os exorcismos eram, relativamente, aceitos quando efetuados por religiosos ou místicos. Esse não é o caso, em nossos dias, principalmente depois que a medicina reivindicou para si esses casos, tratando-os como doenças mentais. Um psiquiatra cristão, com quem trabalhei durante algum tempo, costumava dizer que todos os casos que ele tratou, considerados pelos pastores como possessão demoníaca, eram, na verdade dele, doenças mentais. Pudera, esse era o verdadeiro credo dele.

Fica aí o alerta, se Jesus vivesse hoje, provavelmente recomendaria que você não fizesse alarde desse tipo de cura, caso tivesse essa experiência, em lugar nenhum.

Sendo bem assertivo, o melhor é nunca divulgar uma cura alcançada ou realizada. Pelo andar da carruagem, nem mesmo ao pastor de sua igreja. Geralmente, essas pessoas também, costumam ter sentimentos estranhos quando algo acontece com suas ovelhas sem que eles as tenham protagonizado. Inclusive, a lei, na maioria das nações, considera curas praticadas por pessoas sem a habilitação médica concedida por uma escola de medicina, devidamente autorizada pelo estado, como crime de charlatanismo e/ou curandeirismo.

Imagino que eu já tenha sido curado de enfermidades várias vezes, talvez até sob o risco de morte, bem como tenha efetuado a cura de muitos enfermos, embora não tenha sido capaz de curar meu próprio filho. Privilégio que nem Jesus teve, pois segundo a Bíblia, ele que curou e libertou a muitos, não foi capaz de livrar a si mesmo da cruz, embora os calvinistas e outros fundamentalistas deverão discordar de mim nesse ponto, se não no todo. Entretanto, sempre tive o cuidado de não divulgar minhas curas por aí. Se eu fosse você, trataria de fazer o mesmo.


Da Série: As Sete coisas que Jesus não faria se fosse você

Os sete passos que Jesus não daria em seu lugar


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Ele voltará, em breve. Acredite.

Ele voltará
Ele voltará

Vivemos dias desgraçados, onde as pessoas a pretexto de aniquilar a igreja e as religiões, levam de roldão seus deuses e símbolos de fé e crença. Ontem, conversava com alguém completamente cético quanto a Jesus e sua história secular e enquanto essa pessoa arrotava sua incredulidade, um fenômeno se apoderava de mim novamente, o de me apegar às inúmeras experiências espirituais que vivi em meus dias. Quando ela silenciou, disse-lhe: Temo por seu engano, meu coração está cheio de argumentos vividos que contrariam esse seu estado árido de espírito, mas não tenho nenhuma vontade de debater com você. Desejo uma única experiência verdadeiramente espiritual para você.

Diz a lenda Cristã que depois de expulsar o demônio de um jovem, Jesus e sua turma saíram de onde estavam e atravessaram a Galiléia. Ele não queria que ninguém soubesse onde estavam enquanto ensinava seus discípulos. E lhes dizia: “O Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão, e três dias depois ele ressuscitará”. Mas eles não entendiam o que queria dizer e tinham medo de perguntar-lhe. Mc 9: 30 – 32

Acordei hoje, e li esse texto. Lembrei da D. Arlete Ferreira e falei com ela pelo Skype, pois está em Berlim, ela é uma dessas pessoas quase únicas, que ainda tem uma vida espiritual, capaz de discernir quantos dedos estou mostrando a ela, de fato. Sua sensibilidade lhe permite acreditar que esses textos bíblicos não são pontuais, mas lineares. Como eu, ela sabe que os homens estão matando o Filho do Homem nos nossos dias, junto com as instituições que eles mesmos criaram, com seus pastores filosofais, seus shows musicais e teatrais e suas pregações falaciosas sem fim. Jesus e suas insanidades evangélicas são só mitologia, para eles.

Mas ele ressuscitará e não será no meio institucional.

Khalil

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