A Gruta do Lou

Sob as Asas de Deus

O Náufrago

Esse filme tem algo a dizer. Gosto muito da frase “O mar sempre me trazia um presente”, dita pelo personagem Chuck Noland (Tom Hanks). Mas, o detalhe que pretendo enfatizar agora diz respeito à gruta do Chuck. Durante o tempo em que esteve na ilha (4 anos), sempre que a situação climática tornava-se assustadora, ele refugiava-se em uma gruta.
Despojado compulsoriamente de todas as facilidades modernas, esse local oferecia segurança nos momentos de tempestades, sem custo algum.

As grutas ou cavernas não são lugares especiais. Apenas, tornaram-se abrigo natural ao ser humano, ao longo de sua existência no planeta. Minha relação com Grutas e Cavernas foi acontecendo, durante minha vida, sutilmente. Quando criança, entrei em uma ou outra pequena gruta. Na adolescência, visitei a Gruta de Maquiné em Codisburgo – MG (terra de João Guimarães Rosa). Essa visita teve grande impacto para mim, não só por causa das Estalactites ou Estalagmites, mas, andamos durante horas, gruta a dentro, em um imenso sítio cavado naturalmente no seio da terra. Fiquei maravilhado com aquele lugar.

Em meus anos de leitura da Bíblia, chamou-me a atenção a relação dos personagens com lugares ou situações em que o ser humano buscou proteger-se de suas tempestades. As grutas e cavernas sempre estiveram presentes. Jesus nasceu em uma gruta. David protegeu-se em uma Caverna, Elias deprimido buscou a segurança de uma Gruta., entre muitos outros. Interessante notar que, esses exemplos têm um ponto de intersecção: Além de proteção, esses homens tornavam-se instrumentos de Deus. Os pais de Jesus buscaram a gruta para proteger-se, mas, conceberam a salvação de humanidade, ali. David buscou na caverna abrigo por causa de seus perseguidores e acabou formando o exército que lhe daria a vitória. Elias, deprimido buscou a gruta e acabou sendo encontrado por Deus, em sua angústia.

Certamente, na Bíblia as grutas, cavernas, cisternas, etc. são a representação gráfica da proteção de Deus. Para os homens mais antigos, refugiar-se em uma gruta era algo mais natural. Hoje, dificilmente, alguém buscaria algum tipo de refúgio natural, durante uma tempestade. De certa forma, isso se reflete em nossas vidas. Quando estamos atravessando alguma “tempestade” na vida, buscar refúgio sob as Asas de Deus parece uma solução típica dos seres primitivos. Sentimos mais segurança com um bom emprego, uma conta bancária abastada e bens matérias. Nossos refúgios, têm guichês, bancos, chefes, computadores, TV, luz elétrica, muito barulho e telefones. Assim, torna-se impossível ouvir a Deus, de fato.

Lembro-me, sempre, do testemunho da Irma (esposa do Zig): “Sempre que a situação fica insustentável eu pego a minha Bíblia, meu cantor cristão e subo para o sótão. Ali passo horas orando, lendo a Bíblia e louvando a Deus. Quando volto, estou renovada.”

A proposta da Gruta é simples. Estar sob as Asas de Deus. A única condição é sentir-se desamparado. Nenhum local definido. Nenhum líder conhecido. Onde o maior seja o menor dentre todos. Onde os últimos sejam os primeiros. Onde juntos formemos um grande exército. Onde estejamos em silêncio e prontos a ouvir a voz de Deus. Finalmente, onde Jesus Cristo possa nascer e viver todos os dias.

lousign
# posted by Lou @ 1:09 PM

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