A Gruta do Lou

Síndrome do Túmulo vazio.

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O evangelista João narra, no capítulo 21 de seu evangelho, um episódio pra lá de surreal. Todo mundo havia presenciado a morte de Jesus via crucificação. A notícia do enterro do corpo do crucificado por José de Arimatea, um cidadão isento e digno de total credibilidade correu toda a região.

Então alguns dos discípulos depois de pensar algo como: “o que não tem remédio, remediado está, concluíram por voltar à mesma vida de sempre pois “the dream was over”. Entraram no barco de Pedro e saíram para pescar, afinal, saco vazio não para em pé e todos, incluindo familiares, precisariam continuar vivendo e isso implicava em continuar se alimentando e trabalhando. Mas, literalmente, o mar não estava para peixes, naqueles dias e eles não pegaram lhufas.

Quando voltaram da pesca frustrada, viram um homem na beira da praia, meio que de longe, gritando: “Vocês não pegaram nada, né? Então joguem as redes aí mesmo, à direita do barco. Por alguma razão inexplicável, talvez a perplexidade por estarem vendo alguém muito parecido com o mestre recém crucificado ou algo assim, eles obedeceram e jogaram as redes conforme a instrução dada pelo espectro. Surpresa! Pegaram peixes com nunca. Depois de contados, haviam 153 dos grandes nas redes.

Eles foram chegando devagar, como quem não está acreditando em suas próprias visões, era mesmo o Mestre e não parou aí, tinha uma fogueira pronta onde já havia peixes sendo assados. Para completar o morto-vivo lhes disse: “Tragam alguns dos peixes pescados por vocês para juntarmos aos outros em estado de cozimento, no momento”, ou algo assim.

Afinal, ele morreu, foi enterrado e ressuscitou ou não morreu e deu um passa moleque nos romanos mais sacerdotes inclusos? Dizem por aí, terem visto Jesus lá pros lados da Índia, depois desse episódio dos peixes, onde ele teria morrido de verdade. Por outro lado, nunca entendi direito o significado da ressurreição. Se Jesus Cristo queria vencer a morte, melhor seria se não morresse, nunca ao invés de gerar essa Síndrome do Túmulo vazio. Mas, de fato, ele morreu, se foi na cruz ou na Índia não sei, mas morreu porque nunca foi visto em carne e osso, desde então.

Se não estava na lista, entrei nela recentemente, falo das pessoas com necessidade explicita de uma boa ressurreição. Quem sabe assim eu e muitos outros pais e familiares não poderíamos rever nossos filhos tragados pela cardiopatia congênita aliada à incompetência e/ou ganância humana. Adoraria encontrá-los assando uns peixes na praia, ou mesmo uma picanha lá no quintal.

Essas aparições pós morte do Filho único de Deus sempre deram ao evangelho uma conotação de mistério e dúvida. A dúvida, fonte das angústias, gera culpa. O paradoxo aí é lembrar a principal missão de Cristo, ou seja, eliminar a culpa da face da terra, mas nada nos causa maior angústia do que a morte vicária de Jesus, somada à sua ressurreição.

lousign

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