A Gruta do Lou

Síndrome de José

Ainda bem que foi José o cara sacaneado pelos irmãos amigos da onça e não certos líderes atuais. José era uma incorrigível “boa praça”. Chegou ao cume do mundo e mesmo lá não se esqueceu dos pilantras que o venderam como escravo. Não só não os esqueceu como estava disposto a perdoá-los pela grande sacanagem, como o fez, de fato. Dessa forma salvou o povo de Deus. Não sei se foi mesmo a coisa certa a fazer. Se o simplório José não existisse ou tivesse sido transformado em jantar ao invés de primeiro ministro de Faraó, hoje o conflito no oriente médio estaria restrito apenas às facções xiitas e neo-ortodoxas muçulmanas. O coitado do Schindler não precisaria ter tido todo aquele trabalhão para salvar nossos irmãos mais velhos e mãos de vaca, mal agradecidos. Enfim o que está feito, feito está. Eles sobreviveram e a paz mundial estará ameaçada “ad eternum”. Mas meu ponto não tem nada a ver com a questão sionista.

Vejo os tais grandes líderes atuais e não consigo evitar em pensar no boiola do José. A mulher do Potifar quis dar para ele, mas o cara negou fogo, para não chifrar o amigo . Parece que todo Zé de Deus tem que passar por essa prova. Deve ser por causa do nosso charme. Você conhece algum Ed, Rick ou Ricardo charmoso? Garanto que não. Antes de mais nada, como um cara chamado José pode ter sito escolhido por Deus para tão expressiva missão? Hoje em dia, Deus anda mais criativo. Seus grandes líderes chamam-se Rick (estará no Credicard Hall de São Paulo nesta segunda 21/07. Tentei jogar um lero no Eude para conseguir um ingresso grátis, mas ele não entrou na minha.), Ed e Ricardo, sem falar nos bispos e apóstolos. A diferença está na postura, enquanto esses cobram o olho da cara para falar um monte de bobagens sobre o que não entendem, mas fazem ousadas asseverações, José dividia sua caderneta de poupança, de graça, para salvar o povo de Deus. Entretanto Deus insiste em paparicar essas estrelas e deixar os Josés e Luizes comendo o pão amassado nas padarias do inferno. Mas na hora de ir para prisão, pregar na Albânia marxista leninista, comer carne de Javali na Àfrica ou falar de Cristo aos índios no Pantanal ele manda um Luiz ou um Josè qualquer, e vai vendido, andando e algemado, sem ver a cor de água ou pão.

Alguém aí já viu anúncio de palestra de algum José no Credicard Hall? Muito menos de algum Luiz, ainda mais esquecidos e ferrados que os Josés. Caras como esses são convidados para o Azaré Credicard Hall, embora nunca cheguem a falar por falta de quem os queira ouvir. Pessoal gosta mais dos contadores de história do que dos fazedores dela, e ainda pagam uma nota para ouvi-los. É véi, nosso negócio é despejo por falta de pagamento, luz cortada e acesso discado à internet, quando não somos relegados à alguma Lan House de quinta. A gente não tem nada, mas ta cheio de inimigos fazendo macumba na encruzilhada para perdermos até o que não temos.

Tudo bem, José salvou o povo de Deus, Josué (outro Zé qualquer) derrubou as muralhas de Jericó e um Luiz de nada derrubou às muralhas espirituais albanesas. A Ana Paula Valadão já foi cantar lá na Albânia de Deus, agora que esse país não é mais a primeira nação ateísta do mundo. Afinal, alguém tinha que reivindicar o negócio. Coitada da Najua, outra Zefa desse mundo de Deus.

Alguém aí já tentou falar com um desses caras. Outro dia, peguei meu telefone e liguei para o Rick, queria pedir um ingresso grátis para o Credicard Hall, ligação a cobrar para o Vale de Saddleback, sabe qual foi a resposta? O mordomo do senhor Rick, um tal de Anselm, informou que o Rick recusou receber a ligação por não conhecer nenhum Luiz não sei de que. Pode? Se fossem eles lá no Egito, mandariam dizer que estavam em reunião, indefinidamente. Tudo bem, se eu fosse ao Credicard Hall não encontraria nenhum amigo lá, mesmo. Meus amigos são encontrados em eventos grátis, mais facilmente. Sim, não os tenho visto muito, ultimamente. Afinal não fazem mais nada grátis, hoje em dia.

Acho que todo mundo já entendeu meu propósito aqui. Para salvar qualquer coisa, seja o mundo, a raça humana, os trouxas que crêem, os albaneses, africanos, índios ou corinthianos Deus enviará um Jesus, ou José ou Luiz. Mas para fazer palestrinha ridícula de propósito e prosperidade tem que ser Rick, ou Ed ou Ricardo. Já viram a contracapa do livro do Rick? Veja lá quem recomenda o livro do cara. Eu só recomendei o livro do Zenon. Alguém tem o livro do Zenon na prateleira? Tá bom, sou mesmo um invejoso, e tenho a síndrome de José, afinal sou Luiz. No fim, ainda os receberei na Gruta e darei sopinha na boca deles, sem falar no perdão, etc. e tal.

15 thoughts on “Síndrome de José

  1. Lou, muito legal, como sempre, seu post!
    O problema desses negociantes do “Reino” é que ao ouvir falar de uma “mão invisível do mercado” eles logo se empolgam e pensam que mão invisível só pode ser do Deus invisível… então vale tudo.
    Aí o velho covil de ladrões = mercenários colocam suas barraquinhas no do lugar de adoração, aliás, essa foi uma das poucas coisas que fez Jesus perder a cabeça e chutar o pal da barraca, sair distribuindo chicotadas e quebrando tudo.

  2. Roger

    Pode parecer loucura, mas concluio que Jesus estava mesmo certo. Invejo gente como Francisco de Assis que entendeu o ponto e fez de seu propósito e prosperidade o desapego, não acumular bens e encontrar dignidade e felicidade na promoção de programa “céu já”, começando agui e agora. Nesse lugar futuro não haverá lugar para essa coisarada toda. Deus tenha pidedade deles e de nós.

  3. Lou, meu amigo

    Foi tão bom encontrar este seu post!

    Li com toda a atenção e creio que percebi a mensagem.

    Infelizmente essa é a realidade dos nossos dias…

    Mas, eu tenho a benção de conhecer ainda “alguns Josés” por aí.

    E apesar de o nome deles não serem sequer falados…eles continuam fielmente pregando a Palavra com muito amor e fidelidade.
    Tenho alguns destes entre os meus maiores amigos.

    Mas, tambem conheço os “outros”.

    Um grande e carinhoso abraço, meu bom amigo

    Viviana

  4. Viviana

    Sempre bom ler seus comentários, pois você é uma das pessoas que Deus não hesitaria em convocar para algum grande plano de salvação, sem direito a fama e pompa.

  5. Bete

    Os Zés, Luizes ou Silvas são gente que faz e vive uma vida com depósitos sim, no Banco onde a traça e a ferrugem não corroem. Confesso que vivo reclamando disso, mas sei muito bem que esse é o banco certo e as dores envolvidas nessa escolha fazem parte do pacote, as tais sombras do que está por vir. Os Ricks além de despreparados, ainda terão que ser ajudados por nós, naquele dia. Duro né?

  6. Lou,
    Difícil comentar teu post, tem tantas minúcias e implicações variadas.
    Prefiro saborear, refletir sobre os comentários alheios e dar graças a Deus por ter uma Gruta pra me abrigar.

  7. Rubinho

    Em parte, a idéia é essa. Refletir, saborear e olhar por todos os ângulos. A verdade absoluta nós sabemos quem tem, certo?

  8. Lou, eu comentava com uma amiga, que por eu ser a mais nova de uma família de idosos, eu adquiri experiência em enterrar mortos. Minha amiga disse: Deeeeeeeeeeus me livre, nunca que vou me envolver em enterrar pessoas, meu lar não é aqui, eu vou pra glória, os mortos que enterrem seus mortos, que se danem, etc. Fiquei tão triste em ouvir isso de um crente, enterrar pessoas é um ato simples de piedade,tudo bem que piedade póstuma, mas acho comovente, nunca me eximi dessa obrigação. Onde foi que os crentes se perderam Lou? Que triunfalismo é esse que faz os crentes quererem comer só a parte boa da fruta, é porque existem os silvas, que vão atrás fazendo o serviço difícil? Olha…tô farta viu, tá resolvido, vou tirar o silva do meu nome.

  9. Bete

    Esses “líderes” da prosperidade e dos propósitos (e ter propósitos pode ser muito bom) em termos de propostas teológicas (arquitetadas na quinta coluna do inferno) fazem um trabalho muito eficaz. Não devemos subestimá-los. Veja só, enquanto estamos aqui, via conexão discada eles estão lá no Credicard Hall, pisando em carpete de 10 cm, servidos com canapés de salmão e ouvindo o Rick, em pessoa. 🙂

  10. Lou, amigo

    Hoje foi o melhor do ano

    O Rick já respondeu um email do Brabo, salvo engano..

    Aliás, este (o Bravo) é amigo deles, e nosso(grutenses), creio…

    abraço

  11. este é o dom de uma liderança que sabe o que faz. está certo que alguns estão em tamanha contradição com as palavras expressas em blogs e sites que nos basta um leve sorriso no canto da boca. ao mesmo tempo em que promovem uma outra espiritualidade também tem lá certa participação no tapete vermelho das ladainhas sensacionais.

    tento eu achar que é mera política de boa vizinhança, mas estou perdendo as esperanças.

    para quê me preocupar com isso? sei há tempos que a política é uma arte para quem tem o dom da dissimulação. quem sabe não deveríamos ter algumas aulas com os tais? instituiçao e tapinhas nas costas: tudo a ver.

    abçs

  12. Oi Lou

    O Reino de Deus é dos zezinhos.Cristo entrou em Jerusalém montado em um jumento para que as crianças pudessem encará-lo. É a viúva com duas moedinhas que é notada por sua oferta minguadinha. Graças a Deus pelos zés, pelos portadores de deficiências, pelos desvalidos, pelos loucos missionários e outros que certamente nos precederão no reino.

    Um abração prá todos os Zés de Deus

  13. Pingback: Lou Mello

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