A Gruta do Lou

Saudade dos domingos de outrora

Ceia do Senhor
Ceia do Senhor

Era legal, quando ia à Igreja, aos domingos. Frequentei o Tio Cássio, alguns anos, depois virei in e me tornei batista, frequentado a Igreja Batista do Morumbi. Nessas e em outras igrejas fui espectador e pregador, diácono e pastor, terminando como otário.

É, agora não sou nem uma coisa nem a outra e, ainda por cima, não tenho mais minha Igreja para frequentar aos domingos.Isso me lembra o Walter Brunelli. Acho que ele chegou a ser meu fã, mas algo o desgostou. Enfim, ele vivia me incentivando a abrir uma igreja. Queria resolver dois problemas meus com uma só cajadada: o espiritual e o financeiro. Não sei se foi o que ele próprio fez. Talvez.

Imaginem se puderem: O grande Lou dirigindo uma Igreja! Pior que isso seria o Lula dirigindo o Brasil ou o Andrês Sanches o Corinthians. Ia ser um tal de gente levantando no meio da pregação, com cara de boi, para não voltar, nunca mais. Ou como aquela senhora na Igreja do Ed que ousou retrucar-me dizendo que sorrir sem amor seria uma grande mentira. Acabou com os japoneses presentes. Eu também costumo sorrir quando estou com vontade de esganar alguém. Já assassinei milhares (estou falando em sentido figurado, meu) sorrindo. Mas não era mentira. Era exatamente o que eu desejava fazer, naquele momento. Quando o Jakobina me dispensou, eu estava sorrindo. Aquele maledeto de uma figa! Também abro um baita sorriso quando me fazem esses convites para trabalhar de graça, sem vantagens ou registros, etc…

Voltando aos domingos, lembro de quanta bobagem já ouvi por aí. Inesquecível aquele sermão do Luiz Zitti cujo tema nunca mais esqueci: ” A baixa estima de si mesmo” (sic). O Tio Cássio foi o grande campeão da asneira falada e dita. Ele disse: “Deus não escuta pecadores!” Ora, acabou com todos nós. Ou ainda: “Dizem que o Bill Gates é inteligente. Isso porque não me conhecem”. Antes que você me pergunte, ele falou sério. Outra: “Sou um urbanoide. Detesto areia nos pés. Meu negócio é consumir, pois sou um consumista assumido.” Tudo isso escutei com essas orelhinhas que a terra a de comer. Só lembrando um pequeno detalha, o Tio Cássio foi, talvez, o maior evangelista deste país. Se ficasse de boca fechada, seria perfeito. Cara, não me lembro de nada útil que tenha escutado em qualquer uma dessas igrejas. Só essas imbecilidades.

De bom, lembro de pregações do Shedd e do Lachler. Infelizmente, não tenho nenhum pregador brasileiro para citar. Se bem que gostei muito da palestra do Julio Zabatiero sobre o Reino de Deus, no congresso da SETE em Poços de Caldas, muito tempo ago. Esse ano, o Ariovaldo fez uma boa palestra sobre a graça, disponível no Youtube. Não fosse a carência retórica dele, teria sido dez. Teve a minha sobre a Vida de Jesus, mas essa ninguém gravou e já era. Pode apostar, sou melhor do que muitos desses caras aí. Problema é: só eu e a Dedé acreditamos nisso e, às vezes, até ela duvida.

Não digo que dessa água não beberei. Basta me oferecerem o salário certo (aquele capaz de alterar minha moral) e a Dedé topar as exigências à mulher do pastor. Por outro lado, domingo legal para mim é quando tomo a ceia do Senhor, nem sei exatamente porque. Apenas gosto.

Espero que aquele rapaz iletrado não se zangue com minhas ironias e trate de melhorar seu linguajar pátrio. Basta ser como eu. Bom, é isso. Na falta de uma igreja onde eu possa destilar minha hipocrisia e meu veneno, negócio é ver o Corinthians e sofrer com meu time vendido por qualquer vintém.

Deus não liga para essas bobagens de culto, igrejas e pastores. Jesus ousou dizer que a verdadeira religião seria amparar os órfãos e as viúvas em suas necessidades. O resto é bobagem.

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