A Gruta do Lou

Rompendo com a igreja

Se você é cristão, ou mesmo não sendo, há de concordar comigo em um ponto: quando o clima não está lá essas coisas, melhor rapar fora. Certo? Alguns custam a decidir, especialmente quando há sentimentos envolvidos, laços, deveres de consciência, culpa, etc.; não é fácil deixar algo ou alguém que nos é caro.

Os séculos XV e XVI foram emblemáticos para a igreja cristã. Lutero, Calvino, Zuínglio, Knox e outros lideraram a Reforma na Europa e muitos romperam com a igreja. Nascia ali uma nova Igreja, chamada protestante, decidida a não submeter-se mais aos ditames papais. Com o passar dos anos, essa nova igreja dividiu-se em muitas seitas protestantes, com destaque para os luteranos, os metodistas e, depois, os presbiterianos e os batistas, seita que se desenvolveu muito nos Estados Unidos, iniciada em Amsterdã de uma dissidência do protestantismo inglês. O protestantismo chegou ao Brasil, pela primeira vez, com viajantes e nas tentativas de colonização do Brasil por huguenotes (nome dado aos reformados franceses) e reformados holandeses e flamengos durante o período colonial. Esta tentativa não deixou frutos persistentes. Uma missão francesa enviada por João Calvino se estabeleceu, em 1557, numa das ilhas da Baía de Guanabara, fundando a França Antártica.

Entretanto, o protestantismo luterano e/ou calvinista parece ter sofrido alguma avaria na travessia do Atlântico chegando por aqui meio avariado. Mesmo as igrejas que tinham tradição reformada, parecem ter inebriado-se com os ares equatoriais das Índias Ocidentais ou jogado a mala contendo os pressupostos da Reforma protestante no mar. Em outras palavras, a Reforma nunca chegou por essas paragens paradisíacas, ao que parece.

Tudo bem, posso estar resumindo muito a história, mas não tenho a menor intenção de historiar ou escrever algum tipo de crônica aqui. Meu negócio é explorar um pouco essa lacuna deixada pela falta de uma atitude mais perseverante dos reformadores pouco reformados. Por outro lado, avisto nisso uma boa oportunidade para fazer minha proposta mais, digamos, contemporânea ou pós moderninha.

Lutero, entre outros reformadores, desejava romper com os papamaniacos por diversas razões, mais de noventa na verdade, mas a que mais lhe causava asco era a questão das indulgências. Que eu saiba, nunca venderam indulgências por aqui. No máximo, venderam o Viaduto do Chá algumas vezes, mas foi só. Também, nessa altura, pouco importa o que Lutero, que até tinha lá algumas boas intenções, pensava.

Seria muito oportuno se os cristãos, desses que conseguem ler os evangelhos e não encontram semelhanças com suas congregações, romperem com a Igreja. Há, sem dúvida, um grupo expressivo por aí, que já rompeu e virou o tal dos “Sem Igreja”. Em minha opinião, esse nome não é apropriado, pois pertencem a um grupo e seria interessante batizá-los com algum nome mais honroso. Talvez, corinthianos em alusão ao povo destinatário de duas cartas de Paulo e há quem jura serem três. Outra ideia seria nomeá-los de flamenguistas, afinal os flamengos foram alguns dos que trouxeram o protestantismo ao Brasil. Mas se a semelhança com torcedores de alguns times de futebol incomodar, há outras opções e certamente não faltará bons nomes para esse grupo e isso é o de menos.

Importante mesmo seria escrever novos pressupostos baseados nos evangelhos para um cristianismo totalmente reformado, que incorporasse a impossibilidade do desenvolvimento do joio no meio do trigo, sobretudo.

Não é preciso ter estudado teologia no Instituto Bíblico Jovens da Verdade para perceber que os cristãos perderam características típicas e inerentes aos seguidores do Homem de Nazaré, como a generosidade, a gratidão, o cavalheirismo, a capacidade de farejar o sagrado em cada situação, a felicidade, a prática do dom do amor, o valor da virtude e outras coisinhas do tipo; coincidentemente, o seminário que ando criando para ministrar por ai a troco de um ou outro prato de lentilhas.

Meu humilde conselho é esse, caia fora dessas igrejas onde você não sente mais o cheiro de Cristo ou onde o consumo não é diferente do Shopping Center mais próximo. De repente, Deus envia um cara chamado Loutero, Lou ou Tero para guiá-los na direção de alguma gruta ou caverna mais próxima, onde ele lhes ensinará em oito ou doze passos, o verdadeiro evangelho bíblico e reformado. Pronto, falei do seminário de novo.

A gente se vê no feicebuqui. Beijos.

morcego-12

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