Ressurreição? Tô fora! Já estou bem satisfeito.

a-ressurreicao-de-rembrandt-150x150
                                     A Ressurreição - Por Rembrandt

Olha só, eu não queria escrever sobre a ressurreição só porque hoje se comemora a ressurreição de Cristo que, em tese, abriu o caminho para a ressurreição de todos nós.

No momento, não estou interessado em ressurgir dos mortos, viver de novo ou uma nova vida. A amostra está sendo mais do que suficiente para mim. Só se me provarem que a tal nova vida seria em outro mundo, com outro tipo de habitantes e eu viesse a ser uma pessoa completamente diferente do que sou. Mas se entendo alguma coisa do texto bíblico, a ideia é renascer para viver ao lado de Cristo mil anos, só para comprovar que nem com ele a bordo deixaremos de pecar. Tô fora!

Fui uma criança triste. Quando menino, tive poucos momentos felizes, como a maioria dos meninos e meninas que conheci. Nossos momentos felizes eram fugazes. Mas nunca imaginei ou sonhei que seria um adulto infeliz. Não, não quero outra vida. Basta essa. Não tenho tanta longanimidade assim. Na verdade, sou bem fraco nesse quesito.

Talvez você esteja imaginando que as minhas razões sejam de foro íntimo ou pessoal. Que meu filho ou minha situação financeira sejam os agentes determinantes de minha vida infeliz. Não se engane. Não sou a Sandy (uma infeliz que se pensa cantora) que diz ter tudo na vida e nada mais a desejar. Estou mais para o fundador do Exército de Salvação, William Booth, um reverendo metodista que tinha uma profunda consciência social, isso lá pelos idos de 1865 e que declarou: “enquanto houver uma criança perambulando pelas ruas, com a mão estendida por um pedaço de pão, eu não estarei feliz”.

Não quero viver essa infelicidade outra vez. Muito menos ao lado de Cristo. Não suportaria olhar para Ele em meio a tanta desgraça. Sua dor me mataria. Não conseguiria repetir a dose e permanecer ao lado de gente que concebe algo como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), essa peça demoníaca que simplesmente atirou crianças e adolescentes no mundo do crime, de vez. Não desejo saborear a destruição de um planeta inteiro, uma segunda vez. Não quero, nem que prometam o mundo a meus pés.

Uma nova vida, ao lado dos Bushs, Lulas e seus companheiros letais do presente, do passado e do futuro, seria a tortura suprema. Não suportaria ver e ouvir de fatos como Vietnan e Iraque outra vez. Não quero viver em um mundo de tamanha desigualdade, preconceitos e individualismos, de novo. Tô fora.

Estou contando os anos que me restam. Meu plano é me desfazer do pouco que ainda possuo. Juro que não buscarei nada além do pão nosso de cada dia. Doarei meus livros, minhas coisinhas, pagarei o que puder, pedirei perdão para tantos que magoei, principalmente com essas mentiras religiosas, prepararei o caminho para os meus filhos e abençoá-lo-eis, amarei um pouco mais a Dedé e depois partirei com um sorriso no canto dos lábios. Talvez mais uns vinte ou vinte e cinco anos, salvo imprevistos. Espero que Deus me abençoe, pelo menos nisso, já que esteve ocupado demais para notar a minha presença. Também, com tanta desgraça por aí, nem Ele dá conta.

Não consigo entender esse negócio de celebrar a vida, essa droga. Talvez os americanos do norte e os europeus consigam, se forem capazes de não olhar para os outros seres humanos do planeta, que não fosse com a intenção de explorá-los, como sempre fizeram.

Pior seria imaginar viver de novo. Não contem comigo.

lousign

Author: Lou

13 thoughts on “Ressurreição? Tô fora! Já estou bem satisfeito.

  1. Prazado Lou,

    Não desista da ressurreição pois como você mencionou no início, Ele nos prometeu um novo céus e uma nova terra. Não será como aqui (apesar de eu não poder te garantir nada). Mas acho que a Bíblia é bastante explícita em relação a isso.
    Vamos juntos!

    Na paz.

  2. Texto de desabafo forte hein…

    Longe estou eu de falar algo que vá contra as experiências alheias, no entanto, com base no pouco já vivido por mim pude observar que os fugazes momentos de felicidade são aqueles que dão força para o que virá mais a frente… seja o sofrimento ou a dor…

  3. Nossa…
    Eu já penso diferente…
    Sou insistente!
    Sou de encarar qtas vezes preciso…
    Mesmo que eu tenho q forçar meus olhos a ver coisas piores que ja vivemos e presenciamos!
    Ainda mais ao lado Dele!

  4. Olha, se eu ficar olhando os outros seres humanos do planeta, vou deixar de viver, pois me dar em sacrifício nao me dou mais do que já me dei e dou. Prá quê? O povo sequer valorizou o sacrifíoc de Jesus na Cruz. Vao valorizar o meu? Nao me dôo mais nao.

    Até amanha

  5. Olá Lou.

    Mais uma vez apreciei o seu post.
    Sabe que gosto mesmo de vir até aqui?
    Venho sempre, todos os dias.
    Já falei de si ma muita gente.

    Tenha um bomresto de dia

  6. Pingback: Lou Mello
  7. E se for em outro mundo? Diferente do que pensamos ser? Podemos estar enganados em nossas idéias, elas estão condenadas à reformulação…
    E vamos sim, celebrar a vida, que não é uma merd.
    Não creio que jamais possamos dizer que já nos demos mais do que devíamos nos dar. Só porque as pessoas não valorizam o sacrifício de Cristo? Ele morreu sabendo que o ser humano não O valorizaria, e mesmo assim Se deu. E a exemplo do Rev.William Booth que disse que não ficaria feliz enquanto houvesse uma criança na rua a mendigar o pão? Esse,sim,entendeu o espírito de Cristo.

    Já a Sandy…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *