A Gruta do Lou

Reformadores Brasileiros

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Lutero, sempre me pareceu um cara legal. Teve seus prós e contras, até eu os tenho. Entre seus destaques, acabou protagonizando a tal Reforma. Há momentos em nossas vidas em que precisamos, obrigatoriamente, reavaliar nossas reais possibilidades. Como dirias minha avó, e não me canso de citar, “o que não tem remédio, remediado está”.

O padre alemão devia ser extremamente eloquente e incomodou a liderança da igreja, na época, e em sua diocese (sei lá que nome davam a isso naquele tempo e naquele lugar) e ele deve ter percebido o objetivo claro de seus mandatários em expulsá-lo como herege. Não deixo de dar razão aos líderes, afinal não é aceitável que um pastorzinho, ou mesmo um blogueiro viva deitando falações contra os sagrados pastores da igreja. Isso é pecado e na próxima reforma da igreja farei questão de incluir um pedido formal para a inclusão dele.

Enfim, Lutero avaliou e percebeu que deveria sair, antes que a vaca fosse para o brejo. Com sorte, fundava uma nova igreja, quem sabe sem aquelas amarras gays tipo celibato e “Clube do Bolinha”, muito comuns na Igreja e entre o clero daquele tempo. Pelo menos, o celibato persiste até hoje, como regra, na Igreja Católica. Engraçado esse detalhe, a mim soa muito mais como uma regra contra casamento heterossexual, ou seja, o que os padres não querem é colegas de ministério casados e, muito menos, casados com mulheres. Quanto a fazer sexo, na calada da noite, ou das tardes, podem fazer, desde que seja com alguém do mesmo sexo, não importa a idade. Aliás, quanto mais novo for o parceiro, melhor.

Mas o que incomodava Lutero, nem era essa questão sexual, prioritariamente. De fato ele discordava de seus pares, pois sua preferência pela relação heterossexual era notória. Ele batia mais forte na questão das indulgências, na verdade, um mecanismo de captação de recursos muito eficaz, naqueles dias, mas pilantra demais.

Então o abade germânico escreveu as suas famosas teses, pendurou na porta da capela e fez a maior confusão da paróquia. Não sei se calculou bem, mas as suas teses viraram sua própria lei a seguir, dali para frente. Não houve nenhum congresso de Lausanne na Cidade do Cabo, África do Sul ou sabe-se lá onde. Não sei como é possível fazer um congresso de Lausanne em outro lugar que não seja Lausanne, mas sua opção, a única que lhe restou naquele momento, fez a Reforma, independentemente de ter ou não razão. Provavelmente, o pessoal andava de saco cheio com os padrecos safados e suas orgias maravilhosas e a saída do padre falastrão, homofóbico e suas teses reformadoras vieram a calhar.

Estou escrevendo tudo isso depois de ter lido um texto do Bispo Robinson Cavalcante no informativo Creio, onde ele cobra a reforma da Reforma, embora tente dizer que não seria bem isso. Se entendi bem, ele deseja um congresso, daqueles mundiais, mas não com aquela coisa primitiva e pobre de Cidade do Cabo, na África onde só tem Aids e crioulos, pra todo lado, fora outros pesadelos, tipo cardiopatias congênitas, mutilações por minas, etc. Congresso que é congresso acontece em Lausanne de verdade, aquela cidade na Suíça, nos Alpes, para o pessoal dar uma escapada e esquiar um pouco, entre outras farras. Com a vantagem de ser todo mundo branco, de olhos azuis, mais de um metro e noventa e tal. Fora que lá, quase não tem ninguém com Aids, o que tornaria certas noites muito mais seguras. Isso ou algo parecido com Holanda, Finlândia ou Áustria. Estados Unidos nem pensar, tentaram em Grand Rapids e não deu certo. Europa é Europa.

Talvez as reuniões com objetivo de formar mais uma “aliança evangélica” de seitas terminais tenha um propósito mais revolucionário como fazer uma reforma comunista no Evangelho ou coisa assim. Não sou anti nem pró comunista, só acho que Marx perdeu a relevância quando o mundo se deu conta que o capitalismo é do diabo, também.

Aliás, diga-se de passagem, a Reforma de Lutero foi ótima, ainda bem que se circunscreveu à Europa. Basta dar uma boa volta pelo velho continente, para ver para onde foram as igrejas reformadas europeias. Nos Estados Unidos e depois no Brasil, a igreja evangélica ganhou outros contornos, nada a ver com a Reforma de Lutero. Graças a Deus. Nem os luteranos observam as teses do pastor alemão, por aqui, sem ofensas, claro.

O Genésio (Leonardo Boff) perdeu uma boa chance de fazer uma reforma quando saiu, por falta de opção melhor, da Igreja Católica. Deveria ter colocado suas teses na porta da Igreja, pelo menos umas nove, já que brasileiros são muito mais sucintos que alemães. Pensando bem, hoje em dia, seria mais adequado divulgar suas teses no blog, com chamadas diárias pelo Twitter e Facebook. O Caio Fábio, menos dado a coisas cerebrais, também perdeu sua chance de fazer uma reforminha da hora, mesmo que fosse só em terras brasilis e preferiu esse viés mais excêntrico atual.

Afinal, nosso evangelicalismo ganhou contornos próprios faz tempo, com as igrejas que mais crescem por aqui, as tais universais, mundiais, da graça e coisa e tal, enquanto as tais históricas caminham com força para o abismo e sós seus militantes não querem ver. E Viva o Neopentecostalismo! Bem Zé Carioca! Walt Disney foi mesmo um grande gênio, e criar esse personagem bem malandro, como um típico sacerdote brasileiro foi mais uma de suas genialidades, fora seu lado, digamos, meio feminino.

morcego-12


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