Reflexões otimistas sobre as Olimpíadas

Quando me vi diante do Word 2003 ( na outra maquina, uso o 2007) me ocorreu escrever algo mais otimista, para contrabalançar com os últimos posts, um pouco pessimistas.

Agora pouco estava ouvindo o Galvão Bueno (narrador ultrapassado da Rede Globo de TV) tentando me convencer de quanto a seleção de futebol de Camarões é perigosa e letal, enfatizando a derrota sofrida pela nossa seleção nas Olimpíadas de Sidney 2000, para os camaroneses. Adoro o pessimismo do Galvão ele é um dos pessimistas que mais admiro, sem falar na superficialidade que caracteriza suas palavras, sempre.

Então fiquei pensando um pouco na relação pessimismo, otimismo e a participação dos atletas (e uma legião de acompanhantes) brasileiros nos jogos mais importantes da nossa era, que suponho seja a pós-moderna. Sou capaz de afirmar peremptoriamente algo como: nossos atletas não têm um propósito correto capaz de motivá-los corretamente para a Vitória. Aviso, desde já, estar escrevendo sob grande influência dos magos dos propósitos Rick Warren e Ed René, sem esquecer o otimismo do primeiro e o pessimismo do segundo, muito mais alinhado com minhas expectativas, claro.

Tenho ouvido muitas declarações de nossos atletas em Pequim onde expoem conceitos de neurolinguística, a torto e direito. Parece ser uma regra entre eles. Provavelmente, algum (ou vários) desses idiotas do Há Poder Em Suas Palavras andou fazendo estragos entre nossos representantes. Nossos companheiros atletas estão se tornando a prova cabal da inutilidade dessas bobagens. De outro lado, o que não ouvi em nenhuma oportunidade foi algum tipo de declaração contendo um propósito minimamente capaz e aceitável. No máximo, eles estão participando para ganhar, cada qual, sua medalha olímpica, sem se importar muito com o tipo de metal da medalha e quem mais se importará com isso. Sem falar naquele cuja vitória é estar nos jogos, apenas, sem a menor intenção de disputar nada.

Em nossa era, Estados Unidos, URSS (extinta), China e outros países (mais modestamente) estabeleceram como propósito: obter supremacia sobre os demais povos. Aquelas bobagens apregoadas por Aristóteles, Vitor Hugo e outros imperialistas desgovernados. A supremacia tem o poder de elevar a auto-imagem e a auto-estima consequentemente. Nada como ser cidadão do mesmo país que foi capaz de produzir um Michael Phelps . Hoje, qualquer norte-americano está se sentindo poderoso, depois do cara receber sua décima medalha de ouro, sem falar na possibilidade muito concreta de que outras virão, ainda nesses jogos. Duro é viver sob o mesmo céu de gente como Galvão, Dunga e os técnicos das nossas seleções femininas de basquete e futebol, imbecis pessimistas, medrosos e citadores do barão de Copertain e aquela bobagem sobre o valor de competir. Em nossa era, só as medalhas de ouro têm valor e em número geométrico.

O Comitê Olímpico Brasileiro deveria ser dirigido por Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, José Roberto Guimarães, Robert Sheid e Torben Graeel. Alguém lembrará do Técnico Bernardinho, mas é bom esquecer que não é possível convidar o Zé Roberto e ele para a mesma festa, sem falar em suas teorias neurolinguísticas e fundamentadas em idiotices do tipo: Construindo a Pirâmide e sua proverbial arrogância composta com muita prepotência. Todos medalhistas dourados, a eles seria dado o propósito de levantar a auto-estima dos brasileiros, através da obtenção de resultados relevantes (qualquer coisa acima de vinte medalhas de ouro) nas Olimpíadas, especialmente dos gabirus, povo segregado pelas raças branca, negra e gay, mas alçado ao grau de eleitor benemérito de nosso atual presidente. Uma coisa é certa, dar os velhos pão e circo (com posição entre os cinco maiores ganhadores de medalhas douradas nas Olimpíadas) custa muito menos e ainda tem a vantagem de manter tudo na mesma injustiça social de sempre. Sem falar na manutenção dos privilégios.

Não falei que era um projeto otimista? E aí, gostou?

Author: Lou

10 thoughts on “Reflexões otimistas sobre as Olimpíadas

  1. Não sei pq, mas depois desta nova guerra assolando parte da humanidade, me pergunto, para quê existe Olimpíada? Acredito que seja para os atletas, quando velhos e sem vigor, mostrarem suas medalhas enferrujadas pelo tempo.
    Isto é pessimismo!?

  2. Lou

    Tu viste a grana que apreenderam no aeroporto de Sorocaba???

    Quanto as Olimpíadas, continuo no propósito sem propósito de não assistir nada dessas baboseiras…

    Se eu fosse escrever no Word inferior ao que estou acostumado, provavelmente escreveria coisas pessimistas..

    abraços

  3. Wesley

    Os gabirus são uma sub-raça que formou-se expontaneamente em regiões nordestinas. São pessoas quase anãs, com média de um metro e meio de altura máxima e baixo QI. Nosso atual presidente, acertadamente, os brindou com o Bolsa Família, afinal trata-se de milhares de pessoas segregadas em meio às outras etnias. Problema é que eles precisam muito mais do que dinheiro a começar pelo fato de que são um problema gravíssimo de saúde, ocasionado pela subnutrição, com uma anatomia toda doentia. É uma das consequências da maneira como se pensa a saúde em nossa pátria querida. Pensei em escrever um post sobre eles, mas careço de uma pesquisa antropológica com alguma seriedade. Por enquanto podemos oferecer a Gruta para eles, pois é o que temos.

  4. Wander

    Embora eu tenha gritado: Show me the money! ninquém deu a mínima e fiquei sem ver nada. Quando eramos crianças, em dias de bom comportamento, meu pai nos levava para ver os ricos tomarem sorvete. Às vezes, uma daquelas senhoras esnobes fazia uma caridade e comprava um para nós. No caso da grana aqui em Sorocaba, os policiais não estavam com nenhum senso altruista. 🙂

  5. Pingback: Lou Mello

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