Rede Vira Lata

Há cerca de uma semana, um cãozinho de mais ou menos quatro para cinco meses era espancando na região do ABCD paulista. Uma senhora pobre gastou parte do quase nada dinheiro que tinha, naquele momento, com um pet taxi e socorreu a vítima. A rede vira lata se mexeu e encontrou uma clínica no Butantã disposta a cuidar dos ferimentos do futuro marido de uma Lady qualquer e para lá o levaram. Novamente a rede enviou seus sinais de fumaça digital, agora em busca de uma família disposta a adotar o saco de pancadas de um covarde safado dessa vida bandida. A notícia chegou aos monitores de nosso castelo, em Sorocaba. A rainha mãe em pessoa tomou conhecimento dos fatos e resolveu entrar na parada. O rei deu a última palavra: “Sim Senhora” e ontem, fizemos a viagem a São Paulo para resgatar o Ronaldo. Agora Arthur, ele já está no convívio grutense de ser.

Mas o que vem a ser um vira lata? Olha, antes de mais nada, é um cara sem pedigree. Isso é equivalente a não ter diploma, ou pelo menos aqueles mais nobres, como um doutorado ou pós em Harvard ou Cambridge. Mesmo um diploma de Educação Física na FEFISA não te livra desse rótulo, muito menos o de teologia na FTBSP. Vira lata tem um certo complexo, segundo dizem, que o leva a aceitar as coisas como elas são. Agredido, das duas uma, primeiro não revida, a opção mais frequente e depois banca o malandro e sai de fina. Vira lata não tem cartão de crédito, só cartão de débito de conta poupança da Caixa. Mas sabe das coisas, por exemplo, como tratar uma lady, melhor do que qualquer outro, coisa que os aristocratas pastores alemães ou poodles dificilmente saberiam. Mas os vira latas são extremamente solidários e quando um deles apanha por motivos fúteis, todos os outros saem em seu socorro.

A Rede Vira Lata tirou da sarjeta mais um dos seus iguais e ele se encontra protegido agora. Ainda está convalescendo e extremamente debilitado psicologicamente, sempre a espera que as pancadas recomecem. Só o tempo reparará esse dano, pelo menos em parte. A Gruta é um pouco isso, também. Nós somos gente simples, caipiras sem pedigree, mas sabemos cuidar de um cãozinho abandonado como ninguém. Logo ele estará com cara de lorde e, dificilmente, alguém se lembrará que um dia ele esteve do lado de lá.

OPS: O post “O Sonho está vivo” foi publicado no site Projeto Coração Valente

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.

Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. Escolas e Universidades praticam o monopólio dos diplomas e a ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá.

Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman.

Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para desejar estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Eu viajei e ainda pretendo viajar.

Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Talvez sinta falta do Thomas, tanto quanto eu sinto.

Além de lecionar (Ef. Física e Teologia), ensinei organizações não lucrativas a fazer amigos para ter sustento e, também, tentei ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho em treinar professores em prática de ensino, quem sabe…

A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.

Gosto música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável para mim, e ainda me surpreendo com as pessoas lendo meus escritos, comentando, enfim.

13 thoughts on “Rede Vira Lata

  1. Dedé!!! Eu ví a foto,no perfil do FB,e achei que poderia ser a Duda,quando filhote…foi a minha primeira idéia.

    É muito querido,vai ser muito amado,e vai te amar muito.

    Por aqui,já passaram quatro vira latas.Como se costuma falar:já viraram estrelinhas.

    Cada um deixou uma história linda,penso neles todos os dias.

    O Arthur,também escreverá uma história de amizade
    e gratidão,na vida de vocês…assim como a Duda escreveu.

    1. Wander
      Pois é, como você sabe, o castelo é imenso e há de fato um cantinho para o pessoal da Távola, mas fica no extremo leste porque eles costumam fazer muito barulho quando se reúnem. E você está certo, ele era Ronaldo e a Dedé o transformou em Arthur, afinal um plebeu não poderia viver em um castelo como o nosso.
      🙂

  2. O mundo às vezes fica mais lindo!
    Eu tenho 3 gatos. O primeiro comprei. Os outros dois eu resgatei. O menor de todos tinha acabado de nascer e estava se esguelando na calçada esperando o pulo de alguma ratazana faminta. É meu “bebê-gato”, criado na mamadeira e no mimo. Chamamos ele de Coisico porque minha ideia era passar pra frente e para não me apegar o chamava de “a coisa”. Até que o veterianário disse que era macho e passou a ser “o coiso”. Mas o amor foi crescendo e carinhosamente virou Coisico. Mas esse é o apelido. O nome mesmo é Arthur!!! Porque aqui em casa todos os bichos são reis e rainhas. Também temos a rainha Sofia e a princesa Gwyniver.
    Parabéns!

    1. Cristina
      Legal! Esse é o espírito, como disse o Wander, resgatar é algo parecido com transformá-los de plebeus (vira latas) em reis. Valeu, obrigado!

    1. Djalmir
      A responsável por esse nome tavalônico é da Dedé, talvez pelo valor e importância que ela dê a um cão. O melhor é que ela consegue fazer isso sem me causar ciúmes. Pelo menos na maioria das vezes.
      🙂

  3. “Mas sabe das coisas, por exemplo, como tratar uma lady, melhor do que qualquer outro…”

    Escondendo bem uma amante!

    É só papinho lírico, romântico… Melhor a solidão com o épico Cristo.

    Viva!!!

    1. Paula
      A grande maioria prefere o Cristo épico ao lírico Orfeu. Poucos percebem o quão lírico Jesus foi e quanto não lhe encaixa a pecha de épico. Mas reconheço a necessidade de termos heróis.

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