A Gruta do Lou

Recado aos pais, maridos e chefes de família desempregados

Rogério Cardoso

“Cabe a um pai, marido e chefe de família, desempregado, passar os dias na rua, mesmo sob chuva, à procura de trabalho, pois, se ficar em casa, nessa condição, será o inferno.”

M. L. King

Mencionei essas palavras em algum texto passado. Mesmo em dias de Internet, o caminho mais inteligente e eficaz para se fazer contato, um chefe de família, desempregado, ficar em casa durante o dia é, quase sempre, uma atitude equivocada. Aliás, chefes de família não têm casa, especialmente, em países latinos onde impera o sistema matriarcal, ainda nos dias de hoje, para horror dos feministas e petistas.

Chefes de família (um título inaceitável pelos petistas de plantão) têm permissão de dormir em casa, no máximo. Seus banhos são horrorosos, pois sujam e desarrumam o banheiro que a empregada limpou. Comem demais, principalmente, o doce das crianças e são flatulentos em extremo. Mesmo nos fins de semana, é preferível que eles tenham alguma atividade fora de casa, nem que seja na casa da amante. Em casa eles atrapalham muito e enchem o saco. São chatos, estressados, velhos e ultrapassados. Reclamam excessivamente, dão broncas e interferem no andamento normal da casa. Até na cozinha querem dar palpites.

Geralmente, são tolerados quando estão empregados e pagando as contas em dia. Mas perdem qualquer privilégio, ainda que sejam mínimos, quando estão desprovidos dessa prerrogativa indispensável.

Claro que não estou falando por mim. Mesmo sendo um desempregado crônico, passo a maior parte do tempo em casa, onde me sinto amado, sou incentivado e compreendido por todos, a começar da Dedé, apesar da demora em conseguir uma solução e do agravamento da situação, a cada dia que passa. Na verdade, estou preocupado com os outros grutenses nessa situação.

Muitos deles contraíram divorcio com muito menos tempo de desemprego que eu. Não há tolerância, normalmente, sem emprego é tolerância zero. Pais, maridos e chefes de família só com grana. Essa é uma espécie de pessoa muito desagradável. Se você ainda não é um desses chatonildos, aceite meu conselho, lute com todas as suas forças para não se tornar um. Ninguém sabe onde Deus estava com a cabeça quando inventou esse monstro chamado família.

Se você está nessa situação, saia de casa e ande, mesmo sob tempestade. Não volte enquanto não puder trazer a boa notícia: Querida, arrumei um emprego! Siga o conselho do King. Ele sabia do que estava falando. Era um grutense de carteirinha.

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7 thoughts on “Recado aos pais, maridos e chefes de família desempregados

  1. Sérgio
    Agradeço a honra da visita e pelo link no PavaBlog. Acrescentei-o aqui também. Obrigado e grande abraço para você, também. Volte sempre.

  2. Cara, sei o que é isso. Já vivi na pele e no bolso essa situação. O capitalismo foi tão eficiente que conseguiu atrelar a dignidade de uma pessoa à sua conformidade com a condição de “trabalhador”, o que nada mais é que mera peça do mecanismo do sistema. Exercemos o duplo papel alimentador e reprodutor do capitalismo. Somos trabalhadores e consumidores.
    Basta lembrarmo-nos de que na Grécia clássica não era assim. Trabalho não era coisa de gente fina. Só os escravos trabalhavam. O trabalho humilhava o homem. Hoje, graças à domesticação capitalista, diz-se que “o trabalho dignifica o homem”.

  3. Hernan

    Pior é que fizeram um trabalho tão bom que conseguiram convencer três tipos de mulheres: as mães, as esposas e as sogras, e contra elas ninguém pode.

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