Recado aos cristãos brasileiros verdadeiros e comprometidos

Muitos anos atrás, quando estudei teologia, na disciplina de homilética, precisei construir um sermão para ser exposto ao professor e aos colegas de classe, os quais avaliariam meu trabalho, incluindo minha performance no púlpito.

Não me lembro exatamente porque, mas escolhi pregar a mensagem do livro de Jonas, do Antigo Testamento, com quatro capítulos e com divisões bem marcadas, dois capítulos de oração e dois capítulos de oráculo, intercalados.

A história é bem conhecida, Deus envia Jonas a Nínive, para conclamar os ninivitas ao arrependimento pois andavam fora da linha e as coisas iam de mal a pior por lá, assim:

“Vá a grande cidade de Nínive

e anuncie a seus habitantes esta mensagem do Senhor:

Vou destruir vocês por causa de sua grande maldade:

seus pecados são tão horríveis que chegam a cheirar mal.

Daqui do céu eu vejo tudo o que acontece”.

Jonas era um homem reto e intolerante com o pecado. Não gostou nada da missão dada por Deus a ele. Por ele, mandava uma bomba atômica em Nínive, pois não acreditava que aquele povo se arrependeria. Poderia ser perigoso tentar convencê-los do arrependimento necessário, afim de obter perdão e melhorias para o povo. Além disso, Jonas não estava inclinado em ver os ninivitas perdoados, nem um pouquinho.

Jonas foi então ao cais do porto, mas ao invés de tomar o navio que ia para Nínive, pegou outro, que ia na direção oposta, imaginando com isso safar-se da missão dada, por ninguém menos do que Deus em pessoa, ou melhor, em espírito.

Já estavam em alto mar, uma tempestade não esperada colocou o navio em perigo de naufrágio. Jonas não estava nem aí e dormia ferrado. O capitão do navio o acordou e incitou-o a orar a seu Deus para que os livrasse do pior.

A tripulação reuniu todos os presentes no convés e tirou a sorte para apontar quem seria o culpado pelo que estava acontecendo. A sorte (ou talvez azar) recaiu sobre Jonas. Ato contínuo, ele foi jogado ao mar.

Se eu fosse você, nunca mais viajaria se estivesse em pecado, menos ainda, com algum outro pecador, seja quem for. Bom, isso segundo o livro de Jonas, da Bíblia, etc. e claro.

Mas a sorte, digo, azar de Jonas não parou por ali, depois de cair ao mar, em alto mar, ele foi engolido por um peixe enorme. Se era algum tipo de baleia, capaz disso, não sei, mas o bicho conseguiu engolir o irmão teimoso.

Ele foi parar nas entranhas o peixão e lá dentro não era nada agradável. Após três dias e três noites ali dentro, não deu mais para segurar a teimosia e resolveu orar. Foi assim, segundo as palavras dele:

“Em meu desespero clamei ao Senhor,
e ele me respondeu.
Do ventre da morte[a] gritei por socorro,
e ouviste o meu clamor.
Jogaste-me nas profundezas,
no coração dos mares;
correntezas formavam um turbilhão
ao meu redor;
todas as tuas ondas e vagas
passaram sobre mim.
Eu disse: Fui expulso da tua presença;
contudo, olharei de novo
para o teu santo templo.[b]
As águas agitadas me envolveram,[c]
o abismo me cercou,
as algas marinhas
se enrolaram em minha cabeça.
Afundei até chegar aos fundamentos
dos montes;
à terra embaixo, cujas trancas
me aprisionaram para sempre.
Mas tu trouxeste a minha vida
de volta da sepultura,
ó Senhor meu Deus!

“Quando a minha vida já se apagava,
eu me lembrei de ti, Senhor,
e a minha oração subiu a ti,
ao teu santo templo.

“Aqueles que acreditam
em ídolos inúteis
desprezam a misericórdia.
Mas eu, com um cântico de gratidão,
oferecerei sacrifício a ti.
O que eu prometi
cumprirei totalmente.
A salvação vem do Senhor”.

E o Senhor deu ordens ao peixe, e ele vomitou Jonas em terra firme.

Então Deus repetiu a Jonas a missão a ser cumprida por ele, dizendo: “Vá à grande cidade de Nínive e avise seus habitantes do castigo que virá contra eles, como eu já havia lhe ordenado”.

Dessa vez, Jonas resolveu cumprir a ordem de Deus e rumou para Nínive e começou a pregar pelas ruas. De pronto, o povo ouviu e aceitou a mensagem de Deus pela boca de Jonas, inclusive o rei. Resolveram proclamar um jejum, oraram a Deus anunciando seu arrependimento e pediram o perdão ao Senhor. O final dessa história, se você não sabe, leia em sua Bíblia ou espere para ver com seus próprios olhos, em breve.

Ultimamente, tenho orado pela situação política e a crise atual, não com muito empenho, confesso, mas acabei lembrando desse episódio e senti vontade (ou teria sido o Raniel me trazendo recado do Divino?) de compartilhar com todos vocês. Talvez seja o primeiro aviso ou até pode ser o último, mas não sei se outros avisos aconteceram ou não.

Agora, se eu te dissesse que, nesse momento, Nínive é o Brasil, que os ninivitas são todos os brasileiros, que Jonas é o Lou H. Mello da hora e que essa mensagem é para nós?

O que você faria?

Pois então, há grande possibilidade de que seja isso mesmo. Cerca de 99% de probabilidade.

Relutei para escrever esse texto e até já sei o que acontecerá se vocês jejuarem, se arrependerem e pedirem perdão a Deus por tudo isso que andam fazendo por aqui. Terei grande dificuldade em aceitar se Deus fizer o que estou pensando. A maioria de nós não merece.

Que Deus tenha piedade de todos nós e de nosso país!

Ops: Versões utilizadas: NVI e Bíblia Viva

Author: Lou Mello

Olha só, pessoal assíduo na Gruta (carinhosamente grutenses) já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc.

Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. Escolas e Universidades praticam o monopólio dos diplomas e a ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá.

Valorizo muito mais os meus mentores, tais como Dr. Russel P. Shedd, Dr. Zenon Lotufo Jr. e Dr. Dale W. Kietzman.

Meu espírito é missionário. Plagiando o Amir Klink, “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para desejar estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Eu viajei e ainda pretendo viajar.

Atualmente, continuo acalentando o Projeto Corações Valentes, embora ele não tenha vingado ainda. Talvez sinta falta do Thomas, tanto quanto eu sinto.

Além de lecionar (Ef. Física e Teologia), ensinei organizações não lucrativas a fazer amigos para ter sustento e, também, tentei ajudar as pessoas a crescerem através da mudança comportamental. Sonho em treinar professores em prática de ensino, quem sabe…

A Gruta surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito com potencial para me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.

Gosto música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei).

Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável para mim, e ainda me surpreendo com as pessoas lendo meus escritos, comentando, enfim.

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