Não quero mudar os outros

Jesus de Nazaré encanta-me por diversas razões. Entre elas, não havia nele autoritarismos, individualismos ou qualquer outra forma de egoísmo ou intromissões. Em verdade, a grande diferença entre ele e todos nós era essa: Ele era desprovido de ego.

Não só ele não exigiu mudanças a ninguém como em diversas ocasiões enfatizou a cada um para continuar exatamente onde estava, fazendo o melhor que pudesse. “Transformai-vos pela renovação das vossas mentes”. Afirmação inversa à mudança de comportamento pelo comportamento, apenas. Ao mudar nossa mente, não há como manter o comportamento inalterado. A grande mudança é justamente a desconstrução do ego.

As pessoas gastam suas vidas na inglória atividade de tentar mudar os outros. As religiões construíram e constroem suas doutrinas em torno de mudar os fiéis. Os governos não se cansam de promulgar leis e medidas coercitivas na intenção primária de determinar como as pessoas devem viver.

No fim de cada semana daria para encher várias folhas com as “sugestões de mudanças” recebidas ao longo dos sete dias passados. Você devia fazer isso ou aquilo. Você não devia fazer isso. Como você me faz uma coisa dessas! Por que não vai trabalhar vagabundo? E seus filhos? Ah, se fossem os meus!

Não quero mudar os outros e, tenho, cada vez mais, me empenhado em não palpitar na vida alheia. Quer fazer isso, faça. Quer fazer aquilo, faça. Tudo bem. Espero que ninguém escolha caminhos que possam levar à perdição moral.

Conheço gente realizada segundo os ditames da atual sociedade: estudou, formou-se, arrumou emprego no Bradesco, comprou o apartamento de dois quartos, um carro mil, casou, teve filhos, completou a carreira, aposentou-se e agora está lá todo orgulhoso com os três netos a sua volta e a boca escancarada cheia de dentes postiços.

Também conheço alguns que abandonaram o “status quo” e foram viver em uma praia bonita. Lá vivem do comércio de caipirinhas e caipiroskas, tomam muita água de coco, andam descalços sobre a areia e chupam sorvete aos montes, como diria a amiga do Borges (não quero que a Lu fique brava comigo), sem esposas ou maridos, sem filhos e muito menos netos e o melhor, sem depender da aposentadoria do governo.

Olhando em redor vejo as pessoas desorientadas. Eu me sinto assim todos os dias, em algum momento. Boas ideias são bem vindas, sempre, mas são raras. Geralmente, são críticas disfarçadas. Alguns se entristecem quando digo não sei ou não faço a menor ideia a respeito. Na verdade, não quero me intrometer, criticar ou julgar.

Transforme-se pela renovação da sua mente e jogue o ego na lata do lixo, sei lá. Cuide de sua vida e deixe os outros cuidarem das deles. Ainda que a maioria não goste seguirei fazendo as coisas do meu jeito.

Como disse a astróloga, sou como a cabra montês, estou subindo a montanha bem devagar, mas chegarei ao topo e nisso não há dúvida. Pode ser que o meu topo seja uma praia e um quiosque de caipirinhas e caipiroskas. Da Dedé não abro mão, se ela quiser o mesmo, claro. Quem sabe?

Capricornio PB

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2 respostas para “Não quero mudar os outros”

  1. Coisa mais dificil é a desconstrução do Ego.Ô bichinho que fala alto!A necessidade da transformação pela renovação de nossas mentes é premente.Jesus sabia disso,sabia da nossa soberba.Às vezes
    numa atitude que parece sem malícia,tentamos mudar nossos filhos,depois de ter-lhes ensinado o be-a-bá.

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