A Gruta do Lou

Profissões, uma dança de falsidades I

FEFISA: Turma de Educação Física 1977

Faz tempo que venho acalentando a má intenção de escrever sobre esse assunto. Vejo os jovens lutando contra os moinhos por aí e morro de pena deles. Quem sabe um ou outro venha a dar ouvidos à experiência de quem já fez esse caminho e se livre de tantas armadilhas, nesse solo minado.

Antes de mais nada, peço licença para usar minhas aventuras como ilustrações, nesse post.

Quando chegou a minha hora para decidir o que iria fazer da minha vida profissional, nem sabia que deveria decidir essa área em separado das outras. Para mim, a vida era uma coisa só. Como diria o Forest Gump: eu mesmo lógico! Quando me perguntavam o que eu pretendia ser quando crescesse.

Pressionado pelas pessoas ao meu redor, decidi entrar em uma faculdade, como solução para o problema. Não era, mas acalmava a ansiedade das loucas intrometidas (mãe, namorada, sogra, etc.). Fiz o vestibular (exame necessário para ingressar em um curso superior, no Brasil) e fui aprovado para fazer Administração de Empresas. Trabalhava na Avon (na área aministrativa, antes que você venha com a piadinha sem graça) e era a escolha certa a fazer. Não podia supor que haveria outra vida depois daquela. Mas os caras logo me fizeram perceber a realidade e decidiram dispensar meus serviços por alguma razão tola e meu curso superior perdeu o sentido. Assim, abandonei a faculdade. Pouco tempo atrás, voltei e fiz uma atualização na FGV (Fundação Getúlio Vargas) me especializando nas empresas não lucrativas.

Primeiro round perdido. Essa formação não me deu uma profissão no sentido de um trabalho capaz de prover sustento, empreendedorismo e satisfação. Atualmente estou insistindo nessa área, como consultor, por absoluta falta de opção, mas sinto que continuo correndo atrás do vento. Ninguém precisa ir à escola para aprender a administrar uma empresa. Isso é uma conspiração liderada por um gringo insano chamado Peter Drucker para evitar, o quanto possível, que as pessoas saiam por aí criando empresas bem sucedidas. Ao invés de perder tempo em uma faculdade de administração de empresas, abra a sua empresa e seja feliz mais cedo. Para tanto basta aprender a somar. Se bem que esse não seja o melhor negócio, hoje em dia, a não ser que você inicie já, uma usina de álcool de cana de açúcar.

Depois de desistir do curso de administração, percebi que aquelas mulheres horrorosas voltaram a me olhar com aquela cara de: cumé? Era hora de escolher outra profissão, digo, curso superior. Uma profissão me encantou nos tempos de colégio: Professor de Educação Física. Conclui, com toda a sabedoria já latente naqueles tempos, ser essa a minha grande vocação. Lá fui eu, outro vestibular e pimba, comecei meu curso na PUC. Depois de uma ano, a PUC fechou o curso e transferiu, quem desejou, para a FEFISA (Escola de Educação Física de Santo André) . Naquela época, suspeitei que minha namorada não estivesse gostando da minha escolha e aproveitei o vacilo da PUC para conseguir uma transferência para a FATEC (Faculdade de Tecnologia) no curso de Mecânica, não sem antes fazer seis meses de cursinho para aprimorar meus conhecimentos nas ciências exatas. Estudei lá, cerca de um ano, e me dei conta da minha falta de entusiasmo para os motores e afins. Voltei à educação física, via novo vestibular, dessa vez, na FEFISA. Essa decisão não foi abençoada pelas aves de mau agouro.

Com alguma dificuldade e muita facilidade, contrariei todo mundo e me formei. Naquela altura diziam, a boca pequena, que eu nunca terminaria nada. Fiquei sem a namorada e a sogra inclusa,  pois elas resolveram me trocar por uma administrador ou engenheiro mecânico, sei lá. Tornei-me um bom professor de Educação Física. Antes mesmo de receber meu diploma reconhecido pelo MEC e USP, já estava trabalhando em uma escola. Lecionei em muitas escolas particulares, públicas e trabalhei na Secretaria Esportes da Prefeitura de S. Paulo. As diretoras das escolas onde trabalhei eram apaixonadas por mim, não por meus inexistentes dotes físicos, mas pelo belo professor em que me tornei, modéstia a parte. Para azar delas, uma dessas infelizes contratou a Dedé para trabalhar em sua escola e você já sabe o que aconteceu, para horror de toda aquela gente voraz.

continua…

לּהּמּ

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7 thoughts on “Profissões, uma dança de falsidades I

  1. É fácil

    A Igreja tem a cara do Espírito Santo. Ou a que Ele quer que ela tenha. Será que existe obreiro insatisfeito com o lugar onde Deus colocou? Existe obreiro frustrado porque a igreja não tem a cara que ele gostaria que tivesse? Não tem a sua cara? Será que Deus dá muito ao que quer pouco ou dá pouco ao que quer mais? O obreiro pode sair ou o que é líder acima dele tirá-lo, se tiver uma palavra de Deus. Do contrário, se o obreiro for homem de Deus, deve aceitar onde Deus o colocou e assumir o ministério com alegria, durante o tempo que Deus quiser. Jogar a responsabilidade para os outros é muito fácil.
    Curiosamente, durante o ano de 1739, o ano em que o metodismo conscientemente adotou a pregação ao ar livre ou “nos campos”, como Wesley a denominava, Wesley teve uma experiência traumática, na sua amada Sociedade Fetter Lane. Surgiu entre seus membros a prática do “quietismo”, a saber, a crença de que Deus salva unicamente pela sua graça e que as pessoas deveriam esperar passivas, “quietas”, até que recebessem tal dom. Incapaz de extirpar essa idéia, Wesley e alguns companheiros se separaram da Sociedade.
    No final do mesmo ano, algumas pessoas, despertadas pela obra de Wesley, pediram que fosse seu orientador espiritual. Wesley aceitou a incumbência, organizando essas pessoas em uma sociedade. Entende-se que esta seja a que merece ser considerada plenamente metodista pelo ensino e doutrina.
    Aprendi que deveria assistir cada cônjuge de uma vez dentro do aconselhamento, só que aprendi apenas na mente. Quando pastoreei uma congregação não consegui colocar em prática e foi um fracasso em um caso, atendi os dois juntos e eles continuaram separados. Agora estou tendo que aprender com as pessoas que amo muito, meus pais, converso com um e aponto os erros dele, com outro os erros do outro. Estão contra mim, mas pelo menos estão juntos. Isso é o que importa.
    Importa que vocês estejam juntos em tudo, mesmo que pensem diferente ou sejam diferentes.

    Abraço. Júnior.

  2. Claro que é ele Alê. E o que vc quis dizer com bem magrinho?

    Eu também tive os mesmos problemas com você para aprender que a vida tem outros lados separados e que depois de uma decisao ela forma um todo a qual chamamos de “nossa vida”. Apesar de ter feito o magistério tinha muitas dúvidas se deveria fazer Pedagogia ou Psicologia. E ai, esperei um bom tempo. Somente 7 anos depois, me achei apta ou capaz de decidir uma segunda parte da minha vida para continuar caminhando ou melhor sobrevivendo.

    Abracos e espero que volte logo, viu.

  3. Professor de educação física! Nem imaginava. Eu não fiz faculdade logo que saí da escola, só resolvi isso muitos anos depois e, mesmo assim, não fiz o que realmente gostaria e invejo os que fazem o que realmente gostam e nasceram para fazê-lo.

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