A Gruta do Lou

Perdendo, mas ganhando.

Devido a motivos inesperados e desconhecidos este Blog esteve inacessível durante a maior parte do dia 23 de abril. Manterei esse texto mais tempo à frente para que todos o leiam.

Obra belíssima dos diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris, Little Miss Sunshine é um filme a ser visto. Eu me emocionei do riso escancarado às lágrimas com ele. Alguns o classificaram erroneamente como uma comédia. Na verdade, trata-se de um drama daqueles. Acontece que a vida de grutenses, como os personagens do filme, costuma ser muito trágica, em meio a situações hilárias. E esse é o meu caso.

Trata-se de um enredo construído com muito cuidado, a começar do fato de ter sido baseado na principal obra de Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido” que é uma proposta inusitada (apesar dos sete volumes) de voltar ao passado e recuperar todos os momentos de sofrimento e descobrir seu valor, em nossa existência. Neste filme, uma família (pai neurótico, mãe depressiva, um filho adolescente rebelde, uma filha criança sonhadora, o avô viciado e o tio gay e suicida) cheia de patologias psicóticas, por razões circunstanciais, sofrerão as mais inusitadas perdas durante uma viagem em busca do sonho da menina (participar do concurso Miss Sunshine na Califórnia) para ganhar um prêmio inesperado, uma família unida, feliz e conhecedora de seus reais valores e limites.

Caminhamos, em nossas vidas, buscando objetivos concretos que podemos vislumbrar. Alguns, geralmente a minoria, obtém essas porcarias capazes de alegrar fugazmente. Gente como nós, busca as mesmas coisas, mas sofre as mais terríveis dificuldades na estrada da vida e vive a lamentar-se sem perceber ganhos não almejados e de fato conquistados, nessa busca insana de nosso viver tumultuado. Preste atenção no método de sucesso de nove passos, do pai derrotado dessa família.

O nosso querido mestre Jesus de Nazaré, em meio a muitas declarações estranhíssimas disse: “Não tenham medo do mundo, eu o venci.” Quando ele pronunciou essa frase, poucos ou ninguém a entendeu. Olhando para ela hoje, fica difícil não observar, com certa ternura, como era tolo nosso Senhor. Imagine alguém com aquela história, transformada na maior derrota ocorrida no seio da humanidade, vir com essa lorota. Mas é precisamente ai onde mora a grande vitória. Ele estava ensinando um caminho totalmente oposto ao conhecido e perseguido naqueles dias e atualmente, também. Ganha a vida quem morre, recebe o consolo quem chora, feliz quem é perseguido, justificado o injustiçado, ganha quem perde e dos grutenses digo dos sofredores é o Reino dos Céus.

Não há dúvida que todos, vez ou outra, veremos e viveremos momentos felizes. Talvez o saldo seja esmagadoramente favorável aos momentos sofridos, mas mesmo assim, os bons e alegres instantes estarão contabilizados, igualmente.

Pode parecer uma estranha loucura, uma viagem sem pé ou cabeça, de mais de mil kilômetros para levar a filhinha a um concurso, já perdido de antemão. Assim são as nossas vidas. Quase tudo que fazemos não tem grande sentido. Na maioria das vezes somos levados pelo vento da hora. Para não dizer “não” ou desagradar alguém nos metemos nas maiores enrascadas e, sem saber, estamos perdendo e sofrendo para ganhar e achar a verdadeira felicidade.

Share this:
Share this page via Email Share this page via Stumble Upon Share this page via Digg this Share this page via Facebook Share this page via Twitter

11 thoughts on “Perdendo, mas ganhando.

  1. Uma família de perdedores em uma kombi de câmbio quebrado. Também uma descrição da Gruta, não é não!?

    Belíssimo o filme, com razão o Lou. Vi na primeira rodada, quando ainda era alternativo e não havia sido indicado.

  2. oi Lou,
    que coisa… peguei ontem este filme na locadora pra ver hoje…
    beijos,
    alê (vc com problemas na página e eu com problemas no pc… êta grutenses……..)

  3. A idéia não era indicar ou comentar um bom filme. Existem sites melhores para isso. Ao citá-lo, desejava tratar de um tema relevante, na verdade um dos mais paradoxais ensinamentos de Jesus, mas não logrei êxito, ao que parece.

  4. Gostei muito da tua analogia Lou. Não vi o filme, mas pela forma como o descreveste em comparação à nossa própria caminhada, pude interiorizar melhor a ideia que quiseste passar!
    São os tais “paradoxos” santos de Deus!
    Na verdade, o segredo da felicidade, é encontrar um sentido na nossa vida e caminhar, independentemente quando chegamos .
    E esse propósito nós o encontramos no nosso querido e amado Jesus, um sonhador, um idílico, um “tolo” como tu amorosamente O chamas, mas Glória a Ele por isso! 🙂
    Um abraço Lou!

  5. Grande Vilma, até a comparação com a caminhada da vida captastes. Jesus foi e é o bam-bam-bam mesmo. Agradeço seu interesse e feliz comentário. Grande abraço.

  6. Anderson

    Eu não perco essa mania de achar que sou um professor. Mas tenha esperança, enquanto viver sempre poderei melhorar. Tenha paciência com o velhinho.

  7. Acho que vou ter que dar uma passadinha na locadora. Já te visitei, mas nao consegui entrar e agora vi com surpresa que a página dos comentários abriu. A gruta tá correndo atrás da felicidade? Por isso nem deixa os grutenses entrar?
    Beijao na família.

  8. Pingback: Lou Mello

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.