A Gruta do Lou

Pedras Vivas meus queridos!

Ontem, após ouvir uma lorota sobre o Yancey (Philip Yancey), não consegui me controlar e liguei para ele. Depois de ouvir meu relato em silêncio, balbuciou:

*‘Sinto-me, com facilidade, desencorajado pelo silêncio de Deus. Quando minhas orações não são respondidas, sou tentado a desistir e a não pedir de novo. Por esse motivo, olho para a parte debaixo da escada e encontro pessoas de fé menor, e isso me incentiva a aprender que Jesus esteve pronto a operar com qualquer pequenino vislumbre de fé que viesse à luz. Apego-me às misericordiosas narrativas de como Jesus lidou dom os discípulos que o abandonaram e depois duvidaram dele. O mesmo Jesus que louvou a fé ousada daqueles lá em cima da escada também, gentilmente, estimulou a fé flácida de seus discípulos. E recebo consolo especial na confissão do pai de um rapaz possuído por demônios que disse a Jesus: “Eu creio, ajuda-me a vencer a minha falta de fé.” Até mesmo aquele homem vacilante recebeu a garantia de uma resposta.’

Não, sua igreja não pode passar-lhe o diploma de “crente verdadeiro” seja lá o que venha a ser isso. Alias igrejas não podem diplomar ninguém a nada. Incrível como elas insistem em pecar nesse ponto. O Yancey, tanto quanto Jesus ou até eu, não está criticando a igreja de Jesus Cristo. Sua crítica, assim como a minha, está endereçada às instituições humanas que se autodenominam “igrejas” e vivem reivindicando o direito de aprisionar o Espírito Santo, levando as pessoas incautas a acreditar que já o fizeram, sendo tal pretensão a mentira das mentiras. Não passam de pessoas cativas em templos de pedras mortas.

Não deve ser nada fácil descobrir, depois de dedicar uma vida inteira a ela, a falácia desse trem chamado igreja. Comigo não chegou a tanto, foram só uns trinta anos. Entretanto, que ninguém duvide, sinto-me comprometido com o Corpo de Cristo, unido a esses cristãos remanescentes e fortalecidos pelo sofrimento, pela descoberta, pela mendicância, e pela luz da verdade sobre as falsas crenças. Não temos um templo, e não queremos ter. Podemos nos encontrar, eventualmente, em algum prédio, mesmo que seja um desses com cara de igreja. Mas não temos nada a ver com essa construção. Descobrimos que somos nós as pedras, agora vivas. Apesar disso, nenhum de nós está proibido de frequentar um grupo qualquer e nele fazer a diferença. Ultimamente temos nos encontrado em blogs e sites de relacionamento. Alguns já conseguem se encontrar pessoalmente para abraçar uns aos outros. Isso é milagre do Jesus Nazareno autêntico.

Como qualquer ser humano, irrito-me com essas pessoas. Sei que deveria ser longânime com elas. Imagino que o Senhor ainda vai aprontar comigo, colocando esses desgraçados em meu caminho na fila dos abraços, pior ainda se for na fila dos beijos. Já pensou uma beijoca nessa infeliz. Na hora H verei o Senhor me olhando com aquela sobrancelha de Paulo Brabo, mais elevada que o Everest. Certamente Ele ainda tem muito serviço a fazer nesse coração aqui.

Agora, pega leve, usar o Yancey para bode expiatório é sacanagem da pesada. Por outro lado, foi um elogio aos sempre escolhidos para expiação (Kivits, Gondim e Brabo). Na hora de achar outros, para disfarçar as verdadeiras intenções, pegaram logo um peso pesado. Que mediocridade. Mas expõe a realidade cristalina, ou seja, poucos estão dando a cara a tapa. Muitos estão pensando a mesma coisa, mas poucos arriscam comprometer sua segura posição. Basta mencionar essas questões e a turma corre enfiar a cabeça na areia. Parece que já vi esse filme antes e ele fez dois mil anos no último dia 25.

* Texto citado foi extraido do livro: O Jesus que nunca conheci de Philip Yancey – Ed. Vida – pg. 195)

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6 thoughts on “Pedras Vivas meus queridos!

  1. Hoje estou triste prá caramba. Vim prá Gruta (amo você) mas fiquei enjoada. Num guento mais essa gente Lou!!!!
    Pior é que eu preciso de gente crente, mas crente messssmo!
    aaaaiii mano… tá doendo tudo.
    É só a fiblromialgia…
    🙁

  2. Oi Lou, voltando às atividades aos poucos.

    Sabe o que me deixa bem à vontade nisso tudo??? É que nao estou acompanhando nada de perto, somente o crescimento dos meus filhos.
    Já há muito tempo deixei de depender de ser melhor ou pior crente por causa dos outros.
    Na verdade, como temos falta por aqui de igrejas evangélicas, vivo mais na Arca de Noé, me entende?

    Grande beijo em vocês e grandes bencaos para 2008

  3. É por essas e outras que não gosto de blog “cristão”.
    O meu não é. É um blog de “um cristão”, mas não trato de assuntos ligados à igreja porque só sai paulada. Falo da/sobre a vida tal como a vejo e entendo (ou melhor, não entendo).
    Não tenho argumentos contra ou a favor da Norma, do Yancey, do Brabo, do Lou, Gondim, Nicodemus, Nagel, Kivits ou seja lá quem se mete nessas brigas.
    Eu quero mais é ficar aqui na Gruta, quietinho, rezando pra Deus estar do meu lado (que eu nem sei qual é).
    Pronto! Já vão me acusar de omisso!!! Tá bem, tá bem… Estar ne Gruta é uma opção de lado. Confesso!!!
    Tomou!

  4. Eu dificilmente me meteria numa discussão. Mas, como posso livrar meu blog do assunto e tratar dele somente nas paginas de comentários dos outros, deixo aqui pra vc, a resposta que dei ao ultimo texto da Norma, publicado no Pavablog:

    Me pergunto tantas vezes aonde vai parar o mundo “conservador” sem um segundo de humanidade sequer no seu tempo dedicado às “grandes colunas da fé”.

    Yancey e Manning demonstram problemas com a temática homossexual? Podem ter, não sei.

    Conversavadores tem problemas com o diferente, o novo? Sim. E isso pra mim é uma falha tão grande quanto a anterior.

    Talvez a grande preocupação destes últimos seja o fato de que Yancey e Manning vendem livros demais. Assim, acaba sendo perigoso o “pecado” de lá ser mais divulgado.

    Talvez os conservadores brasileiros, tão apaixonados pelos grandes nomes “reformados” americanos não saibam que:

    – Boa parte dos pastores “tradicionais” americanos já não acredita que Jesus realmente ressucitou. Pra eles, isso deixou de ser vital para o ensino da fé.

    – Boa parte dos pastores “tradicionais” americanos continuam aprovando o jeito bush de ser: faço, faço, faço…se der errado, problema m…ops, problema seu! (se bem que isso já deixou de ser problema somente dos tradicionais, basta conferir o documentário Jesus Camp).

    E aí fico feliz em saber que a galera mais recente, interessada em Manning ou Yancey, entende que, a questão aqui é que todos somos pecadores em construção (como é importante essa palavra). Parece que os conservadores estão pouco interessados nisso – quanto mais pompa, melhor. Generosidade é coisa do passado, a moda agora é ser ortodoxo ultrapassado.

    Enquanto existe um possível problema sobre homossexualidade em Manning e Yancey, eles, ao menos, continuam afirmando: já cansei de cristianismo sem humanidade, que se propõe muito mais à eKKKlesia (sim, no sentido de organização burocrática, fajuta e sem respiração) do que à vida, ao coração, ao maltrapilho.

    A questão aqui não é estar entre o certo e o errado. É estar ligado no princípio do “eu estou em construção”. É claro que o principal argumento será: mas então eu vou tolerar baboseiras e ficar calado? Claro que não! Mas custa, será que custa muito, ao menos ser menos odiosamente prepotente nas palavras?

    Ricardo Oliveira

  5. É,nasci na igreja e levei uns quarenta anos para entender que ela não tem nada a ver com a Igreja.Assumi,então,graças a Deus minha fé.Sou a ovelha negra da família e ovelha negra para muitos “cristãos”,graças a Deus também!Agora que o povo fala,isso fala mesmo.Acha que eles,o Yancey e o Manning,estão ligando pra isso?São “Pedras Vivas”.

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